Saúde e Raios X

Muito provavelmente você já utilizou os raios x ou, ao menos, já ouviu algo sobre eles. Pois é, os raios x são famosos.
Mas de onde vem essa fama? O que eles possuem de tão extraordinário para ser famosos? É isso que discutiremos.

Os raios x foram acidentalmente descoberto em 1895 por Wilhelm Konrad Roentgen (1845-1923),

físico alemão, enquanto estudava um fenômeno de luminescência, fenômeno este em grande estudo na época.
Roentgen usou a denominação raios x por não conhecer a natureza das radiações que havia descoberto.
Hoje, sabe-se que os raios x são uma radiação eletromagnética de energia dezenas de milhares de vezes
maior que a da luz visível.

Tudo bem, mas o que é radiação eletromagnética? Radiação eletromagnética é a energia transportada por um campo eletromagnético, que se propaga em forma de ondas eletromagnéticas. Os campos elétrico e magnético, ao se
propagarem no espaço, geram-se mutuamente e transportam energia sob a forma de radiação eletromagnética.
A luz visível também é radiação eletromagnética. A única diferença entre a luz e os raios x é que a luz tem uma faixa de freqüências específica que os nossos olhos conseguem perceber, através de células especializadas localizadas na retina,
o que nos possibilita vê-la. Os raios x têm uma faixa de freqüências muito maior, que fica fora do nosso limite de visão.
O calor, as ondas de rádio e as microondas (aquelas mesmas que você usa para aquecer os alimentos) também
são radiação eletromagnética.

Pois bem, voltando ao raios x, como será que eles são produzidos nos laboratórios e nos equipamentos de medicina especializados em raios x?

Eles podem se encontrados no sol, nas galáxias e em alguns planetas. Em laboratório: são produzidos por enormes
diferenças de potencial (também conhecida como voltagem ou tensão), da ordem de milhares de volts. Tudo começa
com um dispositivo semelhante a uma lâmpada incandescente: uma pequena corrente elétrica aquece um filamento de tungstênio, metal muito difícil de derreter. Este aquecimento libera elétrons do metal (efeito termoiônico). Pois bem, estes elétrons são acelerados, devido à diferença de potencial, contra uma placa de cobre, por exemplo. O filamento de
tungstênio é ligado ao terminal negativo de um potente transformador, enquanto que a placa de cobre é ligada ao terminal positivo. Quando o transformador é posto em funcionamento, a placa de cobre fica carregada positivamente e, como as
cargas de sinais contrários se atraem, sendo os elétrons cargas negativas, estes são deslocados em grande velocidade
(cerca da metade da velocidade da luz) ao encontro da placa de cobre. Ao se chocarem contra a placa são obrigados
a parar bruscamente, sofrendo uma tremenda desaceleração.Toda carga elétrica (no nosso caso, os elétrons) ao sofrerem aceleração ou desaceleração, geram energia eletromagnética. Ao se chocarem contra a placa de cobre, toda a sua energia
de movimento se converte em radiação (princípio da conservação da energia), que se manifesta em forma de raios x.

Viram que processo legal? Mas e agora, como é que conseguimos ver nossos ossos estampados numa chapa fotográfica?

Como foi dito no início do texto, os raios x tem grande freqüência. Quanto maior a freqüência de uma onda eletromagnética, menor será seu comprimento de onda. Além do mais, o comprimento de onda dos raios x possui, praticamente, o mesmo tamanho dos átomos, e nosso corpo é feito de átomos. Muito bem: sendo do mesmo tamanho eles conseguem penetrar e, devido à grande energia que possuem, conseguem penetrar fundo no tecido humano, tanto quanto o animal e o vegetal.
Os ossos são revelados pois possuem uma densidade (relação da massa do osso pelo volume que ele ocupa) muito maior
do que a densidade dos músculos. Assim, os raios x são totalmente, ou quase totalmente, bloqueados pelos ossos.
Depois de atravessar nossa carne, chegam à chapa fotográfica, iniciando uma reação química entre determinados compostos químicos fotossensíveis (sensíveis à luz). Estes compostos reagem entre si quando são banhados pelos raios x.
Na fase de revelação, as regiões que não foram banhadas pelos raios x apresentam-se claras e as partes que foram “iluminadas” pelos raios x apresentam-se escuras (ou transparentes). Assim são produzidas as chapas radiográficas, ou radiografias.

                              

Será só a medicina a única aplicação dos raios x? A resposta é não!

Como vimos, os raios x são importantes na astronomia. Também são importantes na química. Por volta de 1913,
Henry G. J. Moseley, descobriu que os raios x se manifestavam de formas diferentes quando incidiam em materiais de diferentes elementos químicos. Foi assim que ele não só pôs em ordem a tabela periódica dos elementos químicos,
que à época ainda não estava completa nem organizada, como também descobriu novos elementos.

Para finalizar discutiremos um pouco sobre radiação e doenças relacionadas à radiação.

A radiação pode ter baixa energia ou alta energia. Se tiver alta energia pode, ao penetrar nosso organismo, arrancar os elétrons das últimas camadas dos átomos que constituem nosso corpo. Este elétrons são os responsáveis pelas ligações químicas. Se estes elétrons são arrancados, o átomo se transforma num íon, ou seja, uma partícula com carga, capaz de
reagir com outros átomos ou moléculas. Quando se tratar de tal radiação, chamamo-la de radiação ionizante.
Vamos supor que tal radiação atingisse as moléculas de DNA de nossas células. Conforme o grau de exposição
à radiação (pouco tempo de exposição, tempo médio e tempo em excesso, com alta ou baixa intensidade), algumas
coisas poderiam acontecer: 1) a célula poderia simplesmente morrer (isto aconteceria com grande intensidade de
radiação e considerável tempo de exposição, princípio básico da radioterapia); 2) a célula poderia continuar viva
mas perderia sua capacidade funcional, sendo, após algum tempo, organicamente eliminada; 3) a radiação danificaria
a célula, mas esta seria reparada, consertada; ou o pior: 4) o núcleo da célula seria lesado, sem que a célula morresse
e nem perdesse sua capacidade de se reproduzir. Desta forma, a célula se reproduziria na sua forma modificada
(mutação genética), podendo-se diagnosticar, anos mais tarde, células malignas na região onde incidiu-se a radiação
ou em outra parte do corpo.

O tratamento com radioterapia segue o primeiro caso citado no último parágrafo. Detectado o câncer ou tumor, radiação intensa é ali aplicada, visando a morte das células cancerosas. Como se pode ver, a radiação pode ser tanto nociva quanto benéfica. Basta usá-la corretamente.

Mas não se preocupe. Somente uma exposição muito prolongada de radiação pode causar tal dano. Ademais, metade da radiação a que estamos expostos provém de fontes naturais, enquanto a outra metade é produzida por nós mesmos.

Alguns conselhos práticos: não fique com medo do médico quando ele lhe disser que você deve fazer radiografia e nem
assista à televisão muito de perto: os tubos geradores de imagem da televisão trabalham com alta voltagem e elétrons,
portanto o aparelho televisor também gera raios x.

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