A eletroquímica permite-nos compreender
como as reações químicas podem ser usadas para gerar
eletricidade e como a eletricidade pode ser obtida através de reações
químicas. Também pode ser usada para estabelecer uma escala
de capacidade oxidante e redutora. A obtenção de energia
no futuro passa por encontrar maneiras efetivas de gerar eletricidade por
meio de reações químicas. Fontes de eletricidade portáteis,
eficientes, para computadores de bolso, automóveis elétricos
ou habitações espaciais são imprescindíveis
para o futuro. Hoje uma das contribuições mais familiares
da eletroquímica para o nosso dia a dia é a “bateria” usada
no toca-fitas portátil, no CD player ou no computador portátil
(laptop) (1).
Abordagem CTS (ciência,
tecnologia e sociedade) versus abordagem tradicional
CTS, significa o ensino do conteúdo de
ciência no contexto autêntico do seu meio tecnológico
e social. Os estudantes tendem a integrar a sua compreensão pessoal
do mundo natural (conteúdo da ciência) com o mundo construído
pelo homem (tecnologia) e o seu mundo social do dia-dia-dia (sociedade).
A diferença fundamental entre CTS e o ensino clássico, sendo
característico o ensino de CTS pela organização conceitual
centrada em temas sociais, pelo desenvolvimento de atitudes de julgamento,
por uma concepção de ciência voltada para o interesse
social, visando compreender as implicações sociais do conhecimento
cientifico. Por outro lado, o ensino clássico é caracterizado
pela organização curricular centrada no contudo especifico
de ciências, com uma concepção universal, que possui
valor por si mesma e não pelas suas aplicações sociais
(2).
A história da
pilha
Embora o homem conhecesse a eletricidade desde
a Grécia antiga, seu aproveitamento e o conhecimento de sua natureza
só começou a surgir a partir do fim do século XVIII.
Nessa época, a eletricidade era produzida por fricção
(eletricidade estática), não se conhecia ainda a corrente
elétrica, tal como chamamos hoje.
Alessandro
Volta (1745-1827) professor de Física, compreendeu que a eletricidade
não havia sido gerada pelo animal, mas pelos metais diferentes mergulhados
no mesmo meio líquido (o corpo animal contém líquido).
Em 1795, conseguiu obter eletricidade, mergulhando um pedaço de cobre
e um de zinco em uma solução de ácido sulfúrico,
construindo o primeiro gerador elétrico. Para aumentar o efeito
do seu gerador, Volta empilhou laminas de cobre e zinco, separadas por panos
úmidos em solução de ácido. Esse dispositivo
ficou conhecido como pilha de Volta ou simplesmente pilha (3,4).
Fig.1- (a)-gerador elétrico, (b)-pilha (3)
Devido às reações químicas
entre os metais e o líquido, o cobre fica com a carga positiva
e o zinco fica com carga negativa. De acordo com a antiga teoria do fluido
elétrico, havia excesso de fluido no cobre e falta de fluido no
zinco. Esse desequilíbrio foi chamado de tensão elétrica.
O cobre e o zinco foram chamados de pólo positivo e pólo
negativo da pilha.Unindo-se os metais por meio de um fio condutor, estabelece-se
uma corrente elétrica. Segundo a teoria do fluido elétrico,
o fluido escoa pelo fio, do pólo positivo para o pólo negativo
(3).
As células galvânicas
Essa bateria e um exemplo de uma célula
eletroquímica. Em geral, uma célula eletroquímica
é um dispositivo no qual corrente - um fluxo de elétrons através
de um circuito – é produzida por uma reação química
espontânea ou é usada para forçar a ocorrência
de uma reação não espontânea é usada
para gerar uma corrente elétrica. Tecnicamente uma “bateria” é
uma coleção de células unidas em série, de
forma que a voltagem produzida á a soma das voltagens de cada célula
unidas em série, de forma que a voltagem de cada célula (1).
Exemplos de células
galvânicas
Uma célula galvânica consiste de
dois eletrodos, ou condutores metálicos, que fazem contato elétrico
com o conteúdo da célula, e um eletrólito, um meio
condutor iônico, dentro da célula. O eletrólito é
tipicamente uma solução aquosa de um composto iônico,
embora as células mais avançadas façam uso de uma
variedade de materiais exóticos (fig.2).
Fig. 2- Em uma célula eletroquímica,
uma reação tem lugar em duas regiões separadas (1).
A oxidação ocorre em um dos eletrodos,
e os elétrons viajam através de um circuito externo ate
o outro eletrodo, onde eles provocam a redução. O local da
oxidação e chamado ânodo e o da redução
e chamado de cátodo (1).
A célula de Daniel (ou pilha de Daniell) é um exemplo
antigo de célula galvânica. Ela foi inventada pelo químico
britânico
John Daniell
em 1836, quando o crescimento da telegrafia criou uma necessidade urgente
por uma fonte de corrente elétrica confiável e estável.
