Atividades desenvolvidas: Janeiro a Dezembro De 2003
RELATÓRIO Projeto FAPESP
Programa: Ensino Público
Coordenadora: Yvonne Primerano Mascarenhas
Considerações Gerais
Respostas às oito questões propostas
Voluntários e Colaboradores
Participação em eventos
Outros apoios ao Projeto
Conclusões
ANEXOS: RELATÓRIOS do grupo de pesquisa
1. Carta de agradecimento 2. Coordenação EESOR 3. Matemática 4. Física
5.Química 6.Biologia 7.Comunicação e expressão 8.Relatório bolsista AT

I. Considerações Gerais

As considerações gerais que fizemos no nosso relatório anterior relativas às condições de ensino no país continuam válidas apresentando problemas graves e de difícil solução em curto prazo. A mídia continua divulgando os maus resultados das avaliações de aproveitamento escolar assim como dados alarmantes relativos à criminalidade juvenil. Embora tais problemas tenham muitas causas, uma das mais relevantes deve ser decorrente das condições insatisfatórias do atual ensino existentes em nosso país. Em seu artigo publicado na Folha de São Paulo, 26 de nov. 2003, Zilda Arns com sua grande experiência na liderança da Pastoral da Criança afirma em seu artigo”Como prevenir a violência dos adolescentes” ...As escolas nas comunidades mais pobres deveriam ter dois turnos, para darem conta da educação integral das crianças e dos adolescentes; deveriam dispor de equipes multiprofissionais atualizadas e capacitadas a avaliar periodicamente os alunos... Na edição de 19 de novembro do mesmo jornal encontramos a manchete “Cristovam que turno integral em escolas até 2010”. Assim, o atual ministro da educação reconhece publicamente essa necessidade. Na mesma pagina surge, entretanto, imediatamente a opinião de especialistas, que elogiam a idéia, mas questionam viabilidade econômica... Tais especialistas deveriam reconhecer que a educação do povo brasileiro não é luxo mas, sim, fator de sobrevivência nacional e que os gastos do governo deveriam prioriza-la de forma decidida. Abundantes exemplos de outras nações que o fizeram deveriam convencer os mentores do planejamento e da economia de nosso país e levar os especialistas em educação a lutar inconformadamente por melhores e mais realistas soluções.

Apenas para reforçar o que já expressamos no nosso relatório, queremos mencionar que apenas uma boa formação científica e cultural dos nossos jovens poderá transforma-los em cidadãos não apenas críticos da realidade econômica, política e cultural do país mas também criativos capazes de encontrar novas formas de expressão e de tecnologias capazes de inserir nosso povo na Sociedade do Conhecimento resultante do inevitável Mundo Globalizado que já prevalece em muitas áreas.

Identificar e encontrar soluções para os problemas do ensino é missão urgente. A interação Universidade-Ensino Público e Privado é uma ação correspondente à já bem conhecida e procurada interação Universidade - Empresa que conta com programas especiais, tanto na FAPESP como nos outros órgãos de fomento, principalmente com a criação dos fundos setoriais administrados pelo MCT. Entretanto, a quantidade de recursos alocados para a busca da solução é, no segundo caso, ordens de grandeza superior à disponível para o primeiro, do qual depende, em grande parte, o sucesso daquele pois, sem a formação de recursos humanos adequados não será possível atingir o desenvolvimento tecnológico de nossas empresas de forma internacionalmente competitiva. Tais recursos humanos deverão ser formados adequadamente desde o ensino fundamental, médio e profissionalizante de forma a produzir bons alunos para, além de melhorar sua formação para ingresso no ensino superior e inserção no mercado de trabalho, contribuir também para aprimorar sua formação como cidadãos. Por todos esses motivos acreditamos que programas tais como o de Ensino Público da FAPESP deverão ser cada vez mais apoiados tanto em âmbito Estadual como Municipal e Federal.

II- Comentários e respostas às oito questões propostas para o coordenador do auxilio Aperfeiçoamento do Laboratório da EEPSG Sebastião de Oliveira Rocha (EESOR).

II.1 Quais os objetivos previstos no cronograma original e quais foram alcançados até o momento?

Os objetivos originais do projeto se mantiveram e o cronograma acompanha o calendário da UE. Entretanto alguns ajustes tiveram que ser feitos em decorrência da reforma do prédio da Escola, que executava os trabalhos paulatinamente em grupos de salas. Por essa razão a biblioteca, o laboratório e a sala de informática foram utilizados como depósito de materiais e ficaram interditados ao uso pelos alunos e professores. Além disso algum tempo foi necessário para adequa-los novamente ao uso.

II.2 Quais foram as mudanças e, eventualmente, os ajustes realizados nas etapas/objetivos propostos originalmente? Favor especificar e justificar cada um deles.

Podemos dizer que não realizamos mudanças quanto aos objetivos do projeto.

II.3 Quais foram as principais dificuldades encontradas na execução do projeto de pesquisa e as estratégias utilizadas para superá-las?

Quanto às dificuldades podemos citar o fato da UE ter entrado em reforma o que obrigou a direção a restringir o uso do Laboratório, das Salas de Informática e de Vídeo e da Biblioteca. Por razoes de segurança muito objetos de maior valor foram guardados nessas salas que assim não estavam disponíveis para o uso nas atividades didáticas programadas.

Outra dificuldade foi decorrente da rotatividade dos docentes que ocorre em virtude dos critérios para distribuição da carga didática dos docentes da Rede Pública. Isto levou a varias alterações da equipe e/ou sua ampliação.

Quanto à participação de docentes da USP, uma mudança importante foi a aposentadoria da Profa. Aguida Barreiro que exercia o papel de coordenadora pedagógica . Logo após a sua aposentadoria ela se ausentou em viagem ao exterior. Tendo retornado recentemente, se manifestou interessada em continuar colaborando no projeto de forma voluntária no próximo ano, tendo mesmo participado de nossa última reunião e se prepôs a colaborar na execução deste Relatório.

A estratégia utilizada para superar as dificuldades decorrentes das alterações na Equipe foi a de procurar novos colaboradores em caráter voluntário ou bolsistas que passaremos a nomear.

Márcia Regina Gomes Oliveira aluna de doutoramento do Departamento de Pedagogia da UFSCar elegeu como um dos objetivos de sua tese o acompanhamento e a análise deste Projeto. A fim de colher dados necessários à realização de sua tese se envolveu em várias atividades tais como discussão de seus objetivos e metodologia, visitas à escola, entrevistas com os membros da equipe do nosso Projeto e com muitos alunos da EESOR. Através desses contactos devo reconhecer que ela exerceu um papel crítico extremamente valioso para o desenvolvimento do projeto neste período.

Oficina de Redação - As atividades de contaram com o apoio dos seguintes alunos sob orientação de Prof. Marcos Lúcio Góis (USP) e da Profa. Gladis Maria de Barcellos Almeida (UFSCar).

Adriana Franco Petroni, com apoio do Programa Internacional de Estudos e Projetos para a América Latina (PIEPAL) Licenciada em Letras e aluna de mestrado do Departamento de Letras da UNESP de Araraquara (pagamento das suas despesas de viagem Araraquara- São Carlos)

Priscila Peripato, aluna do Departammento de Letras da UFSCar, bolsista de IC da FAPESP, orientada pela Profa. Gladis Maria de Barcellos Almeida do Departamento de Letras da UFSCar.

Marcelo Fila Pecenin, aluno do curso de Letras da UFSCar, como amigo da escola.

Cristiane Bachiega Yamamura, licenciada em Letras pela UNESP/Araraquara, como amiga da escola.

Física - Uma cooperação ao ensino de Física foi prestada pelo aluno Mateus Godoi Milanez do curso de bacharelado em Informática do ICMC/USP, que atuou como amigo da escola.

Química - Colaborou junto ao ensino de Química o aluno Celso Donizetti de Souza Filho do curso de bacharelado em Física da UFSCar, atualmente transferido para o IFSC/USP.

Inglês - Também como amiga da escola a aluna do curso de letras da UFSCar Sarah Mascarenhas Luporini colaborou nas atividades dirigidas pela Profa. Beverly Y. Mokross, que ministrou aulas suplementares de inglês, para alunos da terceira série, contribuindo dessa forma para a sua formação e melhorando sua possibilidade de sucesso no exame vestibular.

Matemática e Computação - Dois bolsistas se incorporaram ao projeto:

Leandro M. Dantas, aluno do curso de Engenharia Aeronáutica/EESC/USP, bolsista do programa Bolsa Trabalho patrocinada pelo COSEAS/USP que, sob orientação da Profa. Maria de Lurdes Lirani, se dedicou a recolocar os equipamentos de informática em condições operacionais após o fim de reforma da escola, e a aperfeiçoar o funcionamento da Sala de Informática tanto instalando softwares e orientando alunos e docentes no uso dos computadores como procurando estabelecer normas de boa utilização dos computadores.

Léland Vinícius de Oliveira, aluno do curso de licenciatura em ciências, IFSC e IQSC/USP, bolsista do programa de Técnicas Experimentais da Pró-reitoria de Pesquisa da USP, colabora no ensino de matemática por e-learning e na manutenção da sala de Informática em conjunto com o bolsista Leandro supra-citado. Estas atividades são conduzidas sob orientação das Profas. Yvonne P. Mascarenhas e Edna Maura Zuffi. E de Lurdes Lirani do CISC. Igualmente organizou cursos aos sábados para habilitar docentes no uso dos computadores e se encarregou de implantar softwares de interesse para utilização em várias disciplinas.

Temos também de relatar alterações decorrente da distribuição da carga didática de alguns professores da EESOR. O sistema de alocação da carga didática provoca uma considerável rotatividade dos docentes da Escola Pública. Este fator, a meu ver, dificulta o cumprimento de atividades planejadas em médio prazo. Assim, por exemplo, a nova professara de português alegou dificuldade em se associar ao projeto efetivamente devido à sua elevada carga didática. Ao que tudo indica, se ela permanecer nas mesmas turmas após a distribuição a ser feita pela Diretoria Regional de Ensino, ela deverá participar do projeto no próximo ano letivo. O mesmo aconteceu com um dos professores de física e, em menor grau com um novo professor de matemática. Tivemos também uma alteração completa em Biologia: A Profa. Rosana Aparecida G. Caromano foi substituída pela Profa. Zélia Isabel Cavallaro Alves que assumiu completamente as atribuições no projeto com muito interesse e dedicação. A entrada de novos professores no projeto acarreta a necessidade de um tempo para sua integração à filosofia do mesmo e familiarização com os docentes universitários que orientam o trabalho.

Abaixo apresentamos a atual composição da equipe do projeto.
 
