A mata atlântica originalmente percorria o litoral brasileiro de
ponta a ponta. Estendia-se do Rio Grande do Norte ao Rio Grande do Sul,
e ocupava uma área de 1,3 milhão de quilômetros quadrados.
Tratava-se da segunda maior floresta tropical úmida do Brasil, só
comparável à Floresta Amazônica.
O grande destaque da mata original era o pau-brasil, que deu origem ao
nome do nosso país. Alguns exemplares eram tão grossos que
três homens não conseguiam abraçar seus troncos. O
pau-brasil hoje é quase uma relíquia, existindo apenas alguns
exemplares no Sul da Bahia.
Atualmente da segunda maior floresta brasileira restam apenas cerca de
5 % de sua extensão original. Em alguns lugares como no Rio Grande
do Norte, nem vestígios. Hoje a maioria da área litorânea
que era coberta pela Mata Atlântica é ocupada por grandes
cidades, pastos e agricultura. Porém, ainda restam manchas da floresta
na Serra do Mar e na Serra da Mantiqueira, no sudeste do Brasil.
O aparecimento da Serra-do-Mar e da Mantiquiera datam da separação
entre o continente Americano e Africano. No pricípio eram altas
montanhas e só com os milhões de anos de erosão conseguiram
suavisar essas rochas de formação antiga que sustentam o
continente sulamericano. Concomitantemente evoluíram as linhagens
de plantas que originaram a Mata Atlântica. Nesta época também
desenvolveram-se insetos, aves e mamíferos fazendo com que hoje
fauna e flora se combinem rica e complexamente.
Área total original: aproximadamente 1,3 milhão de km2.
Área total atual: aproximadamente 52.000 Km2.
CARACTERIZAÇÃO DO AMBIENTE
EM QUE SE DESENVOLVE A VEGETAÇÃO
A Mata Atlântica compreende a região costeira do Brasil. Seu
clima é equatorial ao norte e quente temperado sempre úmida
ao sul, tem temperaturas médias elevadas durante o ano todo e não
apenas no verão. A alta pluviosidade nessa região deve-se
à barreira que a serra constitui para os ventos que sopram do mar.
Seu solo é pobre e a topografia é bastante acidentada. No
inteiror da mata, devido a densidade da vegetação, a luz
é reduzida.
Há uma importante cadeia de montanhas que acompanham a costa oriental
brasileira, desde o nordeste do Rio Grande do Sul até o sul do estado
da Bahia. Ao norte as maiores altitudes se encontram mais para o interior
do país, mas, nas regiões do norte do estado de Alagoas,
todo estado de Pernambuco e da Paraíba, e em pequena parte do Rio
Grande do Norte temos altitudes de 500 a 800 metros que estão próximas
ao mar. Em São Paulo é conhecida como Serra do Mar e em outros
estados tem outros nomes. Sua altitude média fica ao redor dos 900
metros. Em certos trechos é bastante larga, mas em outros é
muito estreita. Afasta-se do mar em alguns pontos, se aproximando dele
em outros.
Os ventos úmidos que sopram do mar em direção ao interior
do continente ao subirem resfriam-se e perdem a umidade que possuem; o
excesso condensa-se e se precipita, principalmente nas partes mais altas
da serra, em forma de nevoeiro ou chuvas. Assim esses ambientes contém
bastante umidade para sustentar as florestas consteiras, densas, com árvores
de 20 a 30 metros de altura.Devido a densidade da vegetação
arbórea, o sub-bosque é escuro, mal ventilado e úmido.
Próximo ao solo existe pouca vegetação, devido à
escassa quantidade de luz que consegue chegar aí.
As condições físicas na floresta atlântica variam
muito, dependendo do local estudado, assim, apesar de a região estar
submetida a um clima geral, há microclimas muitos diversos e que
variam de cima para baixo nos diversos estratos. Os teores de oxigênio,
luz, umidade e temperatura são bem diferentes dependendo da camada
considerada.
Em certos pontos da floresta chega ao solo 500 vezes menos luz do que nas
copas das árvores altas. A temperatura também varia bastante,
as copas das camadas superiores se aquecem durante o dia, porém
perdem calor rapidamente a noite. Ao contrário nas camadas inferiores,
a tempratura varia muito pouco, já que as folhas funcionam como
isolante térmico. Nas camadas mais altas, mais expostas, a ventilação
tem valores consideravelmente maiores que nos andares inferiores da mata.
