INTRODUÇÃO
O que se pretende discutir é
a importância, a função, a necessidade da matemática
na nossa vida.
Como surgiram os números?
A matemática que conhecemos hoje, o cálculo, a álgebra,
de algum lugar, em alguma época surgiram.
Não se pode datar o exato
aparecimento da matemática, mas sabe-se que suas noções
básicas são a escrita pois, a linguagem de sinais é
bem mais fácil de ser concretizada do que a construção
de frases bem moduladas que expressem idéias.
O que demandou no homem a necessidade
de se expressar matematicamente? A necessidade prática ou a pura
abstração? Alguns estudiosos defendem que a matemática
teria surgido de necessidades práticas urgentes do homem, como a
demarcação de áreas, o levantamento de seu rebanho,
partindo para a valoração de objetos (dinheiro). Outros já
definiam que a matemática teria surgido do lazer de uma classe de
sacerdotes ou de rituais religiosos.
O fato é que a matemática
é presente em nosso dia a dia de tal forma que não podemos,
não devemos e, certamente, não queremos nos distanciar dela.
As funções mais
rotineiras de nossa vida têm sido realizadas por computadores: desde
uma conta, até o controle de nosso dinheiro no banco, nosso pagamento
de salário, e muitas outras atividades são controladas por
máquinas que são por sua vez, apoiadas na matemática.
Existe uma tendência cada
vez mais crescente da "matematização do mundo". Parece mesmo
ser de senso comum que todo e qualquer problema cotidiano possa ser equacionado.
Ou seja, será que tudo na nossa vida pode ser expresso como ax
+ by = c ou outra equação ou inequação
qualquer?
E, voltando ao assunto, de onde
vêm os a, b, c, x e y ? Quem os inventou e porque?
Os documentos históricos
encontrados pela arqueologia que fornecem um pouco de informação
a respeito das origens da matemática começam com os egípcios.
Costumava-se definir a matemática
como a ciência do número e grandeza. Isso já não
é válido pois certamente a matemática é muito
mais do que números e grandezas. Hoje a matemática que conhecemos
é intelectualmente sofisticada.
Mas desde os primeiros tempos
da raça humana, os conceitos de número, grandeza e forma
ocupam a mente e formam a base do raciocínio matemático.
Originalmente, a matemática preocupava-se com o mundo que nos é
perceptível aos olhos, como parte da vida cotidiana do homem. Pode-se
inclusive tentar relacionar a persistência da raça humana
no mundo com o desenvolvimento matemático, se assumirmos válido
o princípio da "sobrevivência do mais apto".
No princípio, as relações
de grandeza estavam relacionadas mais com contrastes do que com semelhanças
- a diferença entre um animal e outro, os diferentes tamanhos de
um peixe, a forma redonda da lua e a retilínea de um pinheiro.
Acredita-se que o conjunto dessas
informações imprecisas deve ter dado origem a pensamentos
de analogias, e aí começa a nascer a matemática.
A percepção das
duas mãos, das duas orelhas, narinas, propriedade abstrata que chamamos
número, foi um grande passo no caminho da matemática moderna.
A probabilidade de que isso tenha
surgido de um só indivíduo é pouca. É mais
provável que tenha surgido de um processo gradual e que pode datar
de 300.000 anos, tanto quanto o descobrimento do fogo.
O desenvolvimento gradual do conceito
de número pode ser rastreado em algumas línguas, o grego
inclusive, que conservaram na sua gramática uma distinção
entre um e dois e mais de dois.
Os antepassados só contavam
até dois. Qualquer quantidade maior que isso era dito como muitos.
Resquícios desse comportamento é visível em alguns
povos primitivos que ainda contam de dois em dois.
Finalmente surgiu a necessidade
de expressar os números através de sinais. Os dedos das mãos
e dos pés forneciam uma alternativa para indicar um número
até 20. Como complemento podia-se usar pedras. Começando
a noção de relação de conjuntos: aquilo que
se deseja contar, com aquilo que serve de unidade.
O sistema decimal que hoje utilizamos
é, segundo Arquimedes, apenas um incidente anatômico pois
baseia-se no número de dedos das mãos e pés.
Como pedras são efêmeras
para se registrar números, o homem pré-histórico utilizava,
às vezes, marcas ou riscos num bastão ou pedaço de
osso.
Peças arqueológicas
são uma importante fonte de informação sobre o desenvolvimento
das noções de números e indicam que essas idéias
são mais antigas que os processos tecnológicos como o uso
de metais ou de veículos com rodas.
Existem indicadores na língua
a respeito das idéias do homem sobre número, como no caso
do número onze e doze. Eleven significava originalmente um
a mais e twelve, dois a mais, ficando clara a adoção
do sistema decimal.
Mais tarde, gradativamente, foram
surgindo palavras que exprimiam idéias numéricas. Sinais
para números provavelmente precederam as palavras para números
(é mais fácil fazer incisões num bastão do
que estabelecer uma frase para identificar um número).
A tendência da linguagem
de se desenvolver do concreto para o abstrato pode ser percebida em muitas
das medidas de comprimento em uso atualmente: a altura de um cavalo é
medida em palmos e as palavras pé e ell (cotovelo)
também derivaram de partes do corpo.
Ainda não é possível
fazer afirmações a respeito da idade da matemática,
tanto aritmética quanto geométrica. Heródo e Aristóteles
apresentaram suas teorias. O primeiro sugerindo que a geometria se originou
no Egito, devido à necessidade pratica de se fazer medidas de terra
a cada inundação causada pela cheia do Nilo. Já Aristóteles
sugeriu que a geometria teria surgido de uma classe de sacerdotes do Egito,
como lazer.
O certo é que o homem neolítico
já possuía noções que deram inicio à
geometria, o que pode ser evidenciado pelas peças arqueológicas
descobertas com desenhos geométricos, com relações
de congruência e simetria.
De fato o que parece evidente
é que a matemática tenha surgido muito antes das primeiras
civilizações e é desnecessário e sujeito a
erros grotescos, tentarmos datar ou dar um motivo específico para
o surgimento de cada fase. A geometria pode ter se desenvolvido da necessidade
de demarcação de espaços, do gosto por formas precisas,
de rituais primitivos, ou seja, vários seriam os caminhos para levar
ao início dessa habilidade do homem.