II.4 Qual foi a participação efetiva de cada pessoa da equipe de pesquisa, arrolada no Projeto?
Nome Instituição Área de atuação
Maria de Lourdes Lirani CISC/USP Computação 
Prof. Dr. Dietrich Schiel IFSC e CDCC/USP Ensino de Física 
Profa. colaboradora
Iria Müller Guerrini
CDCC/USP Ensino de Física 
Profa. Neiva Godoy E.E.S.O.R. Ensino de Física
Profa. Dra. Agnieszka J. P. Maule IQSC/USP Ensino de Química 
Profa. Ana Paula Castilho Marques E.E.S.O.R. Ensino de Química 
Prof.a. Dra. Edna Maura Zuffi ICMC Educação Matemática 
Prof.a. Dra. Lourdes Onuchic ICMC (aposentada) Educação Matemática 
Prof.a. Isabel C.. B. Mariano E.E.S.O.R. Ensino de Matemática
Prof.a. Dra. Águida Barreiro IFSC/USP Pedagogia 
Marcos L. de Sousa Gois IFSC/USP Técnico Educador 
Profa. Dra. Nelma R. S. Bossolan IFSC/USP Ensino de Biologia 
Profa. Dra. Ana Paula U. Araújo IFSC/USP Ensino de Biologia 
Profa. M. de Fátima Marrara  E.E.S.O.R. Ensino de História e coord. classes
Profa. Elizabete A . Chiari E.E.S.O.R. Diretora da E.E.S.O.R.
Profa. Regina Elena N. Ogashawara E.E.S.O.R. Ensino de Português
Profa. Cristiane Bachiega Yamamura E.E.S.O.R Ensino de Português 
Zélia J.C.Alves E.E.S.O.R. Ensino de Biologia 
Profa. Márcia R. G. Oliveira UFSCar Doutoranda 
Profa. Beverly Yoing Mokross USP Ensino de Inglês
Profa. Gládis M. de Barcellos Almeida UFSCar Ensino de Português 
Profa. Dra. Yvonne P. Mascarenhas IFSC/USP Coordenadora 
Priscila Peripato UFSCar Ensino de Português
Marcelo Fila Pecenin UFSCar Ensino de Português 
Ronaldo de Rosa Moreno IFSC/USP Ensino de Biologia 
Mariângela F. Oliveira E.E.S.O.R Ensino de Português

Devido ao número relativamente grande de membros de nossa equipe, seria muito longo mencionar cada um. Este aspecto está bem apresentado nos relatórios individuais das professoras envolvidas. Podemos, entretanto, informar que todos os membros da USP e da UFSCar mantiveram com os parceiros da EESOR e os bolsistas contactos freqüentes para definir as atividades pedagógicas de suas respectivas disciplinas. A Profa. Maria de Fátima Marrara exerceu com muita responsabilidade sua função de coordenadora do projeto no âmbito da EESOR sendo o elemento de ligação entre a coordenação da USP e a escola, solucionando inúmeros problemas do dia a dia dos alunos e professores, acompanhando alunos por ocasião de visitas a outras instituições, agendando reuniões, aquisição de material didático (compra de livros, cópias xerox,etc).

II.5 Qual foi até o momento, o nível de envolvimento da EU (colaboração, cessão de espaços, disponibilidade de tempo) com a realização das atividades de pesquisa? Explique.

Podemos dizer que, dentro de suas possibilidades, a UE tem colaborado cedendo espaço para as atividades no período complementar.

Reunião no Anfiteatro ao ar livre da EESOR por ocasião da entrega de medalhas e menções honrosas aos alunos participantes da Olimpíada de Astronomia.

II.6 Quais foram as principais repercussões, na UE/sala de aula, das atividades de pesquisa realizadas até o momento?

A UE tem consciência do caráter de pesquisa educacional do projeto, o que se evidenciou ainda mais com a escolha da Doutoranda Márcia que decidiu, após visita a muitas UE's, eleger o nosso projeto como objeto de estudo de sua tese de doutoramento.

Por outro lado, sob um ponto de vista mais pragmático, a UE reconhece que o projeto tem beneficiado de um modo geral as atividades educacionais uma vez que viabiliza o aperfeiçoamento dor recursos disponíveis tanto sob o ponto de vista material, através da aquisição de equipamentos, como treina professores no uso de computadores e estende o treinamento a outros alunos interessados com agendamento de sessões na sala de informática. Estas atividades tornaram-se muito produtivas com a presença dos dois novos bolsistas dedicados a Matemática e Computação mantidos com recursos USP. Outro aspecto muito importante é o fato de que os docentes levam às outras classes muitos novos conhecimentos e metodologias adquiridos em contacto com os docentes universitários. Sem dúvida o aproveitamento dos alunos que não participam do projeto é menor, o que não invalida os benefícios resultantes do aprimoramento das condições de trabalho resultantes. Reconhece também que a participação de alunos em vários eventos contribui positivamente para a melhora da auto-estima dos estudantes. A coordenação do projeto tem procurado apoiar também a participação de times da EESOR em atividades esportivas com bons resultados.

II.7 Qual o cronograma da próxima etapa de pesquisa?

Os cronogramas das disciplinas estão apresentados nos relatórios das professoras da EESOR. De modo geral as mesmas constarão de reuniões mensais de trabalho entre o docente universitários, o docente do segundo grau e os bolsistas de cada disciplina. Reuniões mais gerais, envolvendo todos os membros da equipe terão lugar a cada bimestre para discussão do trabalho realizado e análise do desempenho dos alunos.

II.8 Há outras observações consideradas relevantes para a análise do projeto, por parte da FAPESP?

Alguns aspectos que foram relevantes para o desempenho do projeto são:

a) Não obstante a recusa da FAPESP em conceder a bolsa solicitada para a Profa. Iria Müller Guerrini consideramos sua participação muito importante e, para viabilizar sua participação, recursos do contrato Ford concedido ao IEA foram destinados à manutenção de sua participação. Assim além de contribuir para o desenvolvimento das atividades da disciplina de Física, ela se encarregou de organizar um site do projeto que pode ser acessado no endereço http://educar.sc.usp.br/esor/ . No site estão as principais realizações do projeto e muitas informações úteis. Acredito que a sua consulta pela assessoria da FAPESP para este contrato poderá complementar este relatório.

b) Foi renovada a bolsa de IC de Pricila Peripato o que permitiu a continuidade de sua participação no projeto.

c) Foram obtidas duas bolsas USP para um aluno de Engenharia Aernáutica e outro da Licenciatura em Ciências o que veio a viabilizar a Sala Ambiente de Informática e o ensino da Matemática. A participação destes dois bolsistas está tendo excelentes reflexos para outras atividades relacionadas ao uso dessa importante facilidade da UE.

d) Foi dado estímulo e apoio à participação de alunos das classes do projeto em eventos de interesse tais como Olimpíada de Física, de Química e de Astronomia com bom resultado relativo correspondendo a ultrapassarem a primeira fase. Foram também estimulados a fazerem o vestibular tendo-se até agora quatro aluno aprovados na primeira fase da FUVEST (Física Médica, Engenharia Ambiental e Matemática, e dois na UNICamp.

e) Alguns resultados deste projeto foram objeto de comunicação em eventos científicos:

1- Encontros com os professores da EE Sebastião de Oliveira Rocha/Palestras

Objetivos dos Encontros: Estes encontros têm como objetivo aproximar as pesquisas desenvolvidas nas Universidades da realidade escolar, e possibilitar um diálogo efetivo entre estas diferentes realidades.

Profa. Márcia R. G. de Oliveira - CECH/UFSCar Profa. Iria Müller Guerrini - CDCC/USP Profa. Edna Maura Zuffi - ICMC/USP

2- Participação em simpósios, congressos e outros

XI CIAEM - Conferência Interamericana de Educação Matemática, de 13-17 de julho de 2003, em Blumenau, SC. Trabalho apresentado na categoria de pôster, pela profa. Edna Maura Zuffi, professora doutora do ICMC-USP e pesquisadora em Educação Matemática:

Desenvolvimento e Avaliação de uma Pedagogia Universitária Participativa no Ensino Médio: Atividades com Ênfase em Matemática, Ciências e Comunicação.

Edna Maura Zuffi, Águida Celina Barreiro, Yvonne Primerano Mascarenhas

XI SIICUSP - Simpósio de Iniciação Científica da USP, de 04 de novembro de 2003, em São Paulo, SP. Trabalho apresentado na categoria de pôster, pela Profa. Nelma Regina Segnini Bossolan e bolsista Ronaldo de Sousa Moreno, professora doutora do IFSC-USP e pesquisadora em Educação e Biologia Molecular.

Desenvolvimento e Avaliação de um Módulo de Atividades Relacionadas à Biologia Molecular Direcionado para Alunos de Ensino Médio. (vide anexo 9)

- Feira de Arte e Conhecimento da EE Sebastião de Oliveira Rocha
 


- Realizada nos dias 20 e 21 de novembro de 2003, nas dependências da escola, foi apresentada à comunidade escolar, todo material experimental para o ensino de ciências, adquirido através do projeto. Na abertura da feira, houve entrega dos certificados aos alunos participantes das Olimpíadas de Física e Astronomia pela professora Yvonne Primerano Mascarenhas, coordenadora deste projeto. 



f) Outros apoios ao Projeto

PIEPAL/FORD Foundation - Recursos para pagamento de despesas de viagem da aluna de mestrado Adriana Franco Peripato para colaborar na área de Comunicação e da Profa. Iria Müller Guerrini para colaborar na área de Física. Foram ainda utilizados recursos da PIEPAL para produção de material didático como xerox de textos produzidos pela equipe, trechos de jornais, trechos de revistas ou livros, provas, etc.

Fundação de Apoio à Física e à Química (Campus de São Carlos da USP) - Na complementação das necessidades de compra de livros didáticos.

Pró-Reitoria de Cultura e Extensão da USP - Através de concessão de recursos para realização de duas excursões culturais: Fazenda Pinhal, tombada pelo patrimônio histórico por ter dado origem à fundação de São Carlos, e visita ao Planetário em Brotas que foi realizada no dia cinco de dezembro 2002 e outra à Estação Ciência e Museu do Ipiranga realizada em outubro de 2003.

COSEAS/USP - Concessão de uma bolsa trabalho ao aluno Leandro Dantas de Santana, para aprimorar ao Sala Ambiente de Informática (SAI).

Pró-Reitoria de Pesquisa/ da USP - Concedendo uma bolsa de treinamento técnico ao aluno Leland Vinícius de Oliveira para colaborar no bom funcionamento da SAI e no ensino de Matemático com auxilio de programas computacionais.

g) Finalmente foi unânime a observação de que em geral, mesmo nos anos anteriores, a adaptação dos alunos ao método e ao ritmo de atividades era mais difícil para os alunos da primeira série. Entretanto, este ano notou-se ainda mais grave o problema e o mesmo foi atribuído ao processo vigente de progressão continuada que leva os alunos a não adquirirem tanto os conhecimentos básicos esperados como os hábitos de estudo e de compromisso com a sua atividade como estudantes.