Em resumo, os microclimas nos diversos andares de uma floresta pluvial
podem ser muito diferentes, embora o clima geral (macroclimas) seja um
só. O que interessa, naturalmente, a cada espécie e a cada
indivíduo, não é o clima geral da região em
que se encontra a floresta, e sim o clima ao qual ele faz parte; o importante
é o clima a que ele (indivíduo) ou ela (espécie) estejam
sujeitos (microclima).
Os solos da floresta são, via de regra, pobres em minerais e sua
natureza é granítica ou gnáissica. A maior parte dos
minerais está contida nas plantas em vez de estar no solo. Como
há no solo muita serrapilheira que origina abundante húmus,
existem microorganimos de vários grupos os quais decompõem
a matéria orgânica que se incorpora ao solo. Esses minerais
uma vez liberados pela decomposição de folhas e outros detritos,
são prontamente reabsorvidos pelo grande número de raízes
existentes, retornando ao solo quando as plantas ou suas partes (ramos,
folhas, flores, frutos e sementes) caem. Fecha-se, assim, o ciclo planta-solo,
que explica a manutenção de florestas exuberantes, em solos
nem sempre férteis, às vezes paupérrimos (como é,
muitas vezes, o caso de florestas da Amazônia).
No entanto, o desmatamento leva a um rápido empobrecimento dos solos,
já que as águas da chuva levam os minerais e os carregam
para o lençol subterrâneo (lixiviação). Esses
solos por esse motivo normalmente não se prestam à agricultura,
a menos que sejam enriquecidos anteriormente. Muito frequentemente são
de composição argilosa e após desmatamentos sofrem
erosão rápida ou então endurecem, formando crostas
espessas de difícil cultivo. É porisso que a queimada de
uma floresta tropical empobresse rapidamente o solo já que as águas
da chuva carregam os sais minerais ao lençol subterrâneo.
DESCRIÇÃO DOS ASPECTOS
FISIONÔMICOS, ESTRUTURAIS E FLORÍSTICOS DA FLORESTA ATLÂNTICA.
Esse tipo de formação florestal recebe
várias denominações: floresta latifoliada tropical
úmida de encosta (segundo a classificação de Andrade-Lima),
mata pluvial tropical (segundo Romariz) e mata atlântica (denominação
mais geral). É claro que todas estas denominações
são corretas. O que interessa é saber interpretá-las.
A expressão de Andrade-Lima é a mais complexa. Está
indicando que se trata de floresta sempre verde, cujos componentes em geral
possuem folhas largas, que é vegetação de lugares
onde há bastante umidade o ano todo, e, finalmente, que é
vizinha da costa ou acompanha a costa. Na expressão de Romariz,
sabe-se que se trata de floresta cujos os componentes tem folhas largas,
é mata dos trópicos úmidos e vive em encostas. Os
autores que usam a expressão mata atlântica estão indicando
sua vizinhança com o Oceano Atlântico. E desta vizinhança
decorre a umidade transportada pelos ventos que sopram do mar. Como consequência
dessa umidade surge a possibilidade de terem seus componentes, na maioria,
folhas largas. E, ainda, esta umidade constante, aliadas às altas
temperaturas é que garante o caráter de vegetação
perenifólia (cujas folhas não caem antes de as novas estarem
já desenvolvidas), pois a queda periódica das folhas de certa
vegetação é determinada ou pela falta de água
(seca física - queda de folha na caatinga) ou pelas temperaturas
muito baixas que impedem a absorção da água embora
ela esteja presente (.seca fisiológica - queda das folhas nas matas
de climas temperados).
Portanto por receber muita energia radiante e pelo alto índice de
pluviosidade, trata-se de uma floresta exuberante, de crescimento rápido,
e sempre verde, ou seja, as folhas não caem.
