| Experimento 4 - Movimento Circular Uniforme: Fundamentos Teóricos |
Conceito de movimento circular uniforme
Vamos afirmar que: "Um carro estando com a velocidade escalar constante pode ter aceleração". O que você acha?
Esta afirmativa parece falsa, mas é verdadeira.
Esta
situação acontece quando o carro está se movimentando
em uma trajetória circular (fig.4.1A).
Figura
4.1A - Carro em movimento circular.
Figura
4.1B - Vetores força centrípeta e aceleração
centrípeta.
Neste caso o vetor velocidade varia de direção e sentido no decorrer do tempo, podendo o seu módulo permanecer constante ou não.
Quem provoca esta variação na direção do vetor velocidade?
Sabemos que para mudar qualquer característica do vetor velocidade é necessária uma força .
Esta força, denominada força centrípeta, atua na direção do raio da circunferência, buscando o centro, imprimindo ao carro uma aceleração na mesma direção e no mesmo sentido denominada aceleração centrípeta (fig. 4.1B).
No caso do carro, a força centrípeta é a força de atrito entre os pneus e a estrada. Se não existisse esta força, o carro sairia pela tangente em movimento retilíneo uniforme (posição 4 da fig. 4.1A).
Veja que esta aceleração é devida à variação à direção do vetor velocidade e não da variação do módulo do vetor velocidade.
Concluímos que a nossa afirmativa inicial é verdadeira, isto é, o carro pode estar com velocidade escalar constante e possuir uma aceleração (aceleração centrípeta), quando sua trajetória é circular.
Movimento circular uniforme: Quando a trajetória é circular e a velocidade é constante em módulo.
Da
fig. 4.1A, o carro estando em movimento circular uniforme, temos que:
Notação:
ac
vetor aceleração centrípeta
Direção do vetor aceleração centrípeta: a direção do raio (perpendicular ao vetor V)
Sentido do vetor aceleração centrípeta: de fora para dentro da circunferência (buscando o centro)
Módulo do vetor aceleração centrípeta: ac = V2/R
Demonstração da expressão ac = V2/R
Figura
4.2
(A)
- Movimento circular uniforme de uma partícula indo de uma posição
A
B. VA = VB.
Os
triângulos POQ e ACB são semelhantes porque são isósceles,
tendo os ângulos dos vértices iguais. Considerando a medida
do arco V
t aproximadamente igual
à medida do arco corda AB, obtemos:
(V
t)
/ V = R / V
Aproximadamente,
temos:
V
/
t = V2 / R
Esta
relação será mais exata quanto menor for
t,
porque o arco tende para a corda e vice-versa.
Considerando
t
0, no limite obtemos:
| ac = V2/R ( módulo do vetor aceleração centrípeta) | (4.1) |
Observação: Quando a velocidade escalar varia no decorrer do tempo, o movimento circular não é mais uniforme e o movimento tem, além da aceleração centrípeta, uma aceleração tangencial.
Aplicação numérica 1
Vamos determinar o valor da aceleração centrípeta, sabendo que o carro faz a trajetória circular com uma velocidade escalar constante igual 20,0 m/s e o raio da trajetória é igual a 100 m.
Dados: V = 20,0 m/s e R = 100 m
De (1) temos que:
ac = V2/R
Substituindo os valores de V e R, obtemos:
ac = 20,02/100 = 400/100
| ac = 4,0 m/s2 |
Conceito de velocidade angular
A posição de um ponto em uma trajetória circular pode ser determinada por um espaço linear (arco) ou por um espaço angular (ângulo).
Quando
o carro vai da posição A para a posição B,
ele percorre um arco
S e, simultaneamente,
"varre" um ângulo ![]()
(fig. 3).
Figura
4.3 - Ângulo descrito e arco percorrido em um intervalo de tempo
(
t), quando o carro vai da posição
A para B.
Velocidade
angular é o ângulo (![]()
)
percorrido em um intervalo de tempo (
t).
Notação:
velocidade angular.
Expressão:
| (4.2) |
onde ![]()
(ângulo descrito) é medido em radianos.
Unidade
da velocidade angular (Sistema Internacional)
1 rad/s
Relação entre a velocidade escalar e a velocidade angular
Você sabe que a medida de um ângulo pode ser em graus ou radianos.