IV. Conclusões

Relativamente ao andamento do projeto podemos afirmar que o mesmo tem se desenvolvido de forma satisfatória, contando com a participação e o entusiasmo de todos os membros da equipe, da diretoria da EESOR e das diversas unidades do Campus da USP de São Carlos. Quanto aos alunos, acreditamos que sua participação no projeto tem sido tanto motivo de desenvolvimento de atitude de interesse pela aprendizagem como maior auto-estima. A participação em competições científicas e esportivas, no ENEM e no vestibular dão uma evidência de sua atitude positiva diante da vida acreditando que também tem condições para competir e aspirar a um melhor padrão de vida. Acreditamos ainda que o aperfeiçoamento da Biblioteca, do Laboratório e da SAI beneficiarão os demais alunos da EESOR através de seu uso em atividades de ensino sob orientação de outros docentes que tem participado de treinamento patrocinado pelo Projeto através dos dois bolsistas USP já mencionados.

Prova Objetiva - ENEM

Número total de alunos: 26
 
Nota Escola Pública 3º Ano da EESOR
< 40 35,7% 7,69%
40-70 50,0% 46,15%
70-100 14,9% 42,3%

Redação - ENEM

Número total de alunos: 22
 
Nota Escola Pública e Privada 3º Ano da EESOR
< 40 13,6% 0,0%
40-70 72,7% 77,27%
70-100 13,7% 22,73%

ENEM

Médias das Notas
 
Escola Privada Escola Pública 3º Ano da EESOR
Prova Objetiva 64,44 44,79 63,84
Redação 64,21 52,77 64,56

Data: 22 de dezembro de 2003

Nome: Professora Dra. Yvonne Primerano Mascarenhas




Anexo 1: Carta de agradecimento da aluna Michele Castilho - 3º Ano do Ensino Médio (participante do Projeto



Anexo 2 : Relatório da Coordenação

Bolsista Maria de Fátima Marrara

Como coordenadora das atividades do projeto no âmbito da U.E. participamos, junto com a coordenadora do Projeto, na organização de atividades curriculares e extracurriculares, tendo oportunidade de executar as seguintes tarefas: A pontuação obtida pelos alunos do projeto no ENEM, foi muito boa (alta), sendo a maior 78,00 e a menor, 50,00. Os alunos se saíram bem em Redação, o que demonstra bem o preparo para qualquer atividade futura, seja como universitário ou no mercado de trabalho.

Em relação à segunda turma formada em 2003 ainda não analisamos os resultados do ENEM. Entretanto, quanto aos exames vestibulares foram aprovados 4 alunos na primeira fase da FUVEST e 2 alunos na UNICAMP, o que já é, em si, um bom resultado.

Para dar continuidade ao trabalho de pesquisa iniciado pela Professora Dra Águida Barreiro, e para acompanharmos o desenvolvimento do projeto, decidimos aplicar o mesmo questionário (aos alunos e pais) da 1ª. Série A, do Ensino Médio, cujos alunos entraram este ano no projeto. Essa sala de aula do projeto tem 40 alunos, mas apenas 27 questionários, referentes aos pais foram respondidos. Dos 27 alunos que devolveram o questionário respondido pelos pais, 20 são de sexo feminino e 7 do sexo masculino.

A renda familiar predominante é de 3 a 5 salários mínimos( 12 famílias, isto é 44,4%), seguido de 6 famílias com renda familiar de 1 a 3 salários mínimos ( 6 famílias, 22,2%), 4 famílias com renda até 1salário mínimo(4 famílias 14,8%), 4 famílias possuem renda familiar de 4 a 10 salários mínimos( 4 famílias,14,8%) e apenas 1 família com renda acima de 10 salários mínimos ( 1 famíla, 3,7%).

Quanto à escolaridade dos pais, destacou-se que entre as mães, 5 possuem grau superior de ensino(18,5%), 9 com 2º grau completo(33,3%), 7 com 1ºgrau completo(26%) e 6 com o1º.Incompleto( 22,2%)..

A escolaridade do pai corresponde a 5 com grau superior(18,5%), 6 com 2º. Grau completo (22,2%), 1 com 2º. Grau incompleto (3,7%), 7 com 1º. Grau incompleto (26%) e 8 com 1º. Grau incompleto (29,6%)..

Os questionários foram respondidos na sua maioria pelas mães, 25 o que corresponde a 93%, apenas um questionário foi respondido pelo pai e apenas um foi respondido pelo pai e pela mãe conjuntamente. Podemos concluir que as mães acompanham mais de perto a vida escolar dos alunos, sendo elas também mais presentes nas reuniões de pais realizadas bimestralmente para entrega de notas. Apesar disso quase a metade destas mães possuem até o 1º. Grau completo o que poderia ser um fator que dificulta o acompanhamento dos estudos dos filhos no ensino médio.

Quando questionados sobre o motivo que os levou a colocar os filhos no projeto, os pais destacam a preocupação em preparar o filho para “entrar em uma Universidade” , “melhores condições de ensino e aprendizagem”, “melhoria da Escola Pública”, “para que possa ter um bom emprego no futuro”e “vontade de estudar”.

Os pais demonstram ainda um alto índice de sugestão de participação em atividades complementares, extracurriculares, que podem ser as viagens ou outras atividades fora da Escola. O acesso aos livros e materiais didáticos também foi muito valorizado pelos pais.

Quanto ao questionário respondido pelos alunos do projeto temos algumas questões interessantes: todos os alunos têm acesso a computador, sendo a maioria em casa (60%), só na escola (5%), na casa de amigos(5%) e em outros lugares (30%).

A participação no projeto é espontânea para todos os alunos. Todos eles pretendem fazer curso superior.Os argumentos mais relatados foram: poder se esforçar mais, ter oportunidade de conhecimento, passar no vestibular, adquirir mais conhecimento, melhorar o futuro, melhorar o ensino na Escola Pública, tornar a Escola mais atraente.

Como pontos positivos foram citados: o acesso aos livros didáticos e textos das matérias do curso e a possibilidade de participar de atividades complementares extracurriculares. O interesse de permanecer na escola no período da tarde fica divido em: 40% interesse alto, 55% interesse médio e apenas 5% tem interesse baixo.

Quanto ao resultado do Simulado aplicado na Escola para os alunos do 3*A e do 3*B: foi feito convite para esses alunos e notamos que os alunos do 3A (projeto) compareceram todos,demonstrando motivação, interesse e compromisso, e do 3B compareceram só 20 alunos (50%) da sala.

Em todas as disciplinas observou-se um melhor desempenho dos alunos do 3A. O intervalo de questões certas para o 3B foi de 06 á 20 questões/aluno e para o 3A de 16 á 32. Isto demonstra um melhor preparo dos alunos para enfrentar estes tipos de questões exigidas em exames vestibulares ou em outros exames ou concursos.

Na sala do 3A, com exceção de Inglês e História, nenhum aluno zerou qualquer uma das disciplinas; o que já não ocorreu em todas as disciplinas avaliadas no 3B. Como consta: Biologia/03 alunos zeraram a prova, História/07 ,Matemática/01, Química/04, Geografia/03, Inglês/06, Física/04, Português/01.

O interesse demonstrado pelos alunos do 3A(projeto) durante esses 03 anos resultou em um bom desempenho no Simulado.

As aulas do período da tarde, que aumentam a carga horária da grade curricular foram fundamentais e suficientes para abranger todo o conteúdo exigido nas diferentes disciplinas. O que não ocorre numa sala regular como o 3B. Estas aulas do período da tarde têm caráter de complementação do conteúdo programático, enfocando diferentes estratégias de ensino-aprendizagem.

Professora Maria de Fátima Marrara

Dezembro/2003



Anexo 3 - Relatório Matemática

Bolsista: Profa. Isabel Cristina Bussacarini Mariano

Embora o financiamento do referido projeto tenha se iniciado em Janeiro/2002, eu já havia executado uma proposta piloto em salas de aulas da 1ª e 2ª séries do Ensino Médio em 2000/2001.

O material já editado totaliza mais de 300 páginas e inclui os seguintes ítens: Revisão de Conjuntos numéricos (N, Z, Q, R) e suas operações, através de situações-problemas; Teoria de Conjuntos (subconjuntos, união, intersecção, conjunto complementar, diferença e propriedades); Intervalos da reta real (operações com intervalos); Relações e funções (introdução através de situações-problemas); Funções (definição geral, valores da função, domínio, imagem, produto cartesiano e gráficos); Estudo detalhado da função de 1o grau; Sistemas de equações e inequações do 1o grau / inequações produto; Problemas envolvendo funções de 1o grau; Estudo detalhado das Funções de 2o grau (gráfico, concavidade, crescimento e decrescimento, vértice da parábola); Inequações do 2o grau / Sistemas de Inequações envolvendo a função do 2o grau/ Inequações produto e quociente; Revisão de potenciação através de situações-problemas; Gráfico de função exponencial; Equações e inequações exponenciais; Situações-problemas envolvendo potenciação e a função exponencial; Função logarítmica; Gráfico da função logarítmica; Propriedades dos logaritmos (demonstração e exercícios aplicados); Função Logaritmo Neperiano (uso de calculadora científica); Valor absoluto - revisão; Equações modulares; Função Modular; Gráficos de função modular. Progressões Aritméticas e Geométricas (relação entre a função afim e uma P.A. e entre a função exponencial e uma P.G.); Análise Combinatória (arranjo, combinação e permutação- generalizações e fórmulas, relação de Stifel, binômio de Newton); Probabilibade; Geometria Analítica (problemas introdutórios, coordenadas de pontos, retas, distância de ponto a reta, circunferência); Noções sobre polinômios e equações polinomiais (função polinomial; adição, subtração, multiplicação e divisão de polinômios; divisão por binômios do tipo x-a); Noções de Estatística; Números Complexos; Noções de Matemática Financeira. Os alunos da 1a série, assim como nos outros anos, mostram certa resistência à Resolução de Problemas. Porém, neste ano, essa turma era mais lenta e preferia usar sempre o raciocínio dedutivo e menos a linguagem formal, o que lhes causava certa demora para chegarem às resoluções corretas.

Algumas vezes interpretavam corretamente os enunciados dos problemas e chegavam a montar as equações relativas aos mesmos, mas cometiam muitos erros nos cálculos, o que confirma a defasagem aritmética que já constatamos nos outros primeiros anos, porém, com mais intensidade nesta turma. Por exemplo, num problema envolvendo número de vendas (V) e o lucro (L) de uma empresa, os alunos chegavam à expressão , porém não conseguiam isolar o lucro em função das vendas, na forma .

Em discussão com a docente orientadora, chegamos à conclusão que pode haver, nestes casos, dificuldades dos alunos quanto ao uso de “letras” (incógnitas) diferentes de 'x' e 'y', ou com relação ao cálculo com números fracionários.

Embora tenhamos trabalhado questões de juros e descontos, ainda houve erros da maioria dos alunos num teste de vestibular muito simples, que envolvia os conceitos de função e de juros.

Ainda quanto a funções, a maior dificuldade dos alunos é com o cálculo de imagens de valores específicos. Geralmente eles trabalham bem, neste tipo de cálculo com números inteiros, mas têm grandes dificuldades com números nas formas decimal e fracionária e com irracionais.