Calcula-se que na Mata Atlântica existam 10 mil espécies de
plantas que contém uma infinidade de espécies de cores, formas
e odores diferentes. Nela se encontra jabuticabas, cambuás, ingás,
guabirobas e bacuparis. Plantas como orquídeas, bromélias,
samambaias, palmeiras, pau-brasil, jacarandá-da-bahia, cabreúva,
ipês, palmito.
palmeira
Na Mata Atlântica convivem lado a lado desde árvores grandiosas
como o jequetibá, figueiras e guapuruvas e até líquens,
musgos e minúsculas hepáticas. Existem muitas espécies
de árvores com troncos duros e pesados, uma grande quantidade de
cipós se apóiam nas árvores. Encontram-se no chão
da mata uma grande quantidade de fungos, plantas saprófitas, sementes
e plântulas.
A Floresta Atlântica é semelhante fisionomicamente e em composição
florística à Floresta Amazônica. São igualmente
densas, com árvores altas em setores mais baixos do relevo, apesar
de as árvores amazônicas apresentarem em média um maior
desenvolvimento. Os troncos são recobertos por uma grande diversidade
de epífitas que é um aspecto típico dessas florestas.
A existência de grupos semelhantes de espécies entre a Amazônia
e a Mata Atlântica sugere que essas florestas se comunicaram em alguma
fase de sua história. Certos contrastes diferenciam a Floresta Amazônica
da Mata Atlântica; a primeira é em geral de planície
e a segunda, de altitude. Suas temperaturas médias discrepam, do
ponto de vista vegetacional.Quanto mais distante a Mata Atlântica
estiver do equador, mais ela se difere da vegetação amazônica
devido ao abaixamento da temperatura. Na Floresta Amazônica, as temperaturas
médias são elevadas todo ano, em torno de 26-27°
C, indo a máxima absoluta a 38,8°
C e a mínima absoluta a 22° C, o
que faz do seu clima uma constante quente durante todo ano. Já na
Mata Atlântica, as temperaturas médias variam 14-21°
C, chegando a máxima absoluta 35°
C para menos, não passando a mínima absoluta de 1°
C (embora, no Sul, possa cair até -6°
C).
A Floresta Atlântica guarda, apesar de séculos de destruição,
a maior biodiversidade por hectare entre as florestas tropicais. Isso é
devido a sua distribuição em condições climáticas
e em altitudes variáveis, favorecendo a diversificação
de espécies que estão adaptadas às diferentes condições
topográficas de solo e umidade. Além disso, durante as glaciações
essas florestas mudaram de área nos ciclos climáticos secos
e úmidos. O estudo dos grãos de pólen depositados
nos sedimentos atestam que a América do Sul passou por mudanças
climáticas que provocaram retração e expansão
das formações vegetais há milhões de anos.
As flutuações climáticas produziram períodos
mais secos, com nível do mar abaixo do atual e retração
das florestas e expansão dos cerrados. Portanto nos últimos
milhares de anos a geologia não mudou, mas o clima variou entre
as glaciações, ou seja, as águas quando congelavam
nos polos abaixavam os níveis dos oceanos e chovia pouco. Nas interglaciações
o tempo esquentava, o mar aumentava de volume e chovia abundantemente.
Isso fez com que as florestas tropicais que vivem de umidade e calor passassem
por momentos de incubação e outros de exuberante beleza.
Nessa época a Serra-do-Mar tinha papel importante na sobrevivência
da Mata Atlântica já que barrava a umidade vinda do oceano
salvando milhares de espécies dependente dessa umidade. Essas mudanças
influenciaram na formação dos padrões atuais.
Agrande quantidade de matéria orgânica em decomposição
sobre o solo dá à mata fertilidade suficiente para suprir
toda a rica vegetação. Um solo pobre mantém uma floresta
riquíssima em espécies, graças à rápida
reciclagem da enorme quantidade de matéria orgânica que se
acumula ao húmus. A reciclagem dos nutrientes é um dos aspectos
mais importantes para a revivência da floresta.
ADAPTAÇÕES VEGETATIVAS
E REPRODUTIVAS DAS PLANTAS DIANTE DA DIVERSIDADE DO AMBIENTE EM QUE SE
DESENVOLVEM
As árvores do interior da mata são adaptadas à sombra,
desenvolveram grande área foliar a fim de captar o máximo
de luminosidade possível nessas condições. Tem espécies
que passam toda a vida sombreadas e mesmo assim, são capaxes de
produzir flores, frutos e sementes. Muitas árvores são esguias,
sem ramos, a não ser na parte superior. É que devido ao sombreamento,
os ramos inferiores foram eliminados.