Embora os elétrons não tivessem ainda sido descobertos. Daniell
teve a percepção de que poderia arranjar a reação
para realizar trabalho, fazendo a separação das semi-reações
de oxidação e de redução em sua célula.
A reação química é a mesma, mas os reagentes
estão separados por uma vasilha porosa. Para que os elétrons
passem dos átomos de zinco para os íons Cu 2+, eles devem passar
através de um circuito externo (o fio e a lâmpada); e à
medida que eles vão de um eletrodo ao outro, podem ser usados para
realizar trabalho acendendo a lâmpada.
Na célula de Daniel, as soluções
de sulfato de zinco e de sulfato de cobre (II) se encontram dentro da
barreira porosa para completar o circuito. Entretanto, quando íons
diferentes misturam-se, isto afeta a voltagem medida de tão variadas
maneiras, que são difíceis de medir. Para prevenir a mistura
das soluções, os químicos usam ponte salina para unir
os dois compartimentos de eletrodo e completam assim o circuito elétrico.
Uma ponte salina típica consiste de um gel contendo uma solução
salina aquosa concentrada em tubo em forma de ponte. A ponte permite o fluxo
de íons, e assim completa o circuito elétrico, mas são
íons que não afetam a reação da célula
(KCL) (1,2).
Concepções
Alternativas dos estudantes sobre eletroquímica
Concepções Alternativas dos estudantes
sobre eletroquímica na escola média ou de graduação:
Ogude e Bradley (4) apontam algumas áreas que apresentam dificuldades
nesse tópico, como a identificação de onde ocorre,
na célula eletroquímica, o processo de fluxo dos elétrons,
a condução no eletrólito, a neutralidade elétrica,
a terminologia e os aspectos relativos aos componentes do processo, como
ponte salina, cátodo, ânodo, etc. A confusão apresentada
pelos estudantes com a terminologia cátodo, ânodo, eletrodo
positivo, eletrodo negativo pode levar a uma interpretação
errônea dos eventos nos eletrodo. Os estudantes têm dificuldade
para relacionar a deposição e o desgaste do metal com os
elétrons recebidos e perdidos no processo, conseqüentemente,
assumem a idéia de cargas opostas para determinar o eletrodo positivo
e o negativo ânodo e cátodo nas células galvânicas
e eletrolíticas . O depósito do metal sobre o eletrodo aparece
sempre associado à idéia de íon positivo atraído
pelo eletrodo negativo, prevalecendo a idéia das cargas opostas.
Dessa noção de atração dos íons para
os eletrodos de cargas opostas surge o problema na interpretação
dos processos, como o movimento dos íons e fluxo dos elétrons
(2).
Caixa da Experimentoteca
do CDCC (pilha de Daniell)
O objetivo do uso da caixa do Experimentoteca
do CDCC (Centro de Divulgação Científica e Cultural)
é auxiliar o trabalho do professor ao ensinar conteúdos
relacionados com a eletroquímica . Podemos utilizar este material
para o ensino CTS (Ciência, Tecnologia e Sociedade) valorizando a
experimentação, aplicação e a motivação
para o ensino de Ciências. A caixa é muito organizada, com
materiais bem distribuídos de forma a facilitar o manuseio do professor.
Alguns pontos podem ser melhorados, principalmente no roteiro fornecido.
Neste roteiro não há preocupação com o descarte
das soluções utilizadas nas pilhas, isso deveria estar bem
claro no roteiro da prática, bem como precauções ao
utilizar certas soluções. Os materiais não são
encontrados com facilidade para serem utilizados em qualquer escola; o tempo
aproximado para completar o circuito deveria ser especificado no roteiro
para o professor poder organizar sua aula, antecipadamente, as referências
de consulta deveriam ser fornecidas (5).
Fig.3-Esquema da pilha de Daniell
(caixa da experimentoteca CDCC) (5)
Conclusões
Podemos concluir que a caixa da Experimentoteca
do CDCC de eletroquímica é instrumento muito interessante
para utilização nas escolas e no ensino CTS (Ciência.
Tecnologia e Sociedade). Também a partir deste conteúdo
(eletroquímica) podemos ensinar o caráter provisório
e incertezas das teorias científicas. Salientar o estudo da Tecnologia
como processo de produção social e a dependência da sociedade
com produtos tecnológicos gerados e assim levar os alunos a perceberem
o poder de influência como cidadãos.
Referências
1- Atkins, P.W. Jones, L.L. Principio de Química: questionando
a vida moderna e o meio ambiente, Ed. Bookman, 2001.
2-Velleca, R.; Alario, A. Investigando as concepções alternativas
dos estudantes sobre eletroquímica. V Encontro Nacional de pesquisa
em educação em ciências. www.fc.unesp.br (visita em
17/08/06).
3-Parada, A. A., Chiqueto, M. J., Física. Ed. Scipione, São
Paulo, 1985.
4-Santos, W.L.P.; Souza G. Química e Sociedade: Volume Único,
São Paulo, Nova Geração 2005.
5- Roteiro da Experimentoteca do CDCC – USP, eletroquímica.