Soubemos que outras pesquisas em Educação Matemática também revelaram tais dificuldades e isto parece mostrar o quanto a escola básica não estimula os alunos a trabalharem com estes números mais “complicados” para eles, apresentando - os professores e os livros didáticos - problemas que envolvem sempre números inteiros e fáceis de calcular.

Já a turma do 2o ano apresentou dificuldades mais elaboradas, relativas ao acúmulo de informações que se tem normalmente em Matemática, como na aplicação de propriedades de logaritmos e identidades trigonométricas, que requeriam mais memória de resultados anteriores. Assim, vemos que as turmas da 2a e 3a séries apresentam uma postura mais amadurecida no enfrentamento dos problemas e também menores dificuldades com relação à aritmética básica, as quais cremos ter superado em boa parte, com as atividades do 1a série.

· Participei das reuniões periódicas com a equipe orientadora da USP, tendo assistido também a três palestras sobre: "A utilização de novas tecnologias no processo de Ensino”, ministrada pela Profª Drª Edna Maura Zuffi, “Interdisciplinaridade - Conceito e Prática”, pela Profa. Iria Muller Guerrini, “Formação de professores - Desenvolvimento Pessoal e Profissional”, pela Profa. Márcia R. G. de Oliveira - CECH/UFSCar.

2) Mudanças e ajustes realizados nas atividades de pesquisa:

Como já mencionado no relatório anterior, algumas restrições relacionadas ao contexto escolar em que o projeto foi implantado, levaram à necessidade de uma adaptação da metodologia de ensino prevista originalmente: "O Ensino Através da Resolução de Problemas", o que conduziu-nos à necessidade de restringir o tempo dedicado à exploração de cada conteúdo, pois a quantidade de conteúdos exigidos nos exames Vestibulares é grande. Desse modo, a metodologia de ensino através de situações-problemas não pôde ser proposta em todas as aulas, mas foi priorizada nas aulas introdutórias a cada um dos temas principais. Em vários momentos, foi necessária uma combinação com o método de aulas expositivas e de exercícios, já tradicionais em Matemática. Isto também se mostrou adequado para que os alunos pudessem acompanhar as atividades propostas com maior naturalidade, visto que eles apresentaram muitas dificuldades e até uma rejeição inicial à proposta de Resolução de Problemas.

A resolução de problemas em grupos, em geral, tem motivado os alunos a participarem, a buscarem novas formas de resolver, mas quando esta participação é necessária individualmente, nem todos os alunos se mostram plenamente engajados.

Mesmo com estas restrições, no ambiente geral da sala de aula, a implantação da metodologia de Ensino através da Resolução de Problemas, ainda que não em todos os tópicos abordados, tem provocado uma postura positiva por parte da maioria dos alunos, diante dos estudos e na busca da aprendizagem. E a combinação ocorrida neste ano, com as aulas na sala de informática, trouxeram um maior envolvimento dos estudantes.

3) Participação efetiva da equipe da universidade, arrolada no Projeto:

Nas reuniões gerais, todos os professores bolsistas e coordenadores de área têm tido uma boa participação nas discussões que envolvem os aspectos comuns ao Projeto e às questões técnicas relativas à escola envolvida.

4) Colaboração da unidade escolar para a execução satisfatória do Projeto:

De maneira geral, a escola tem colaborado bem na cessão de espaços, recursos e recrutamento de alunos, no que diz respeito ao atendimento de atividades extra-classe programadas.

Na execução das aulas na sala de informática, não houve nenhum problema com relação à direção, havendo, inclusive, um grande incentivo para isso.

5) Principais contribuições das atividades de pesquisa para a unidade escolar:

A proposta de uma metodologia e de um material didático diferenciados para as salas de aula envolvidas no Projeto tem mostrado que os alunos, apesar de todas as dificuldades, têm apresentado maior participação, um maior índice de aprendizagem efetiva quanto aos conceitos e mesmo quanto à quantidade de assuntos trabalhados, embora nem todas as suas notas finais reflitam isso. Isto ocorre devido a uma diferenciação bastante grande nas formas de avaliação, em relação às outras salas, pois as do Projeto, no que diz respeito à Matemática, têm sido avaliadas com bastante rigor e em atividades continuadas, mas também por meio de provas escritas que promovam a oportunidade de os alunos mostrarem realmente se têm sido capazes de se dedicarem à resolução crítica de problemas, após ter sido introduzida esta metodologia.

Os quadros abaixo mostram o desempenho, em Matemática, dos alunos participantes em relação a uma outra sala, em 2003:
 
(*) ainda não foram compiladas as notas finais, mas a turma não teve nenhum desistente.
Ano 2003 - 1o A (projeto) e 1o B (outro professor)
Bimestre 1o 2o 3o 4o
Séries 1o A 1o B 1o A 1o B 1o A 1o B 1o A 1o B
A - 3 1 2 4 3
B 3 7 5 8 7 9
C 23 15 22 14 19 14
D 14 11 11 9 10 5
E - - 1 - - -
Total de alunos 40 36 40 33 40 31 40*
Ano 2003 - 2o A (projeto) e 2o
Bimestre 1o 2o 3o 4o
Séries 2o A 2o D 2o A 2o D 2o A 2o D 2o A 2o D
A 2 - 2 1 2 1
B 4 4 7 5 13 4
C 24 16 22 15 23 14
D 10 17 9 12 2 12
E - 4 - 6 - 3
Total de alunos 40 41 40 39 40 34 40
Ano 2003 - 3o A (projeto) e 3o
Bimestre 1o 2o 3o 4o
Séries 3o A 3o B 3o A 3o B 3o A 3o B 3o A 3o B
A 4 - 3 1 5 8
B 4 3 5 2 11 17
C 11 15 16 13 17 7
D 15 19 10 19 - 1
E - - - - - -
Total de alunos 34 37 34 35 33 33

Pode-se observar que as notas nominais da 1a série A são equivalentes às da 1aB. Entretanto, esta comparação é imperfeita, uma vez que as atividades e os critérios de avaliação são totalmente diferentes, nestas salas. Ainda assim, vê-se que o número de alunos da 1a sala permaneceu sempre o mesmo, enquanto na outra houve várias evasões.

Nas 2a e 3a séries A (do projeto) podemos ver uma diferenciação maior em relação às mesmas séries comparadas que não participam. Os alunos das turmas A são bem mais participativos e, nominalmente inclusive, mostram melhor desempenho.

Neste ano, a título de obtermos uma melhor comparação, aplicamos provas idênticas às 2a A e 2a D e um mesmo simulado a alunos da 3a A e da 3a B, como mostram as tabelas abaixo:
 
Prova Comparativa
Séries 2o A 2o D
A 2 - 5% -
B 7 - 17,5% 1- 3,3%
C 18 - 45% 6 - 20%
D 11 - 27,5% 10- 33,4%
E 2 - 5% 13 - 43,3%
Total de alunos 40 30
Simulado - de 0 a 10 acertos
Acertos 3o A 3o B
0-2 1 14
3-4 11 5
5-6 19 1
7-8 2 -
9-10 - -
Total de alunos 33 20

Aplicando-se o mesmo tipo de avaliação, vê-se que o desempenho das salas do projeto é bastante superior ao desempenho geral das outras salas comparadas, e estas últimas costumam ser avaliadas como “normais”, na escola.

6) Cronograma da próxima etapa:

Observações gerais:

Gostaria de destacar que o Projeto tem me proporcionado um crescimento, com relação à metodologia utilizada, a “Resolução de Problemas”, embora não seja fácil promover as mudanças no modo de ensinar, com enriquecimento dos conteúdos. É mais estimulante trabalhar dessa forma: os alunos têm mais responsabilidade e desenvolvem habilidades que não tinham no início. Eles se sentem vitoriosos de conseguirem resolver os problemas. O clima e o comportamento na aula mudaram. Houve uma aluna que deixou a sala do projeto para se transferir a outra, mas retornou rapidamente e mostrou uma melhora grande no desempenho. Por outro lado se tornaram mais questionadores. Desse modo, vejo que o Projeto me propicia uma formação continuada que realmente traz um retorno, diferentemente de outros cursos esporádicos que fazia, aproximando-me da Universidade e incentivando-me a aprender mais.




Anexo 4: Relatório Física

Bolsista: Neiva Godoi

1 - ATIVIDADES DESENVOLVIDAS NESTE SEGUNDO ANO:

1.1 - Conteúdos abordados:

Neste segundo ano os conteúdos abordados foram:

1º ANO DO ENSINO MÉDIO:

· Conceitos básicos de cinemática;

· Velocidade escalar média;

· Movimento uniforme;

· Gráficos do movimento uniforme e uniformemente variado;

· Aceleração escalar média;

· Movimento uniformemente variado;

· Vetores;

· Leis de Newton; e suas aplicações.

2º ANO DO ENSINO MÉDIO:

· Quantidade de movimento;

· Choque elástico e inelástico;

· Hidrostática;

· Transformações Termométricas;

· Conceito de óptica geométrica;

· Propagação Retilínea da Luz;

· Espelhos Planos;

· Espelhos Esféricos;

· Refração da Luz;

· Lentes.

1.2- Planejamento de aulas teóricas e experimentais:

As aulas teóricas e experimentais foram desenvolvidas ao logo do ano, conforme o planejamento inicial proposto pelo projeto.

No primeiro ano do ensino médio, foram realizados os experimentos utilizando o puck de ar para simulação dos movimentos, tivemos algumas aulas onde os alunos puderam utilizar a sala de informática no primeiro bimestre, já no segundo bimestre a mesma foi interditada, praticamente até as férias de julho, com isso nosso trabalho foi interrompido.

Trabalhamos como no ano passado, estudamos e construímos gráficos sem a utilização do computador.

Foram levantados as concepções espontâneas dos alunos referentes a referencial, repouso e movimento, trajetória, espaço e variação de espaço, velocidade e aceleração.

Quando estudamos a velocidade escalar média e suas transformações de unidades, realizamos experimentos relacionados com o cotidiano, onde os alunos mediram a distância de suas casas até a escola e o tempo gasto, e foi calculada a velocidades média que cada aluno levava de sua casa até a escola.

Por se tratar de uma sala onde os alunos são provenientes da progressão continuada, tivemos bastante dificuldade para realizar nosso trabalho, pois são alunos que não possuem o hábito de estudo, tem muita dificuldade no aprendizado.

Infelizmente só chegamos nas Leis de Newton, pois grande parte do tempo foi usada para “revisões de conceitos físicos e matemáticos e até mesmo na escrita, leitura e interpretação”.

Utilizamos também como ferramenta cognitiva para o aluno, um software de mecânica da educare, onde são trabalhadas as leis de Newton.

No segundo ano, as coisas fluíram melhor, para trabalhamos Quantidade de Movimento e Choque, usamos um joguinho de bilhar de brinquedo, para demonstrar a transferência das quantidades de movimento, calculamos velocidades, medindo distancias e tempo.