Sobre os troncos das árvores encontram-se dezenas de orquídeas,
bromélias, cactáceas, ou seja, epífitas perfeitamente
adaptadas a vida longe do solo.Como as epífitas não mantém
contato com o solo muitas vezes possuem problemas de nutrição.
Nada retiram das árvores apenas buscam uma maior luminosidade e
ainda retribuem o abrigo atraindo animais polinizadores, como o beija-flor.
Nos troncos onde as águas das chuvas escoam rapidamente, as epífitas
tiveram que se adaptar a secas periódicas, mesmo vivendo num ambiente
úmido. Bromélias possuem folhas que formam um reservatório
de água, na forma de um copo. Nesses reservatórios aquáticos
podem viver algas, protozoários, vermes, lesmas e até pererecas
constituindo uma pequena comunidade. As orquídeas, cactáceas
guardam em suas suculentas flolhas a água que necessitam para a
sobrevivência.
epífitas
Há plantas que começam como epífitas e terminam como
plantas terrestres. Suas sementes germinam sobre forquilhas de ramos ou
axilas de folhas, onde foram depositadas por pássaros em suas fezes;
suas raízes crescem em torno do caule da hospedeira, em direção
ao solo, onde penetram e se ramificam; com seu crescimento em espessura
acabam concrescendo umas com as outras formando uma coluna vigorosa, capaz
de suportar sua copa, quando a hospedeira, com seu caule asfixiado no interior,
morre e se desfaz. O exemplo típico é o Ficus, conhecido
como mata-pau. Certas espécies nascem no solo, atingem com seu eixo
principal ou com alguns ramos um suporte e nele se fixa; se porventura
se desfizer a ligação, por qualquer motivo, com o solo, por
exemplo por morte de parte do eixo em contato com ele, essas plantas passam
a viver epifiticamente.
bromélia
Na mata existe uma planta que abriga formigas, a embaúba, a única
planta que fora da região amazônica se associa com formigas,
enquanto lá os exemplos desta associação são
numerosos. A formiga protege a planta contra a ação de predadores
e essa árvore serve de abrigo às formigas.
No chão da floresta alguns fungos, as micorrizas, formam-se junto
às raízes das árvores onde auxiliam na absorção
de nutrientes.
Plantas saprófitas evoluídas a ponto de dispensar a clorofila,
deixando de fazer a fotossítese, vivem a custa de matéria
orgânica em decomposição. São plantas esbranquiçadas
que crescem em meio as folhas no chão da floresta.
Nesses matas são comuns as raízes tabulares e as raízes
de escoras, que são dispositivos para se coletar oxigênio
do ar, uma vez que a taxa de oxigênio do solo é pequena. Além
disso solos muito úmidos não proporcionam boa fixação,
assim as raízes tabulares aumentam a base de sustentação
da planta. Devido a densidade da vegetação ser muito grande,
os ramos nas copas das árvores se entrelaçam e as plantas
assim se suportam reciprocamente e mesmo que os troncos sejam cortados,
a árvore não cai por estar presa à copa.
O chão da floresta é um verdadeiro berçário
de plantas recém germinadas ou em vida latente dentro das sementes.
Muitas dessas plantas podem passar anos aguardando que uma árvore
caia, abrindo uma clareira para que tenham luz suficiente para crescer.
Outras suportam até a passagem do fogo das queimadas para depois
germinar e auxiliar na cicatrização da floresta. Algumas
espécies como os manacás-da-serra e quaresmeiras produzem
milhares de minúsculas sementes que o vento carrega e deposita sobre
as áreas abertas onde rapidamente crescem fechando as "feridas".
Na floresta temos plantas que emitem odores atraentes ou até mesmo
simulando uma fêmea de algum animal com a função de
atrair polinizadores, tais como abelhas,vespas, moscas, besouros, borboletas,
mariposas, aves ou até morcegos.
