Poluentes Atmosféricos
Qualquer
contaminação do
ar por meio de desperdícios gasosos, líquidos,
sólidos, ou por quaisquer
outros produtos que podem vir (direta ou indiretamente) a
ameaçar a saúde
humana, animal ou vegetal, ou atacar materiais, reduzir a visibilidade
ou
produzir odores indesejáveis pode ser considerada
poluição atmosférica.
Entre os poluentes do ar
oriundos de fontes naturais, o Radão (Rn) - gás
radioativo, é o único altamente
prejudicial à saúde humana.
O Radão é originado
pela degradação do Urânio
e quando se liberta torna-se perigoso para os organismos vivos. Um dos
perigos
comuns deste gás é a sua acumulação em
cavidades de casas situadas sobre
certos tipos de rochas que em reação com o Urânio
vêm a libertar o Radão,
é por isso que este está presente em quase 20% das casas
americanas em concentrações perigosas ao ponto de poder
causar cancro pulmonar.
Os países industrializados
são os maiores produtores de poluentes, enviando anualmente
bilhões de toneladas para a atmosfera. A tabela que se segue
mostra os principais poluentes do ar e os seus efeitos; o seu
nível de concentração no ar é dado pelo
número de microgramas de poluente por m3 de ar, ou,
no caso do gases, em termos de partes por milhão (ppm), o que
expressa o número de moléculas do poluente por um
milhão de moléculas constituintes do ar.
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Poluente
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Principal Fonte
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Comentários
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Monóxido de Carbono (CO)
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Escape dos veículos motorizados; alguns
processos industriais.
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Limite máximo suportado: 10 mg/m3
em 8 h (9 ppm); 40 mg/m3 numa 1 h (35 ppm)
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Dióxido de Enxofre (SO2)
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Centrais termoelétricas a
petróleo ou carvão; fábricas de ácido
sulfúrico
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Limite máximo suportado: 80 mg/m3
num ano (0,03 ppm); 365 mg/m3 em 24 h (0,14 ppm)
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Partículas em suspensão
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Escape dos veículos motorizados;
processos industriais; centrais termoelétricas;
reação dos gases poluentes na atmosfera
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Limite máximo suportado: 75 mg/m3
num ano; 260 mg/m3 em 24 h; compostas de carbono, nitratos,
sulfatos, e vários metais como o chumbo, cobre, ferro
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Chumbo (Pb)
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Escape dos veículos motorizados;
centrais termoelétricas; fábricas de baterias
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Limite máximo suportado: 1,5 mg/m3
em 3 meses; sendo a maioria do chumbo contida em partículas
suspensão.
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Óxidos de Azoto (NO, NO2)
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Escape dos veículos motorizados;
centrais termoelétricas; fábricas de fertilizantes, de
explosivos ou de ácido nítrico
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Limite máximo suportado: 100 mg/m3
num ano (0,05 ppm)- para o NO2; reage com Hidrocarbonos e
luz solar para formar oxidantes fotoquímicos
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Oxidantes fotoquímicos- Ozônio (O3)
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Formados na atmosfera devido a
reação de Óxidos de Azoto, Hidrocarbonos e luz
solar
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Limite máximo suportado: 235 mg/m3
numa hora (0,12 ppm)
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Etano, Etileno, Propano, Butano, Acetileno,
Pentano
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Escape dos veículos motorizados;
evaporação de solventes; processos industriais; lixos
sólidos; utilização de combustíveis
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Reagem com Óxidos de Azoto e com a luz
solar para formar oxidantes fotoquímicos
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Dióxido de Carbono (CO2)
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Todas as combustões
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São perigosos para a saúde
quando em concentrações superiores a 5000 ppm em 2-8 h;
os níveis atmosféricos aumentaram de cerca de 280 ppm,
há um século atrás, para 350 ppm atualmente, algo
que pode estar a contribuir para o Efeito de Estufa
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Muitos dos poluentes são
originados por fontes diretamente identificáveis como por
exemplo: o Dióxido
de Enxofre que tem como origem as centrais termoelétricas a
carvão ou petróleo.
Existem outros casos nos quais a origem é bem mais remota e os
poluentes
formam-se a partir da ação da luz solar sobre materiais
bastante reativos.
Para este caso temos o exemplo do Ozônio que é um poluente
muito perigoso
quando constituinte do chamado ''smog''. O Ozônio é
produto das interações
entre Hidrocarbonetos e Óxidos de Azoto quando sob a
influência da luz solar.
Mas mesmo sem conseguir identificar objetivamente a sua origem sabe-se
que
o Ozônio tem sido causa de grandes danos sobre campos de cultivo.
Por outro lado, as descobertas,
na década de 80, de poluentes,
tais como os Clorofluorcarbonetos, que estão causando perdas na
camada de Ozônio (onde este é mais do que benéfico)
que protege a Terra, vieram a despopularizar o uso de produtos contendo
CFCs
e é alvo de grandes campanhas na atualidade cujos resultados
bastante positivos estão à vista. Apesar de tudo
não se sabe se as ações tomadas de forma a
preservar a camada de Ozônio foram à tempo de evitar um
desastre.
Efeitos Meteorológicos e sobre a Vida

A poluição, quando concentrada, acaba
por se diluir ao
misturar-se com a atmosfera; o grau de diluição é
algo que depende, para além da própria natureza do
poluente, e de um grande
número de fatores (temperatura, velocidade do vento, movimento
dos sistemas
de alta e de baixas pressões e a sua interação com
a topografia local - montes,
vales). Apesar de na Troposfera (camada atmosférica mais
superficial) a temperatura ter tendência a diminui com a
altitude, o caso da
inversão
térmica contraria tal tendência. A inversão
térmica dá-se quando uma camada de ar quente se
sobrepõe a uma mais fria à superfície terrestre,
logo o ritmo em que a poluição se mistura com o ar
é retardado e a poluição acumula-se próximo
do chão. O fenômeno
da inversão térmica pode-se manter ativo enquanto esteja
sob o efeito de
altas pressões desde que os ventos tenham velocidades baixas.