Para o estudo de hidrostática, começamos com a parte de densidade, em um aquário com água colocamos materiais que flutuavam e outros afundavam, onde os alunos tentavam explicar o por quê? Formalizando suas observações, com isso chegamos também ao conceito de empuxo.

Na parte de termodinâmica chegamos apenas em termologia, apenas as relações termométricas, essa parte foi no primeiro semestre.

No segundo semestre, foi interrompido em virtude de sermos convidados para utilizar e testar novas metodologias e alguns materiais do Prof. Dr. Tomaz Catunda-IFSC, iniciamos então Óptica.

Primeiramente levantemos os pré-conceitos dos alunos através de uma avaliação diagnóstica, em seguida realizamos experimentos onde respondíamos as questões anteriores. Onde os alunos afirmavam se estivessem certos ou mudavam se estivessem errados seus conceitos. Isso foi utilizado na propagação retilínea da luz e em espelhos planos.

Construímos a caixa preta com materiais do cotidiano (caixa de papelão, vela), onde o aluno foi levado a relacionar com o funcionamento da maquina fotográfica e com o olho humano.

O experimento com espelho plano para mostrar o campo de visão foi muito proveitoso, dois alunos dessa turma que prestaram o vestibular da fuvest como treineiro, me confessaram que acertaram a questão sobre esse assunto, pois lembraram do experimento realizado em sala de aula.

Na parte de espelho esférico utilizamos uma mesa óptica emprestada do prof Tomaz, onde medimos o foco e centro de curvatura, e observamos os tipos de imagens que se formavam em várias posições.

Infelizmente chegamos apenas em começo de lentes, terminaremos no ano que vem, que será mais fácil, pois recebemos do projeto um banco Óptico.

1.3 - Abordagem interdisciplinar baseado nos PCNs:

Conjuntamente com a Língua Portuguesa e História trabalhamos um capítulo do livro, "A Dança do Universo" do autor Marcelo Glêiser, onde ele conta a vida e descobertas de Galileu Galilei, os alunos fizeram a leitura do texto e um relatório onde comentavam os pontos principais abordados, trabalho este que deveria ser realizado pelo professor de Língua Portuguesa e Física conjuntamente.

Em seguida foi apresentado o filme "Em Nome da Rosa", onde os alunos deveriam fazer um novo relatório, relacionando o filme com o texto lido, que seria corrigido pelo professor de Língua Portuguesa e Física.

O trabalho não foi tão satisfatório quanto à do ano passado em virtude da mudança da professora de portugues e ao desinteresse dos alunos, pois pediamos as redações alguns entregavam no prazo e a maioria não, discussão quase não houve, pois demorou tanto que perdeu um pouco o sentido.

Trabalhamos os gráficos do movimento uniforme (reta) e do movimento uniformemente variado (parábola), decomposição de vetores conjuntamente com a matemática.

Obtivemos um resultado bastante satisfatório, muito melhor do que obtemos geralmente sem essa integração.

No segundo ano, ao estudarmos termologia, discutindo a parte de calor e temperatura foi utilizada um calorímetro, construído na aula de química, conjuntamente também com química estudamos, ponto de fusão, ebulição, curva de mudança de fase, utilizando também um software da secretaria da educação do estado de S Paulo Crocodille Chemisty, enfatizando os assuntos acima.

Para o estudo do funcionamento do olho contamos com ajuda da professora de biologia.

Os alunos apresentaram seminários onde eles pesquisaram sobre a vida de vários cientistas relacionando-os com a parte histórica da época.

Na parte de Óptica descobrimos que eles sabiam mais geometria e trigonometria que pensávamos.

1.4 - Participação de palestras mini - cursos e olimpíadas:

No primeiro semestre participamos da VIOBA - "Olimpíada Brasileira de Astronomia", que foi realizada no dia 17/05/2003, com a participação de vários alunos.

Uma aluna da oitava serie (Natalia de Fátima Martins) recebeu medalha de prata em décimo nono lugar, os demais receberam apenas certificado de participação.

De 20 a 23 de agosto de 2003 nossos alunos participaram da "VIII Semana da Óptica", assistindo a palestras com demonstrações de experimentos. Os alunos ficaram motivados e perceberam que Física não é só Matemática, fazer contas, e sim tem aplicação prática no seu cotidiano.

Houve também visitas a alguns laboratórios, principalmente os de Óptica (lasers de todas as cores e suas aplicações), relógio atômico, etc.

Em 20/09/2003 participamos da III Olimpíada Paulista de Física.-nossa mesma aluna que recebeu medalha de astronomia também foi classificada pa a segunda fase dessa Olimpíada que se realizou dia 09/11/2003. (No ITA)

Foi também realizadas uma excursão com a turma do segundo ano a Fazenda Conde do Pinhal e ao CEU (Centro de Estudos do Céu em Brotas), onde assistiram a apresentação do planetário e conheceram as demais atividades desenvolvidas por esse centro.

1.5 - PRIMEIRA FEIRA DE ARTE E CONHECIMENTO DA E. E. SEBASTIÃO DE OLIVEIRA ROCHA:

Essa feira foi realizada nos dias 20 e 21 de novembro desse ano, nas dependências da escola, na parte da física foi apresentada a comunidade escolar, todo material experimental para o ensino de física, adquirido através desse projeto.

Houve um grande envolvimento dos alunos, para a montagem e entendimento do funcionamento desses equipamentos, onde mostraram e explicaram para os demais alunos da escola. Esta atividade foi realizada com alunos do segundo ano.

Na abertura dessa feira houve a entrega dos certificados das Olimpíadas de Física e Astronomia.

1.6 - Avaliação final comparativa:

A análise comparativa do desempenho dos alunos (fig. 1) foi feita através das menções obtidas pelos alunos das primeiras séries do ensino médio: alunos da série A participantes do projeto com os alunos das séries B e C não participantes do projeto mostram apenas o desempenho dos alunos da segunda serie A (fig.2), pois este ano não ministrei aulas em nenhuma outra segunda série.

Estas salas são diferentes das demais, são mínimos os problemas com disciplina, o interesse pelas aulas no segundo ano é ótimo, no primeiro nem tanto assim, alem de participarem de olimpíadas, cursos, etc.


Figura 1 - Gráfico do desempenho dos alunos das primeiras séries A, B, C.

O gráfico mostra que os alunos da série A que participam do projeto infelizmente esse primeiro ano possui quase os mesmos rendimentos que às outras séries B e C, apenas vemos que temos mais alunos com A na série A do que nas demais, apesar das atividades extracurriculares, com a qual tentamos motivar os alunos e avanço no conteúdo foram pouco em relação a demais séries.


Figura 2 - Gráfico do desempenho dos alunos da segunda série A

2 - MUDANÇAS REALIZADAS NAS ATIVIDADES:

Muitas mudanças foram realizadas por problemas técnicos, reforma da escola, funcionamento adequado do laboratório de informática, definição do espaço reservado as aulas do período complementar do projeto.

No primeiro ano as atividades pedagógicas foram trabalhadas lentamente em relação ao ano anterior, a turma não realiza as atividades propostas, por falta de empenho, estudo, compreensão; observamos que os alunos não conseguiam formalizar conceitos.

Esses aspectos podem ser conseqüências do tipo de formação desses alunos (progressão continuada) que não é bem entendida, tornando os alunos sem incentivo de estudos, sem comprometimento e até mesmo sem conhecimento.

No segundo ano houve uma mudança de conteúdo programático, em virtude da proposta do Prof Tomaz; de trabalhar um modo diferenciado e com materiais dos cotidianos para o ensino da óptica geométrica.

3 - COLABORAÇÃO DA UNIVERSIDADE:

A Universidade nos fornece todo o material necessário para o trabalho realizado nesse projeto.

Para o OBA - tivemos a colaboração do Prof Dr Valter Libero da IFSC, que organizou um mini curso no Observatório da USP - São Carlos.

Os alunos do curso de Licenciatura em Ciências Exatas ministraram um mini curso sobre Mecânica, Eletrostática, Eletrodinâmica e Óptica, durante o final de agosto e setembro antecedendo a Olimpíada de Física, eram aulas três vezes por semana, apenas para alunos que iam participar dessa olimpíada, as aulas eram dadas com experimentos sofisticados e data show, muito longe da realidade de nossos alunos que estão acostumados praticamente com giz e lousa, e para os alunos de ciências exatas também, pois não é isso que encontraram quando enfrentarem uma sala de aula.

Nos dias 15 e 16 de novembro de 2003, foi realizada a Escola Avançada de Física para os cinco melhores alunos do primeiro ano, evento realizado em parceria com Diretoria de Ensino de São Carlos.

Durante o decorrer desse segundo semestre houve discussão da utilização de matérias e métodos para o ensino de Óptica com o Prof Tomaz.

4 - COLABORAÇÃO DA UNIDADE ESCOLAR COM AS ATIVIDADES:

A escola cedeu-nos os espaços necessários ao desenvolvimento do projeto: sala de vídeo, sala de informática, laboratório, salas de aulas, etc.

A Direção e a Coordenação também cooperam dando toda a infraestrutura e suporte pedagógico.

5 - PRINCIPAIS CONTRIBUIÇÕES DAS ATIVIDADES DE PESQUISA PARA A UNIDADE ESCOLAR:

Além dos bens materiais, a escola se beneficia por um trabalho diferenciado, desenvolvidos com alunos do projeto, que influenciam positivamente os demais alunos da escola a participarem se Olimpíadas, Cursos, Concursos, etc., valorizando a formação educacional fornecida pela escola.

Podemos citar o caso da aluna Natalia de Fátima Martins do oitavo ano do ensino fundamental que foi classificada para a segunda fase da Olimpíada de Física, e recebeu medalha por ter sido a melhor da região em sua categoria. (única de escola publica)

Através do trabalho comum desenvolvido pelos professores envolvidos no projeto, há uma integração favorecendo a interdisciplinaridade.

6 - CRONOGRAMA PARA PRÓXIMA ETAPA DE TRABALHO:

Na próxima etapa de trabalho já estaremos com o laboratório e a sala de informática em funcionamento, podendo assim cumprir melhor a parte experimental.

Estaremos mais bem preparados para a aplicação das metodologias, para vermos o que deu certo, e mudar o que não deu.

Continuaremos utilizando o apoio da universidade para apoio com mini-cursos para as Olimpíadas.

7 - OBSERVACOES:

Um aspecto que pode ser considerado é a mudança do interesse dos alunos; quando comparado às outras séries, tomamos como exemplo os alunos que participaram da seleção de um outro projeto da IFSC-ACESSO para prestarem vestibular para o curso de física, dois foram selecionados e estudaram na escola Anglo 3ºano, outros também prestaram exame de bolsa em escolas particulares e conseguiram uma boa porcentagem de desconto, estes também deixaram o projeto.