Durante o inverno, ipês e suinãs exibem suas flores nos altos
das copas ao mesmo tempo em que derrubam todas as folhas, tornando as flores
visíveis a seus polinizadores a longa distância. Algumas espécies
produzem suas flores junto aos troncos onde abelhas e outros polinizadores
no interior da mata podem encontrá-las com mais facilidade.
Há plantas que abrem ao entardecer no mesmo período de atividade
de seus polinizadores, tais como pequenos morcegos.
Na dispersão das sementes tem plantas que produzem frutos ou sementes
com asas ou longos pelos, valendo-se dos ventos para distribuí-las.
Ourtas produzem frutos explosivos, que ao secarem lançam suas sementes
à longas distâncias. Diversas plantas produzem frutos suculentos
e coloridos que se prestam à alimentação de vários
animais. Depois da digestão, estes seres defecam as sementes prontas
para germinar.
As folhas são muitas vezes brilhantes, recorbertas por cera, tendo
superfícies lisas e pontas em forma de goteira. Todas essas características
facilitam o escoamento da água das chuvas impedindo sua permanência
prolongada, o que seria inconveniente sobre a superfície foliar
porque pode obstruir estômatos, além de servir para, em suas
gotas, se desenvolverem microorganismos que podem determinar doenças.
Outros mecanismos são conhecidos tais como: caules e folhas pendentes,
folhas de limbo em pedúnculos delgados e longos, que se curvam ao
peso da água fazendo com que a ponta do limbo se incline para baixo,
o que determina o escoar da água por ação da gravidade
e com isso o peso do limbo diminui e volta à posição
anterior.
A SITUAÇÃO ATUAL DESSA
FORMAÇÃO VEGETAL NO BRASIL DO PONTO DE VISTA DA PRESERVAÇÃO
DE ESPÉCIES VEGETAIS E ANIMAIS
Um dos motivos para preservar o que restou da Mata Atlântica é
a rica biodiversidade, ou seja, a grande variedade de animais e plantas.
Calcula-se que nela existam dez mil espécies de plantas, sendo 76
palmeiras, 131 espécies de mamíferos, 214 espécies
de aves, 23 de marsupiais, 57 de roedores, 183 de anfíbios, 143
de répteis e 21 de primatas. Dentre estes animais estão vários
morcegos destacando-se uma espécie branca. Dos símios destacam-se
o muriqui, que é a maior e mais corpulenta forma de macaco tropical,
e o sauí-preto que é o mais raro dos símios brasileiros.
Habitam também a mata diferentes sagüis, os sauás, os
macacos-prego e o guariba que está se extinguindo. Dos canídios,
o cachorro-do-mato é um dos predadores mais comum juntamente com
o guaxinim, o coati, o jupurá, os furões, a irara, o cangambá,
e felinos, como gatos-do mato que se alimentam de animais como o tapiti,
diferentes ratos-do-mato, caxinguelês, cotias, outiço-cacheiro,
o raro ouriço-preto, etc.
caxinguelê
Ocorrem também na mata tamanduás-mirins, preguiças,
e tatus, com destaque a preguiça-de-coleira que hoje em dia está
tão escassa e já ameaçada de desaparecimento.
garça branca
Entre 1985 e 1990 foram cortadas na Mata Atlântica 1.200.000.000
árvores. Apesar disso, a Mata Atlântica conserva sua importância
em termos biológicos. O recorde mundial de diversidade de árvores
pertence a uma área no sul da Bahia onde os botânicos registraram
450 tipos de árvores num único hectare, sendo que a maior
parte deste imenso patrimônio era desconhecido. Ainda se tiram centenas
de ervas medicinais e aromáticas para serem comercializadas tanto
dentro do Brasil como com outros países.
O mico-leão dourado é uma das espécies mais ameaçadas
do mundo. Ele só é encontrado em uma pequena área
de Mata Atlântica no Rio de Janeiro. Para evitar sua extinsão,
é preciso garantir habitat suficiente para abrigar uma população
de 2000 animais até o ano 2025.
Devido a grande devastação dessa mata quase 200 espécies
estão ameaçadas de extinção fora aquelas que
já se extinguiram, metade das espécies vivas hoje poderá
estar extinta até o final do próximo século.
