Movimento Circular.
Introdução – Dizemos que uma partícula
está em movimento circular quando sua trajetória é uma circunferência como, por
exemplo, a trajetória descrita por uma válvula do pneu de uma bicicleta em
movimento igual a da imagem. Se, além disso, o valor da velocidade permanecer
constante, o movimento é denominado circular uniforme. Então, neste
movimento, o vetor velocidade tem módulo constante, mas a direção deste vetor
varia continuamente.
A figura abaixo mostra a variação de
direção do vetor velocidade em alguns pontos.

O tempo que a
partícula gasta para efetuar uma volta completa é denominada período do
movimento e é representado por T. O espaço percorrido pela partícula, durante
um período, é o comprimento da circunferência que, vale 2pR ( R
é o raio da trajetória). Como o movimento é uniforme, o valor da velocidade
será dado por:
logo, v = 2pR/T
Freqüência do movimento
circular – suponha que observando a válvula mostrada na
imagem, verificássemos que ela efetua 30 voltas completas em um tempo igual a
10 segundos. A freqüência, F desse movimento é, por definição, o quociente
entre o número de voltas e o tempo gasto para efetua-las. Logo, a freqüência da
válvula será:

Observe que
esse resultado significa que a válvula efetuou 3.0 voltas em cada 1 seg. A
unidade de freqüência,1 volta/seg, é denominada 1 hertz, em homenagem ao cientista
alemão H.Hertz ( 1857 – 1894). Portanto, podemos destacar:

O conceito
de freqüência pode ser aplicada em outros tipos de movimentos, que não serão
discutidos aqui.
A
freqüência e o período de um movimento estão relacionados. Para relacionar F e
T, basta perceber que essas grandezas são inversamente proporcionais e, assim
podemos estabelecer a seguinte proporção:
No tempo T
(um período) é efetuada uma volta
Na unidade
de tempo serão efetuadas F voltas ( freqüência)
Ou,
esquematicamente

Portanto, a
freqüência é igual ao inverso do período e reciprocamente. Por exemplo: se o
período de um movimento circular é T = 0,5 s, sua freqüência será:
![]()
Velocidade Angular – Consideremos a válvula do pneu de bicicleta em movimento circular, passando pela posição P1 representada na figura abaixo. Após um intervalo de tempo Dt, a válvula estará passando pela posição P2. Neste intervalo de tempo Dt, o raio que acompanha a válvula em seu movimento descreve um ângulo Dq

A relação entre o ângulo descrito pela válvula e o intervalo de tempo gasto para descreve-lo é denominado velocidade angular da partícula.Representando a velocidade angular por w temos
w = Dq/Dt
A velocidade definida pela relação V = Dd/Dt, que já conhecemos, costuma ser denominada velocidade linear, para distingui-la da velocidade angular que acabamos de definir. Observe que as definições de V e w são semelhantes: a velocidade linear se refere à distância percorrida na unidade de tempo, enquanto a velocidade angular se refere ao ângulo descrito na unidade de tempo.
A velocidade angular nos fornece uma informação sobre a rapidez com que a válvula está girando. De fato, quanto maior for a velocidade angular de um corpo, maior será o ângulo que ele descreve por unidade de tempo,isto é , ele estará girando mais rapidamente.
Lembrando que os ângulos podem ser medidos em graus ou em radianos, concluímos que w poderá ser medida em grau/s ou em rad/s.
Uma maneira de calcular a velocidade angular é considerar a válvula ( ou uma partícula qualquer) efetuando uma volta completa. Neste caso, o ângulo descrito será Dq =2prad e o intervalo de tempo será um período, Istoé, Dt = T. Logo,
w = 2p/T
Relação entre V e w - Sabemos que, no movimento circular uniforme, a velocidade linear pode ser obtida pela relação
Como 2p/T é a velocidade angular, concluímos que
![]()
Esta equação nos permite calcular a velocidade linear V, quando conhecemos a velocidade angular w e o raio R da trajetória.
Observe que ela só é válida se os ângulos estiverem medidos em radianos.
Aceleração centrípeta – No
movimento circular uniforme, o módulo da velocidade da válvula permanece
constante e, então, a válvula não possui uma aceleração tangencial. Entretanto,
como a direção do vetor velocidade varia continuamente, a válvula (ou uma
partícula qualquer nas mesmas condições) possui uma aceleração centrípeta
Na figura abaixo
estão representados os vetores
e
em quatro posições
diferentes da válvula do pneu de bicicleta. Observe que o vetor
tem a direção do raio
e aponta sempre para o centro da circunferência.