O projeto propiciou uma série de facilidades: laboratório de informática com internet, livros didáticos, laboratório de ciências, orientação de estudos, para os alunos, que vem a ser um estímulo para estudar, pensar, criar e construir idéias, tornando-se um cidadão crítico.

Através do projeto nós professores tivemos a oportunidade de olhar nossos alunos de outro modo procurando pedagogias para tornar o ensino de ciências mais acessível, não só para os alunos do projeto mais para toda a comunidade escolar que trabalhamos.

Neiva Godoi

São Carlos, 15 de dezembro de 2003.




Anexo 5 - Relatório Química

Bolsista: Ana Paula Nogueira Castilho Marques

I - ATIVIDADES DESENVOLVIDAS

1-) Conteúdos abordados:

- 1.º ano: chuva ácida, indicadores ácido-base, solubilidade de sólidos, líquidos e gases,transformações químicas, lei de Lavoisier,lei das proporções,transformações exotérmicas e endotérmicas, transformações físicas, propriedades físicas

- 2.º ano:energia (térmica, química, elétrica,nuclear), combustíveis, lei das proporções, cálculo estequiométrico, saúde física, soluções (preparação, concentração, iônicas ou não), compostos (reconhecimento), reações de neutralização, química orgânica (hidrocarbonetos, álcool, éter),estrutura atômica (partículas elementares, n.º atômico n.ºde massa, partículas subatômicas ,,, lei das desintegrações radiativas)

- 3.ºano - cinética química, equilíbrio químico, estrutura atômica (distribuição eletrônica), compostos iônicos e covalentes, compostos orgânicos, reações orgânicas.

2- Planejamento e desenvolvimento das aulas teóricas e experimentais

Para as turmas de 1.º e2.º ano as aulas teóricas e experimentais foram desenvolvidas conforme planejamento inicial proposto, baseado no desenvolvimento dos tópicos do livro adotado Interações e Transformações. Deve-se considerar o fato do conteúdo do 1.º ano estar um pouco defasado do previsto, embora possa ser justificado por ser uma sala que apresentou inicialmente muitas dificuldades, vêm da formação pela progressão continuada, não tinham hábito de estudo, dificuldades em entender e realizar as ordens do professor.As aulas complementares do período da tarde, em sua maioria, foram usadas para melhor compreensão dos tópicos já abordados, tendo um caráter mais prático e dinâmico, com a utilização de recursos como a biblioteca, sala de informática, laboratório de ciências, visitas, textos de jornais e revistas, etc...

Os livros de exercícios e de laboratório da coleção Interações e transformações foi base para muitas atividades extras realizadas nas aulas complementares, monitoradas pelo professor No laboratório de Informática trabalhamos com softwares da Secretaria de Estado da Educação: Crocodylle Chemistry ( laboratório) e elementos químicos( estrutura atômica e tabela periódica).Muitas atividades são propostas usando-se para pesquisa revistas, como a Superinteressante, Galileu, Ciência Hoje,Química Nova na Escola, Veja, Época,....Estas atividades, exercícios, textos, experimentos, aulas com informatização, leituras complementares abordam conteúdos já trabalhados em sala de aula, auxiliando na fixação e reelaboração destes conhecimentos, e também, estimulando a busca de novos caminhos do conhecimento.

Para a turma do 3.º ano, as aulas também foram desenvolvidas de acordo com o conteúdo proposto, enfatizando -se mais à parte de exercícios,testes de vestibulares e simulados, já que todos estavam interessados em prestar o vestibular no final do ano.

3 - Abordagens Interdisciplinares

Diversas atividades realizadas durante o ano evidenciam o caráter interdisciplinar que se que permear com o projeto, como:

- No 1.º ano , logo ao início, abordamos o tema chuva ácida,suas conseqüências ambientais, efeito estufa, camada de ozônio,complementando-se a química com a ecologia

- Foi trabalhadas bastante em todas as turmas a construção e interpretação de gráficos, o que não teríamos obtido êxito se não fosse o apoio da matemática

- No 2.º ano, ao ser estudado o tema termologia,houve uma grande integração entre física e química, indo desde o manuseio e utilização de termômetros, construção de curvas de fase, até construção e utilização de um calorímetro.

- Todos tópicos abordados dentro das aulas de energia foram relacionadas com a biologia e educação física, envolvendo inclusive o bem estar físico e mental dos alunos,cálculos de gastos de energia em atividades físicas, i.m.c. (índice de massa corpórea), tabelas de calorias de alimentos,envolvendo energia recebida e consumida pelo ser humano ;outros estudos energéticos, envolvendo qualidade ambiental, custos da produção, vantagens da região foram levantados para a produção de diversas formas de energia.

- No 3.º ano foi realizado um trabalho muito interessante, usando drogas como tema central das aulas de química orgânica, o assunto foi também parte integrante de biologia, geografia ,história e psicologia, culminando num belíssimo painel, representando muitas drogas, seus efeitos, sua situação histórica e espacial, o tráfico de drogas....., despertando o interesse dos alunos sobre outros aspectos como efeitos no organismo,dependência, tratamentos, etc.

4 -Participação em palestras, mini-cursos e olimpíada

- Foi realizada uma excursão com os alunos atualmente no 2.º ano,com muitas atividades interdisciplinares: visita à fazenda Conde do Pinhal, marco histórico da época das fazendas do café, que contribuiu para a expansão da economia São Carlense ;visita ao CEU( Centro de Estudos do Universo) onde assistiram à apresentação do planetário, projeção de filmes e outras atividades desenvolvidas pelo centro.

- Os alunos do projeto, 2.º e 3.º anos, pela segunda vez participaram da olimpíada brasileira de química, fase estadual, tendo uma equipe do 2.º ano sido classificada este ano para a fase posterior, em são Paulo.

- Pode se notar crescente o interesse desses alunos pela ciências em geral.Novamente formaram um grande grupo na VIII Semana da Óptica, assistindo à palestras com demonstrações experimentais de física e química,ficaram muito motivados e perceberam que a física e a química fazem parte do seu cotidiano.

- Participação do 3.º ano no mini curso de cerâmica, ministrado pelo LIEC-UFSCar, duração de 12horas, envolvendo muitos conceitos de química, história, geografia, educação artística,entre outras áreas.

- Participação voluntária de 2 grupos de alunos, no prêmio Jovem Cientista do Futuro, cujo tema central da monografia era “água”.

- Excursão para São Paulo, com a turma do 3.º ano, onde foi visitada. Com uma abordagem totalmente multidisciplinar,o passeio foi um sucesso, despertando a curiosidade dos alunos, fortalecendo seu conhecimento já adquirido e provocando novos pensamentos e idéias.

5 - I Feira de Música, Arte e Conhecimento da E.E.Prof. Sebastião de Oliveira Rocha

- Nos dias 20 e 21 de novembro de 2003 foi realizada nas dependências desta escola a 1.ª feira do conhecimento. Todos os alunos do projeto se envolveram totalmente na realização do evento. Na área de química, foi aberto à comunidade o laboratório de ciências, com muitos experimentos.Estes experimentos já haviam sido realizados pelos alunos durante o ano letivo e foram escolhidos para serem apresentados alguns deles: chuva ácida, indicadores ácido base(suco de repolho roxo), “sangue do diabo”, densidade de soluções, solubilidade de gases em líquidos, vulcão químico( produção de gás carbônico),a química da pipoca, energia de alimentos, eletrodeposição de cobre, extração de essências por arraste a vapor ( eucalipto e laranja), bafômetro, fumômetro.

Esta foi mais uma oportunidade para mostrarmos o material adquirido pelo projeto, suas aplicações e sua importância, pois no laboratório também estavam alunos que não fazem parte do projeto, mas que se sentiram motivados a ingressar nos grupos e realizar os trabalhos.

6 - Avaliação Final

As salas onde é aplicado o projeto são diferentes, os problemas disciplinares são mínimos, o interesse dos alunos pelas aulas é melhor, quando comparados às outras salas. Percebe-se claramente quando se compara notas e faltas, que os alunos do projeto estão mais compromissados com o estudo, têm mais disciplina, boa vontade e estudam mais. Com a implantação do projeto e os benefícios decorrentes dele para a comunidade escolar, percebe-se que a falta de interesse e compromisso com a escola continua interferindo no rendimento dos outros alunos, enquanto que aqueles envolvidos no projeto têm maior interesse pelas ciências, são mais criativos, dinâmicos, despertando para o mundo da curiosidade, abrindo espaços para o desenvolvimento de novas idéias, interesses e ter uma meta em seus estudos.

Os professores engajados no projeto também se sentem estimulados, trabalham com salas mais dinâmicas, com poucas faltas, alunos mais interessados e motivados.

Nos gráficos a seguir, estão apresentados alguns dados referentes a notas dos alunos, onde foram comparadas as classes: 1.º A e B, 2.º A e B e 3.º A e B.

Nestes primeiros gráficos analisamos comparativamente o 3º ano do projeto e um 3.º regular com respeito ao rendimento nos testes e simulados de química.

O interesse demonstrado pelos alunos durante os três anos do projeto, resultou em um bom desempenho na minha disciplina, mostrando que estes alunos tiveram melhor preparo para enfrentar provas exigidas em vestibulares ou em outros exames.

Observa-se em ambos os gráficos um melhor desempenho em química dos alunos do projeto, mostrando que as aulas de química do período da tarde que aumentam em 50% as aulas de química da grade curricular foram fundamentais em caráter de complementação do conteúdo programático, enfocando diferentes estratégias de ensino aprendizagem.

II - Análise das atividades e mudanças efetuadas

Os objetivos propostos para a área de química foram parcialmente atingidos, pois muitas mudanças no programa e no cronograma inicialmente propostos tiveram que ser ajustadas em função de problemas técnicos,como, a reforma da escola, funcionamento adequado do laboratório de informática, indefinição do espaço reservado às aulas do período complementar do projeto.Além destes fatos, outros de ordem pedagógica também colaboraram para as mudanças .

- As atividades pedagógicas do 1.ºano tiveram muitas dificuldades em seu desenvolvimento, os alunos não conseguiam formalizar conceitos relacionados ás transformações químicas necessitando complementar as atividades com outras extras e mais discussões. A classe, ao todo, é pouco estudiosa, e apresenta dificuldades de interpretação e compreensão, aspectos estes que podem ser conseqüência da formação continua destes alunos, que não incentivava para o estudo, o comprometimento e o conhecimento.

- O conteúdo programático para o 2.º e 3.º anos foi alterado,partindo-se do fato de trabalharmos com conteúdos complementares ao do livro didático e o 2.º ano ser uma classe com melhor aproveitamento, aumentamos os conteúdos para o 2.º ano e diminuímos para o 3.º ano, que poderá então se ater mais em exercícios preparatórios para o vestibular.

III - Colaboração da Universidade

A universidade nos fornece todo material necessário para o trabalho, faltando apenas, uma discussão das metodologias utilizadas e uma reavaliação do trabalho em sala de aula e dos resultados obtidos. No caso específico das aulas de química, também necessitamos de um monitor capacitado para desenvolvimento das atividades experimentais. Através da professora Dra. Agnieszka,do Instituto de Química da USP de São Carlos, foi tentado uma bolsa para monitor das aulas de química, mas ainda não foi aprovado o processo.