Figura
4.4 - Medida de um ângulo em radianos.
Para
medir um ângulo em radianos (rad) basta dividir o arco compreendido
entre os lados do ângulo pela medida do raio (fig. 4), obtendo:
| ( |
(4.3) |
Dividindo
os dois membros de (4.3) por
t,
obtemos:
| ( |
(4.4) |
Como
= (![]()
)
/ (
t) e V = (
S)
/ (
t), substituindo em (4.4), obtemos:
| (4.5) |
| V
= (relação entre a velocidade escalar e a velocidade angular) |
(4.6) |
Observação: para determinar a medida de 1 rad basta considerar a medida do arco compreendido entre os lados do ângulo igual à medida do raio (fig. 4.4), obtendo:
1
rad
57,3o
Aplicação numérica 2
Um carro com a velocidade escalar constante de 30,0 m/s faz uma trajetória circular de raio 100 m. Determinar a velocidade angular.
Dados: V = 30,0 m/s e R = 100 m
De (5) temos que:
= V/R = 30,0/100
= 0,3 rad / s
Relação entre aceleração centrípeta e velocidade angular
De (1) temos que:
ac = V2/R
Como
V =
R (6), obtemos:
| ac
= ( relação entre a aceleração centrípeta e a velocidade angular) |
(4.7) |
De um modo geral todos nós temos noção do que seja freqüência e período.
Freqüência seria o número de vezes que um fenômeno se repete em um determinado tempo, e período é o tempo que leva para o fenômeno se repetir.
Em linguagem mais específica para o movimento circular, definiremos:
Freqüência: é o número de voltas que a partícula dá por unidade de tempo
Notação:
f
freqüência
Período: é o tempo que a partícula leva para dar uma volta completa
Notação:
T
período
Pelas próprias definições temos que a freqüência é o inverso do período e vice-versa, ou seja:
f = 1/T ou T = 1/f (4.8)
Unidades de medida de freqüência e período (SI)
Unidade de período = unidade de tempo = 1 s
Outras unidades: 1 min, 1 h, 1 mês, 1 ano, 1 século...
Unidade de freqüência = 1/unidade de tempo = 1/s = 1 s-1 = 1 hertz (1 Hz)
Quando no movimento circular se tem uma freqüência de 10 Hz, significa que o móvel faz 10 voltas em cada segundo.
Observação: a unidade de freqüência 1rps (1 rotação por segundo), usada na prática, é equivalente a 1 Hz.
Relação entre a velocidade angular e a freqüência
Vimos
que a velocidade angular é definida como sendo:
| (4.8) |
Quando a partícula dá uma volta completa:
![]()
= 2
rad
t
= T (período)
Substituindo
em (4.2), obtemos:
| (4.9) |
Como f = 1/T, substituindo em (4.9):
(relação entre a velocidade angular e a freqüência) |
(4.10) |
Aplicação numérica 3
Determinar o período de revolução, a freqüência e a velocidade angular de um satélite que se desloca numa órbita circular com uma velocidade escalar constante igual 8,0 km/s, ao redor da Terra. Considere o raio da Terra igual a 6370 km.
Dados: V = 8,0 km/s e R = 6370 km.
= V/R = 8,0 / 6370 = 0,0012
![]()
1,2 * 10-3 rad/s
De (9) temos que:
= (2
) / T
T
= 2
/ ![]()
2* 3,14 / (1,2 * 10-3)
T
5233 s
f = 1/T = 1 / 5233
f
0,19 Hz
| Experimento 4 - Movimento Circular Uniforme: Procedimento Experimental |
Objetivos
Figura
4.5: Posições do carro em movimento circular uniforme
Medidas - Direção Y
Para
medir o espaço y, posicione o cursor sobre a posição
inicial, e mantendo pressionado o botão esquerdo, arraste o cursor,
perpendicular ao eixo x, sendo exibida uma linha entre a posição
inicial e final e solte o botão (fig. 4.6). Leia o valor do espaço
(y) percorrido indicado na janela Posição - "Posição
Espacial/Distância" e coloque na tabela 5.2. Complete a tabela 5.2
usando o mesmo procedimento realizado na direção x.