GRÉCIA
Nos documentos históricos
sobre a matemática grega, como já descreveu Wallis, não
se encontram indicações da natureza do raciocínio
utilizado para se alcançar os resultados. Tudo é expresso
de forma limpa, direta, perfeita, o que não condiz, é claro,
com a realidade na solução de problemas. Segundo Wallis,
sobre Arquimedes: "é como se seu propósito fosse apagar os
rastros de suas investigações, como se ele tivesse negado
à posteridade o segredo de seus métodos de inquirir enquanto
desejava extorquir deles anuência para os seus resultados".
Considera-se que a matemática
grega começou com Tales (c. 585 a.C.) e com Pitágoras (c.550
a.C.). As informações sobre os matemáticos daquele
tempo até Platão (c. 347 a.C.) foram obtidas de testemunhos,
de depoimentos que não forneciam os métodos e as provas das
conquistas alcançadas.
Tales é considerado o primeiro
matemático, pois lhe são atribuídas descobertas matemáticas
específicas. Sabe-se que Tales viajou ao Egito e Babilônia
onde teria aprendido que um ângulo inscrito num semi-círculo
é reto. No entanto, atribui-se a ele a demonstração
desse teorema e de outros quatro da geometria. Por isso Tales foi considerado
o originador da organização dedutiva da geometria.
Credita-se aos gregos, com segurança,
a introdução da estrutura lógica à geometria,
mas não se sabe se devido à Tales ou a outros depois dele.
Outro personagem de destaque no
mundo grego é Pitágoras. Este não era só um
matemático, mas um filósofo, envolvido especialmente com
religião e até mesmo política. Contemporâneos
de Pitágoras são Buda, Confúcio e Lao-Tse, caracterizando,
portanto, esse tempo como de intensa atividade religiosa.
Pitágoras, de volta do
Egito e Babilônia (como Tales), fundou uma sociedade secreta que
tinha base matemática e filosófica. Não se costuma
falar em descobertas de Pitágoras, mas sim dos pitagóricos,
pois a sociedade por ele fundada, além de secreta tinha por norma
que o conhecimento era comunitário, não sendo atribuído
a um autor apenas.
Uma característica notável
na escola pitagórica era a confiança no estudo da matemática
e da filosofia como base moral para a conduta.
As palavras filosofia ("amor à
sabedoria") e matemática ("o que é aprendido"), supõe-se
terem sido criadas pelo próprio Pitágoras.
Os pitagóricos desempenharam
um importante papel na história da matemática porque mudaram
radicalmente a concepção egípcia e babilônia.
A matemática, para os pitagóricos era incluída na
definição de filosofia, os rituais a que eram submetidos
tinham muito de matemática. Para o egípcios e babilonios
a aritmética tinha muito mais a ver com situações
práticas e concretas.
Segundo Aristóteles, para
os pitagóricos o número significava matéria. Assim,
eles chamavam um ponto de um, uma reta de dois, uma superfície de
três e um sólido de quatro. A soma de pontos gerava retas,
a de retas, superfícies e a de superfícies, sólidos.
De maneira que com seus um, dois, três e quatro, poderiam construir
o universo! O número 10 era especial para os pitagóricos,
pela crença conhecida como tetractys (conjunto de quatro).
Pitágoras dizia que contar 1, 2, 3, até 4 era igual a 10,
um triângulo perfeito "nosso juramento": "ele que tem confiado a
tetractys à nossa alma, a fonte e a raiz da natureza eterna".
Realmente, os pitagóricos
revolucionaram o pensamento matemático, pela evidente característica
filosófica que lhe atribuíram.
No século III a.C. estabeleceu-se
a estrutura axiomática da matemática, com Euclides, que unificou
uma coleção completa de teoremas isolados num sistema simples
e dedutivo. Baseando-se em postulados iniciais, definições
e axiomas.
Assim começa a real abstração
matemática, discutindo-se a existência ou não do infinito,
os números infinitesimais, os paradoxos de Zenon, e as relações
do universo.