Após períodos de
apenas 3 dias de um fraco ritmo de
mistura da poluição atmosférica a
acumulação de tais produtos no ar respirado pelos seres
vivos pode, em casos extremos, levá-los à morte. Uma
inversão sobre Donora no estado da Pensilvânia nos E.U.A.,
no ano de
1948, causou doenças respiratórias em 6000 pessoas e
levou à morte de 20.
Grandes acumulações de poluição sobre
Londres levaram à morte de 3500-4000
pessoas em 1952 e outras 700 em 1962. Foi devido à
libertação de Isocianato
Metílico no ar durante uma inversão térmica, que
se deu o acidente de Bhopal,
na Índia, em Dezembro de 1984, um grande desastre, que causou,
pelo menos,
3300 mortes e mais de 20000 doentes.
Os efeitos da
exposição a baixas concentrações de
poluição ainda não estão bem estudados;
contudo, os que mais risco correm são os mais novos e os mais
velhos, os
fumantes, os trabalhadores expostos a materiais tóxicos e
pessoas com problemas
cardíacos e respiratórios. Outros efeitos nocivos da
poluição atmosférica
são os potenciais danos na fauna e na flora.
Normalmente os primeiros
efeitos perceptíveis da
poluição são estéticos e podem não
ser, necessariamente, perigosos. Estes incluem a redução
da visibilidade devido a pequenas partículas em suspensão
no ar ou maus cheiros, como o cheiro
a ovos podres causado pelo ácido sulfídrico emanado por
fábricas de celuloses.
Fontes e Controle
A combustão do
carvão, petróleo e derivados
é culpada pela grande parte dos poluentes em suspensão no
ar: 80% do Dióxido de Enxofre, 50% do Dióxido de Azoto e
ainda de 30% a 40% das partículas emitidas para a atmosfera nos
E.U.A. são produzidos em centrais termoelétricas que
fazem uso de combustíveis fósseis, caldeiras industriais
e fornalhas domésticas. 80% do Monóxido de Carbono e 40%
dos
Óxidos de Azoto e Hidrocarbonetos são oriundos da
combustão da gasolina e
dos combustíveis diesel em carros e caminhões. Outras
grandes fontes de poluição
incluem siderurgias, incineradoras municipais, refinarias de
petróleo, fábricas
de cimento e fábricas de ácido nítrico e
sulfúrico.
Os poluentes potenciais
podem estar presentes entre
os materiais que tomam parte numa combustão ou
reação química (como o chumbo na gasolina), ou
podem ser produzidos como resultado da reação. O
Monóxido de Carbono, é, por exemplo, produto
típico dos motores de combustão interna. Os
métodos para controlar a poluição têm que
englobar assim a remoção do material nocivo antes da sua
utilização, a remoção do
poluente depois da sua formação, ou a
alteração do processo de forma a que
o poluente não se forme, ou que libertem baixíssimas
quantidades deste. Os poluentes oriundos dos automóveis podem
ser controlados
pela combustão da gasolina da forma mais eficiente
possível, pela reposição
em circulação de gases oriundos do tanque de
combustível, do carburador,
e do cárter, e pela transformação dos gases de
escape em substâncias inofensivas
por meio de catalisadores. As partículas emitidas pelas
industrias podem
ser encurraladas em ciclones, precipitações
eletrostáticas, e em filtros.
Os gases poluentes podem ser capturados em líquidos ou
sólidos ou incinerados
de forma a obter substâncias inofensivas.
Efeitos em
Larga Escala

As altas chaminés usadas
pela indústria não removem os poluentes, simplesmente
expelem-nos um pouco
mais alto para a atmosfera, logo reduzindo a sua
concentração no local, ao
nível do solo. Estes poluentes dissipados podem assim ser
transportados para
zonas longínquas e produzir efeitos adversos em áreas
distantes da zona de
emissão.
As emissões de
Dióxido de Enxofre e
Óxidos de Azoto nos E.U.A. centrais
e orientais estão causando chuvas ácidas no estado de
Nova Iorque, Nova Inglaterra e na parte oriental do Canadá. Os
níveis de pH de vários lagos de água fresca na
região foram alterados dramaticamente por esta chuva que
acabaram por
destruir cardumes inteiros de peixes. Efeitos idênticos foram
também observados
na Europa. As emissões de Óxido de Enxofre e subsequente
formação de ácido sulfúrico podem
também ser responsáveis por ataques em mármores e
pedras
de calcárias a longas distância da sua origem.
O aumento da combustão de carvão e petróleo desde
os finais dos anos 40 levou a uma crescente concentração
de Dióxido de Carbono na atmosfera. Se isto continuar, o aumento
resultante do Efeito Estufa permitiria à radiação
solar penetrar na atmosfera, mas
diminuiria as consequentes emissões de radiação
terrestre - os raios infravermelhos, deixando-os encurralados na
atmosfera poderia, provavelmente, levar ao aumento da temperatura
global do planeta que iria afetar o clima em nível global
e levaria ao degelo das calotas polares. Muito possivelmente um aumento
da
nebulosidade ou a absorção do Dióxido de Carbono
excessivo pelos oceanos
impediria um aumento do Efeito de Estufa até o ponto de derreter
as calotas
polares. Contudo, várias pesquisas levadas a cabo durante os
anos 80 comprovaram
que o Efeito de Estufa está realmente aumentando e que todos os
países deviam
imediatamente adotar medidas para lutar contra este aumento.