Podemos deduzir, matematicamente, que o valor da aceleração centrípeta no movimento circular é dado por:

Observe que o valor de
é proporcional ao quadrado da velocidade e inversamente
proporcional ao raio da circunferência. Portanto, se um automóvel faz uma curva
“fechada” (R pequeno) com grande velocidade, ele terá uma grande aceleração
centrípeta. Estes fatos estão relacionados com a possibilidade de o automóvel
conseguir ou não fazer a curva.
Demonstração da Velocidade Angular ()Através das imagens filmadas
Objetivo - Demonstrar os cálculos da velocidade angular através de imagens em movimentos.
Mostrar, através de resolução de exercício, a aplicação da velocidade angular.
Introdução - A velocidade angular média ,w, é a razão entre a variação angular,Dq, e a variação de tempo, DT, que obedece a equação abaixo:
w = Dq/DT
Se, em um movimento circular, conseguimos medir o ângulo e o tempo, poderemos calcular a velocidade angular do movimento. Através deste cálculo poderemos resolver inúmeros problemas. Com o auxílio do programa de computador foi possível realizar os cálculos com bastante precisão.
Desenvolvimento: Através de programa de computador foram capturadas as imagens de uma roda de bicicleta que havia sido filmado anteriormente (imagens mostrada abaixo)

Foi tomado como referência a válvula e os raios da bicicleta.
O sentido que o movimento foi descrito é o sentido horário.
Entre as ferramentas que o programa oferece estão o marcador de posição e o transferidor virtual, que foram usados na apresentação.
A filmagem foi feita em uma proporção de 15 quadros por segundos. Então, quando mudamos a imagem a um quadro para a frente obtemos a variação de 1/5 de segundos, ou seja, 0,067 segundos em cada quadro.
As marcações foram feitas com o marcador virtual nos pontos, P, que variam desde p1 até p9, mudando os pontos de acordo com as mudanças quadro a quadro da imagem.
Com o auxílio do transferidor virtual, Foram medidos os graus em cada ponto, tendo como referência a horizontal.
A seguir será mostrado uma tabela contendo os pontos, P, a variação angular, o tempo, e a velocidade média em cada quadro.
| p1 | p2 | p3 | p4 | p5 | p6 | p7 | p8 | p9 | |
| Pos. Angular D | 180o | 157o | 135o | 113o | 90o | 65,88o | 45o | 22,8o | 0o |
| Dq em graus | - | 23o | 22o | 22o | 23o | 24,12o | 20,88o | 22,2o | 22,8o |
| Tempo s | - | 0,067 | 0,067 | 0,067 | 0,067 | 0,067 | 0,067 | 0,067 | 0,067 |
| vel.ang.media g/s | - | 343,28 | 328,36 | 328,36 | 343,28 | 360,00 | 311,64 | 331,34 | 340,30 |
| vel.ang.media rad/s | - | 1,907 | 1,82 | 1,82 | 1,907 | 2,0 | 1,731 | 1,84 | 1,89 |
Observe abaixo, um exercício relacionado a Velocidade Angular Média:
“Uma partícula descreve um movimento circular uniforme, com uma velocidade escalar V= 5m/s. Sendo R = 2m o raio da circunferência, determine a velocidade angular.”
Resolução _- sendo V = 5m / s a velocidade escalar e R = 2 m o raio da circunferência, a velocidade angular e será dado por
V = .R
De onde = V / R
= 5 / 2 = 2,5 rad/s = 450 g / s
Bibliografia consultada:
Ferraro, Nicolau Gilberto, 1940.
Aulas de física / Nicolau Gilberto Ferraro, Paulo Antônio de Toledo Soares, José Ivan Cardoso dos Santos. – São Paulo: Atual, 1984.
Páginas: 101, 102, 103.
Alvarenga Álvares, Beatriz.
Curso de física vol. 1
Beatriz Alvarenga Álvares, Antônio Máximo Ribeiro da Luz. – São Paulo: Harbra Ltda.
Páginas: 137 a 140.