MESOPOTÂMIA
As civilizações
antigas da Mesopotâmia são comumente chamadas de babilônicas,
apesar de que a cidade de Babilônia não foi o centro de cultura
do vale Mesopotâmico.
A região sofreu diversas
invasões de outros povos, mas que ao invés de interferirem
negativamente em sua cultura, ao contrário aprenderam e adotaram
muitos conhecimentos dos mesopotâmicos.
A escrita era a cuneiforme, que
talvez tenha surgido até mesmo antes da hieroglífica dos
egípcios. O fato é que as cerâmicas, tabuletas, com
escrita cuneiforme fornecem muito mais informação dos que
os papiros egípcios devido a sua conservação.
Ao contrário da maioria
das civilizações o sistema numérico mesopotâmico
tinha como base o valor sessenta. Acredita-se que o sistema de base sessenta
tenha sido usado por ser possível sua subdivisão em metades,
quartos, quintos, sextos, décimos, etc...até dez divisões
são possíveis.
Até hoje, o sucesso desse
sistema se reflete em nossas unidades de tempo e medida de ângulos.
Aos babilônios se deve a
invenção do sistema posicional. Com apenas seus símbolos
para unidades e dezenas, podiam representar qualquer número, por
maior que fosse, por repetição e mudança de posição.
Este é o mesmo princípio de nosso sistema numeral.
Nosso número 222 usa o
mesmo algarismo três vezes, com significado diferente de cada vez:
uma vez vale duas unidades, outra vale duas dezenas e a última duas
centenas (duas vezes o quadrado da base dez).
Quando escreviam ¡
¡ ¡
¡ ¡
¡ , separando
claramente grupos de dois símbolos, entendiam que o primeiro grupo
a direita representava duas unidades, o segundo o dobro de suas base (60)
e o terceiro, o dobro do quadrado de sua base. Portanto esse numeral indicava
2(60)2 + 2(60) + 2 = 7322 (em nossa notação).
Os babilônios, a principio
parecem não ter tido um modo de representar o vazio (zero). Não
havia notação para zero, embora às vezes deixassem
um espaço em branco para indicar zero. Isso confundia as formas
escritas para alguns números como 22 e 202. Criou-se, mais tarde,
um símbolo para zero, mas que só era usado em posições
intermediárias.
A superioridade matemática
dos mesopotâmicos sobre os egípcios está em que aqueles
estenderam a notação posicional às frações.
O que significa que a notação
decimal das frações que conhecemos já era por eles
conhecida, sendo que foram capazes de calcular a raiz quadrada de dois
com até três casas sexagesimais.
Já manipulavam bem, equações
usando palavras como incógnitas, num sentido abstrato. Conheciam
bem o processo de fatoração.
A resolução de equações
quadráticas e cúbicas também os coloca em destaque
com relação a matemática dos egípcios. Este
tipo de resolução é um feito notável, admirável
não tanto pelo alto nível de habilidade técnica quanto
pela maturidade e flexibilidade dos conceitos algébricos envolvidos.
E por que se espantar com seu alto nível e amadurecimento, se foi
deles que aprendemos o que sabemos e que nos autoriza a elogiá-los?
O que certamente nos dá
essa autorização é o nosso simbolismo algébrico,
sem o qual não podemos ter certeza de entender o raciocínio
da matemática primitiva.
Assim, para nós, é
fácil ver que (ax)3 + (ax)2 = b é essencialmente
o mesmo tipo de equação que y3 + y2
= b, mas reconhecer isso sem nossa notação é uma realização
de significado muito maior para o desenvolvimento da matemática
que até mesmo o princípio posicional na aritmética.
Algum desenvolvimento geométrico
pode ser constatado com tabuletas que indicavam relações
entre os lados de um triângulo. Apesar de não se poder ter
certeza, acredita-se que os Mesopotâmicos conheciam também
as fórmulas gerais de progressão geométrica e a soma
dos n primeiros quadrados perfeitos. No entanto, como nos papiros
egípcios, as tabuletas Mesopotâmicas não descreviam
os procedimentos mas apenas davam as questões e os resultados.
O Teorema de Pitágoras
não se encontra expresso em nenhuma tabuleta ou lista, mas certamente
era conhecido e usado e não só em triângulos isósceles.
Foi encontrado um problema em que uma escada ou prancha de comprimento
0;30 (1/2 na nossa notação) está apoiada a uma parede;
a questão é de quanto a extremidade inferior se afastará
da parede se a superior escorregar para baixo de uma distância de
0;6 unidades? A resposta é encontrada corretamente usando o teorema
de Pitágoras.
Toda a matemática desenvolvida
por babilonios e egípcios dá a entender que se originava
de questões concretas, imediatas. Mas, mesmo assim, há alguns
indícios de abstração e de matemática por recreação.