Hoje a maioria da área litorânea que era coberta pela Mata
Atlântica é ocupada por grandes cidades, pastos e agricultura.
Porém, ainda restam manchas da floresta na Serra do Mar. Aí
ainda é possível ver o jequitibá-rosa, o gigante da
floresta, as flores roxas das quaresmeiras e até alguns sobreviventes
do pau-brasil. Embaixo das árvores, há pequenas árvores,
arbustos e palmeiras, cobertos de bromélias e orquídeas.
Encontramos morcegos, marsupiais, como o gambá e a cuíca;
vários tipos de macacos; répteis como os lagartos, jabutis,
cágados e cobras; as lindas borboletas que ainda não foram
transformadas em quadros para turistas, e uma rica variedade de aves.
PREJUÍZOS E BENEFÍCIOS
DECORRENTES DA DESTRUIÇÃO OU PRESERVAÇÃO DESSA
FORMAÇÃO VEGETAL NO BRASIL SOB O PONTO DE VISTA ECOLÓGICO
E EVOLUTIVO
Atualmente, da segunda grande floresta brasileira restam apenas cerca de
5 % de sua extensão original. Em alguns lugares, como no Rio Grande
do Norte, nem vestígios e o resultado é o agravamento da
seca no nordeste. Sem a floresta, a umidade é insuficente para provocar
as chuvas. E os ventos que sopram do mar, não encontrando a barreira
da floresta, levam o sal natural para a região do agreste, prejudicando
sua vegetação. Mas, os ventos deslocam as dunas, que assoreiam
as lagoas existentes no litoral. Os grandes rios que cortam a área
original da Mata Atlântica, o Paraíba, o São Francisco,
Jequitinhonha, Doce e Paraíba do Sul, antigamente tinham águas
cristalinas ou tingidas de preto pelas folhas em decomposição
da floresta. Hoje suas águas são barrentas por causa dos
sedimentos arrastados pela erosão do solo desprotejido de vegetação,
ou tão poluídas que são um perigo para a saúde.
A Mata Atlântica é considerada atualmente um dos mais importantes
conjuntos de ecossistemas do planeta, e um dos mais ameaçados. As
pouquíssimas ilhas de floresta que restam não podem desaparecer.
A destruição da biodiversidade e o desmatamento elimina de
uma só vez grande contingente de espécies muitas vezes desconhecidas.
Além disso homogeiniza o ecossistema quando se implanta a monocultura.
A destruição do solo e a retirada da floresta rompe com o
sistema natural de ciclagem de nutriente. A remoção da cobertura
vegetal fará com que a superfície do solo seja mais aquecida.
Esse aquecimento aumentará as oxidações da matéria
orgânica que se transformará rapidamente em materiais inorgânicos,
solúveis ou facilmente solubilizados. O solos deixam também
de ser protegidos da erosão pelas chuvas. Estudos da Embrapa constatam
que, dos 3,5 milhões de hectares de pastagens que substituiram a
floresta, 500 mil se degradaram num intervalo de tempo de 12 anos, além
das queimadas e carvoeiros instalados.
aspecto da floresta após ação
antrópica
carvoeiros
No que tange as mudanças climáticas as florestas são
responsáveis por 56 % da umidade local. Sua destruição
elimina essa fonte injetora de vapor de água na atmosfera, responsável
pelas condições climáticas regionais. Ao mesmo tempo
diminui o poder de captura do CO2 atmosférico.
As monoculturas implantadas em área de mata são mais sensíveis
a pragas e doenças. O ecossistema sob estresse tem tolerância
menor ao ataque de parasitas e doenças; consequentemente tem sido
introduzidos nessas áreas grande quantidade de inseticidas e agrotóxicos
para atacar as pragas, o que destrói ainda mais a diversidade de
espécies e contamina os ecossistemas aquáticos.
Referências Bibliográficas:
FERRI, Mário Guimarães Ecologia: temas e problemas
brasileiros Editora Itatiaia São Paulo,Vol 3 , 1974.
RIZZINI, Carlos Toledo, Ecossistemas Brasileiros
Trabalho feito por:
Mauro Sérgio Martins
Alessandra Luzia da Róz
Gilmara de Oliveira Machado