Para tentar amenizar o problema, um ex-aluno da escola, hoje aluno do IFSC, tem auxiliado nas aulas complementares de química.

A Universidade colabora com a compra e manutenção de equipamentos e materiais para o laboratório.

IV - Colaboração da Escola

A Escola cedeu nos os espaços necessários ao desenvolvimento do projeto: sala de vídeo, laboratório de química, laboratório de informática, biblioteca, salas de aula, etc. A direção e coordenadores também cooperam, dando-nos toda infraestrutura e suporte pedagógico.

V - Resultados

A parceria da Universidade com a Escola é muito positiva, além da Escola se beneficiar com os bens materiais adquiridos, os alunos do projeto têm uma formação diferenciada, que influencia positivamente os demais alunos da escola a participarem de olimpíadas, cursos, concursos, etc, valorizando a prática educacional da escola.

Além disso, há uma grande integração entre os professores envolvidos no projeto, favorecendo a interdisciplinaridade.

VI - Observações

O projeto propiciou muitas facilidades para a comunidade escolar, como laboratório de informática e internet, laboratório de ciências equipado, livros didáticos, orientação de estudo para os alunos.

Nota-se claramente uma mudança de interesse dos alunos do projeto quando se compara este aos demais aluno, pois através do projeto estes são estimulados a estudar, pensar, criar e construir idéias, tornando-se um cidadão crítico.

Nós professores, através do projeto tivemos a oportunidade de olhar nossos alunos de outro modo, procurando novas metodologias para tornar o ensino de ciências mais acessível não só para alunos, mas para com toda comunidade escolar que trabalhamos.

VII - Cronograma para o próximo semestre

Incentivar os alunos para a leitura e escrita, despertando o interesse deles para participar da olimpíada de química, fortalecendo sua criatividade e busca por novos conhecimentos.

Com o laboratório já à disposição, desenvolver as atividades práticas a serem trabalhadas, possibilitando uma maior interação prática - teórica.

Preparar um material na área da informática, que nos próximos semestres, possa ser aplicado para enriquecimento das aulas de química.

Proporcionar atividades extras que possam valorizar o conhecimento já adquirido e despertar novos interesses, como visitas às indústrias, laboratórios, feiras, ou ainda a integração com o meio ambiente, proporcionando uma diversidade de assuntos e novos tipos de abordagens.

Ana Paula N. Castilho Marques
Dezembro/2003




Anexo 6: Relatório Biologia

Bolsista: Zélia Isabel Cavallaro Alves

1. Qual a sua contribuição no projeto de pesquisa (descreva suas atividades)?

O processo de atribuição de aulas da E.E. Prof. Sebastião de Oliveira Rocha, em janeiro deste ano, permitiu que eu assumisse as aulas de Biologia nas séries 1ª A, 2ª A e 3ª A, do ensino médio, possibilitando, assim, meu ingresso neste projeto, acima citado. Com o início do período letivo, algumas reuniões incluíram-me no trabalho coordenado pela Profa. Dra. Nelma Regina Segnini Bossolan, do Instituto de Física de São Carlos - USP, responsável pela área de Biologia. Nestes encontros, que permitiram rica troca de experiências, foi sugerido um cronograma das atividades a serem desenvolvidas ao longo do ano.

Assim, além de ser a professora responsável pelas aulas de Biologia, no período regular das aulas, minhas contribuições ao projeto podem ser assim relacionadas:

a) Participação das atividades desenvolvidas no Laboratório de Ensino de Biologia do Instituto de Física de São Carlos - USP, de modo a:

b) Preparação e desenvolvimento das aulas oferecidas para as séries 2ª A e 3ª A, no período da tarde, na U.E., de modo a complementar, ilustrar e enriquecer os conteúdos tratados nas aulas regulares (período da manhã).

c) Participação nas aulas preparadas pela equipe da USP , desenvolvidas no período da tarde na U.E., com os alunos da 1ª série A.

d) Participação na aplicação dos questionários organizados pela equipe da USP.

2. Quais foram as mudanças e, eventualmente, os ajustes realizados nas suas atividades de pesquisa? Especifique e justifique cada um deles.

Considerando-se que este foi o primeiro ano em que participei do Projeto, os elementos para responder a esta questão são ainda insuficientes. Contudo, no que se refere ao trabalho desenvolvido pela equipe da USP, pode-se afirmar que, de modo geral, todos os objetivos estabelecidos foram cumpridos.

Com relação ao trabalho regular, desenvolvido na E.E.S.O.R., desde 2000 (ano de ingresso nesta U.E.), algumas considerações relevantes são apresentadas no item 7.2. deste relatório.

3. Como e de que forma a equipe da universidade está subsidiando suas atividades de pesquisa?

Observar os aspectos relacionados no item 1.

4. Em que medida a unidade escolar tem colaborado para a execução satisfatória de seu trabalho de pesquisa? Explique.

A E.E.S.O.R. tem colaborado para a execução satisfatória dos trabalhos, cedendo as salas, utilizadas no período da manhã, também para as atividades desenvolvidas no período da tarde. Da mesma forma, o Laboratório de Ciências da U.E., a Sala Ambiente de Informática e a Sala de Vídeo, também estão sendo utilizados, sendo necessário, apenas, reservar antecipadamente esses espaços.

5. Quais foram, até o momento, as principais contribuições de suas atividades de pesquisa para a unidade escolar?

As principais contribuições dessas atividades para a Escola incluem uma maior capacitação do professor, já que, especialmente na área de Biologia, com o rápido e expressivo acúmulo de conhecimentos nos últimos anos, o contato do professor do Ensino Médio com os professores pesquisadores da Universidade torna-se muito promissor. Além disso, o ganho na qualidade das aulas se estende, ainda que apenas no período regular das aulas, a outras séries da U.E., envolvendo alunos não incluídos no Projeto.

6. Qual o cronograma da próxima etapa de seu trabalho de pesquisa?

As próximas etapas do trabalho visam:

7. Há outras observações consideradas relevantes para a análise do projeto, por parte da FAPESP?

A seguir, será feito um breve relato das atividades desenvolvidas pela equipe de área de Biologia (item 7.1) durante o ano de 2003, no presente projeto. Julgamos que a exposição destes dados é importante para que se tenha uma idéia mais concreta do trabalho realizado no que se refere aos objetivos propostos e atingidos, à metodologia utilizada e ao tratamento dos resultados obtidos. É importante ressaltar que deste trabalho resultou um projeto de iniciação científica desenvolvido pelo Ronaldo de Rosa Moreno e que teve a participação da equipe da área. Parte dos resultados obtidos foi apresentado no 11º Simpósio Internacional de Iniciação Científica da USP (SIICUSP) na área de Humanidades, em São Paulo-SP.

No item 7.2 será feito um relato de algumas atividades que incorporei na minha prática pedagógica no período regular das aulas.

7.1 Breve descrição do trabalho desenvolvido pela equipe de Biologia

Objetivos

Os objetivos referentes ao período de janeiro a dezembro de 2003, segundo o cronograma da área, foram:

§ a idealização e/ou aperfeiçoamento e a implementação de aulas práticas de confecção e execução simples, porém elucidativas, referentes aos temas abordados nas aulas regulares de Biologia do Ensino Médio, de modo a fornecerem subsídios para o entendimento de temas relacionados à Biologia Molecular, para os alunos da 1a série A;

§ a idealização, instrumentação, aplicação e avaliação de um módulo de aulas práticas de Biologia Molecular direcionado aos alunos da 2a e 3a séries A, de modo que as mesmas pudessem ser desenvolvidas no laboratório de biologia da U.E.;

§ montagem dos roteiros das referidas atividades e sua disponibilização em um “site” da internet.

Etapas do trabalho

· Local de trabalho e participantes

As atividades foram desenvolvidas com 110 alunos da 1a, 2a e 3a séries A da Escola Estadual Prof. Sebastião de Oliveira Rocha (EESOR), que é a Unidade de Ensino (U.E.) do projeto. Estas atividades foram planejadas e executadas no Laboratório de Ensino de Biologia do IFSC-USP e no laboratório da EESOR, no período da tarde, que é o oposto ao das aulas regulares dos alunos da U.E.

O projeto tem como participantes o aluno do curso de Licenciatura em Ciências Exatas (Interunidades - Campus USP São Carlos) Ronaldo de Rosa Moreno (aluno do 4o ano e bolsista PIBIC) e Zélia Isabel Cavallaro Alves (professora do período regular de Biologia da EESOR). Tanto o bolsista Ronaldo como a professora Zélia participaram na elaboração, desenvolvimento e aplicação de atividades, sob orientação e supervisão da Profa. Nelma Regina Segnini Bossolan (IFSC-USP).

· Escolha dos temas das atividades

Os temas das atividades realizadas foram escolhidos de modo a fornecerem subsídios para as aulas de Biologia Molecular e complementarem os assuntos já estudados em sala de aula, no período regular.

A modalidade didática escolhida, na maior parte das atividades, foi a de aula prática, com o objetivo de oferecer aos alunos uma vivência na prática laboratorial e possibilitar o desenvolvimento das habilidades necessárias na realização das mesmas.

O livro adotado na escola é o da Coleção Base “Biologia - Volume único” (FAVARETTO & MERCADANTE, 19991), cuja seqüência dos assuntos vem sendo mantida pela referida professora da U.E.

· Preparo das atividades

Uma vez elaboradas as atividades, as mesmas foram desenvolvidas e testadas previamente no laboratório para eventuais correções e ajustes na utilização de materiais, no tempo de realização e na abordagem dos conteúdos.

Cada atividade, fosse ela desenvolvida na forma de aula prática, teórica ou jogo, foi avaliada através dos seguintes procedimentos:

As questões utilizadas foram do tipo aberta, que exigiam respostas dissertativas, e do tipo teste, com múltiplas alternativas para escolha. Foram elaboradas segundo princípios sugeridos por Haydt (1994)2 e National Research Council (1996)3.

Resultados

A tabela 1 mostra o cronograma das atividades realizadas no Laboratório de Ensino de Biologia-IFSC/USP e no laboratório da U.E.

Tabela 1: Cronograma das atividades desenvolvidas no Laboratório de Ensino de Biologia do IFSC-USP (atividades 1 a 8) e Laboratório da EESOR (atividades 9 a 12).
 
No período de janeiro a junho de 2003, 8 atividades foram desenvolvidas e aplicadas às turmas das 2º e 3º séries A (atividades 1 a 8 - tabela 1) e trataram de temas relacionados à biologia molecular e suas aplicações biotecnológicas.
Atividade Série Data Assunto
1
2a 18/03 Aplicação do pós-teste e Revisão sobre células 
3a 25/03 Apresentação dos monitores e Revisão sobre células 
2 2a 01/04 Aplicação do pré-teste e Extração do DNA de cebola
3a 08/04 Aplicação do pré-teste e Extração do DNA de cebola
3
2a 22/04 Histórico do DNA e Modelos de ácidos nucléicos - CBME4
3a 29/04 Histórico do DNA e Modelos de ácidos nucléicos - CBME
4
2a 06/05 Aplicação do pós-teste e Duplicação e transcrição do DNA
3a 13/05 Aplicação do pós-teste e Duplicação e transcrição do DNA
5 3a 27/05 Jogo “Síntese Protéica”5
2a 03/06 Jogo “Síntese Protéica”
6 3a 10/06 Enzimas de restrição e eletroforese em gel
2a 13/06 Enzimas de restrição e eletroforese em gel
7 2a 17/06 Teste de paternidade e criminalística
3a 18/06 Teste de paternidade e criminalística
8 2a e 3a 24/06 Aplicação de avaliação referente às atividades 4 a 7
9 1a 21/08 Aplicação do pré-teste e O microscópio óptico
10 1a 25/09 Conhecendo a célula1 (laboratório)
11 1a 23/10 Conhecendo a célula 2 (vídeo e CD-ROM)
12 1a 27/11 Processo de obtenção de energia
 4Nesta atividade utilizou-se o “Modelo para construção de moléculas de ácidos nucléicos”, desenvolvido pelo Setor de Difusão do Centro de Biotecnologia Molecular Estrutural (CEPID – FAPESP).
 3Nesta atividade utilizou-se o jogo “Síntese Protéica”, desenvolvido pelo Setor de Difusão do Centro de Biotecnologia Molecular Estrutural (CEPID – FAPESP).

Antes do início da atividade 2, foi aplicado um pré-teste, sem qualquer introdução ao tema. O respectivo pós-teste foi aplicado após 4 semanas. Os resultados de algumas das questões dos pré- e pós-teste são mostrados nos gráficos 1 a 4, nos quais utilizamos os seguintes termos: C para Correto, PC para questões Parcialmente Corretas e E/NR para Errado ou que Não Responderam.


Gráfico 1: Desempenho dos alunos na questão: “O que são genes?”

Gráfico 2: Desempenho dos alunos na questão: “O que é DNA?”

Gráfico 3: Desempenho dos alunos na questão: “Onde, em seu corpo, o DNA é encontrado?”

Gráfico 4: Desempenho dos alunos na questão: “Por que o DNA é importante?”

A avaliação das atividades 5, 6 e 7 foi feita através de pós-teses. O resultados dessas questões estão apresentados no gráfico 5.


Gráfico 5: Desempenho dos alunos nas questões:
1 - “Qual a relação entre gene, cromossomo e DNA?”;
2 - “Seda DNA vegetal”6; 3 - “DNA da Shell”7(teste).
  6Fabiana, ao descobrir uma nova linha de tratamento capilar, cuja propaganda vincula a ação do “DNA vegetal” (Seda  DNA Vegetal), corre ao telefone para compartilhar a novidade com suas amigas. Paula, sabendo da notícia, procura imediatamente a perfumaria mais próxima. No caminho, ela se lembra das aulas de biologia e resolve contestar a atuação do DNA em seus cabelos. Volta para casa, liga para a Fabiana e divide com ela a sua inquietação.  Agora, gostaríamos que você expressasse a sua opinião a respeito deste tema. Você acha possível a ação do DNA sobre seus cabelos? Responda a esta pergunta, justificando sua resposta.
  Uma nova tecnologia que promete ser infalível no combate à adulteração de gasolina começou a ser aplicada pela Empresa Shell do Brasil. Trata-se do programa DNA da Shell, que visa dar precisão e segurança na identificação da origem do combustível. O que se sabe é que um dos 300 componentes químicos existentes na gasolina foi isolado e teve seu peso atômico alterado, passando a ser um indicador da especificidade da gasolina. Assim, os químicos da empresa devem circular num laboratório móvel, uma pequena van dotada de um equipamento portátil (leitor óptico de campo) para detectar o marcador invisível e atestar a porcentagem de pureza que possui uma determinada amostra de combustível.  24/07/2001. Com base no texto e em seus conhecimentos sobre o tema, assinale a alternativa correta:
( ) O peso atômico do componente químico em questão foi modificado por meio de mutações gênicas.
( ) O produto não possui DNA, embora os genes dispersos no meio facilitem a detecção da gasolina.
( ) O termo “DNA da Shell” faz uma alusão sobre a natureza específica do DNA de cada indivíduo, com o grau de confiança dos testes de detecção da gasolina pura em relação à adulterada.
( ) A pureza da gasolina é assegurada pelo perfeito pareamento dos nucleotídeos presentes no DNA da gasolina.
( ) O termo “DNA da Shell” foi utilizado como mera alusão ao fato de que a gasolina é formada por moléculas dispostas helicoidalmente, sendo  de natureza inconfundível.
 
 

Para a questão “Qual a relação entre gene, cromossomo e DNA?”, observou-se um baixo índice de acerto (9,4%), indicando que, apesar de os alunos terem tido um progresso na compreensão dos conceitos abordados, ainda observa-se alguma dificuldade no estabelecimento de relações entre estes conceitos.

Quanto às questões “Seda DNA vegetal” e “DNA da Shell” do pós-teste, que se referem a uma situação de contextualização dos conceitos abordados nas aulas, o índice de acerto foi de, 21,9% e 62,5%, respectivamente. O baixo índice de acerto da questão 7 pode refletir alguma dificuldade dos alunos quando solicitados a expressarem sua opinião na forma escrita. Pode indicar ainda alguma dificuldade em estabelecer relações entre os conceitos e suas utilizações no cotidiano.

Com o objetivo de se verificar a eficácia das atividades práticas propiciadas pelo presente projeto, foram aplicadas algumas questões de pós-testes a 107 alunos de outras turmas de 2º e 3º séries da U.E. não-participantes do projeto. Os gráficos 6 a 12 mostram o desempenho comparativo dos alunos participantes e não-participantes do projeto.


Gráfico 6: Desempenho dos alunos participantes e não-participantes
no projeto na questão ”O que são genes?”

Gráfico 7: Desempenho dos alunos participantes e não-participantes
no projeto na questão “O que é DNA?”.

Gráfico 8: Desempenho dos alunos participantes e não-participantes
no projeto na questão “Onde o DNA, em seu corpo, é encontrado?”.

Gráfico 9: Desempenho dos alunos participantes e não-participantes
            no projeto na questão “Por que o DNA é importante?”.

Gráfico 10: Desempenho dos alunos participantes e não-participantes no projeto
        na questão “Qual a relação entre gene, cromossomo e DNA?”.

Gráfico 11: Desempenho dos alunos participantes e não-participantes
no projeto na questão “Seda DNA Vegetal”.

Gráfico 12: Desempenho dos alunos participantes e não-participantes
no projeto na questão “DNA da Shell”.

Os registros do Diário de Campo comprovaram que, de modo geral, as classes de alunos participantes do projeto mostraram interesse e participação, principalmente nas atividades de laboratório e nos jogos. Do mesmo modo, a maioria dos alunos mostrou facilidade no aprendizado das técnicas exigidas nas aulas práticas, como por exemplo, manuseio de microscópio óptico, preparo de soluções e de lâminas para a observação em microscópio, entre outras manipulações. Observou-se, ainda, que os alunos aprimoraram o vocabulário na redação das respostas das avaliações.

As atividades de 9 a 12 foram aplicadas à 1a. série A. Estas aulas foram as primeiras a serem executadas no laboratório da U.E. e tiveram como objetivos fornecer subsídios para as aulas de Biologia Molecular, que serão aplicadas na próxima etapa do projeto e complementaram os assuntos já estudados em sala de aula, no período regular. Aplicou-se um pré-teste que será discutido na próxima etapa do projeto, após a aplicação do pós-teste.

Todas as atividades práticas de Biologia Molecular já estão disponibilizadas no endereço eletrônico: http://educar.sc.usp.br/licenciatura/2003/siteprojeto/projeto.htm (em construção), ainda que os roteiros possam sofrer alguma modificação.

Os alunos da 2a e 3a séries A foram convidados a responder a seguinte questão sobre as atividades realizadas: “Você acha que as aulas de laboratório de Biologia contribuíram para o aprendizado das novas tecnologias relacionadas à manipulação do DNA?. Se as aulas deste 1º semestre fossem dadas apenas em sala de aula (aula teórica expositiva), você acredita que teria o mesmo efeito no seu aprendizado?”

Registram-se, a seguir, alguns depoimentos dos alunos:

“Com certeza as aulas de laboratório são ótimas, ou seja, são bem interessantes, é um modo muito bom de se aprender (...)”.

“As aulas de Biologia no laboratório tem nos ajudado muito, pois uma aula prática ajuda na percepção de coisas que em uma aula teórica não. É muito mais fácil acreditar em algo que está vendo do que só foi falado ou lido”

“As aulas de laboratório contribuíram sim para o nosso aprendizado, aulas práticas, dinâmicas, são muito mais aplicadas e a gente aprende mais, a aula teórica nunca teria esse mesmo efeito da aula prática, porque a gente entra em contato com a experiência é muito mais proveitoso do que assistir uma aula teórica simplesmente”.

“Na aula teórica só com o livro nós não teríamos uma visão bem ampla do DNA, diferente das aulas práticas que nós temos uma visão mais interessante do DNA”.

Conclusões parciais

De modo geral, houve, por parte dos alunos participantes do projeto, uma boa assimilação dos conceitos e habilidades possibilitados pelas atividades práticas. A média geral para os índices de acerto (C) nas questões graficamente representadas foi de 42,2% (± 26,6%) nos pós-testes. Com relação às mesmas questões, este índice foi de 9,5% (± 12,6%) para os alunos não-participantes do projeto.

Através das dificuldades detectadas na análise diagnóstica, procurou-se, durante o preparo e o desenvolvimento das atividades deste período, propiciar situações nas quais os alunos pudessem aprimorar os conceitos pretendidos e aplicá-los em situações-problema. Observamos, através dos resultados que, em relação aos conceitos, houve uma melhora na sua compreensão.

Com relação às aplicações destes conceitos em situações cotidianas, observou-se ainda algumas dificuldades que poderão ser superadas se houver um reforço na abordagem aplicada dos conteúdos. Este aspecto será salientado nos roteiros dos professores, item que será aprimorado e disponibilizado aos professores na próxima etapa deste projeto.

Pode-se concluir que os alunos participantes do projeto têm tido, nas suas aulas regulares, um melhor desempenho, tanto nos assuntos abordados neste projeto, como nos assuntos correlatos. Minha conclusão se baseia no desempenho dos alunos nas avaliações que apliquei na U.E. e comparando este desempenho com o obtido por outros alunos regulares da U.E. não-participantes do projeto.

7.2 O trabalho desenvolvido com os alunos no período regular das aulas

1ª Série A - De acordo com o planejamento escolar de 2003, o conteúdo da disciplina Biologia a ser desenvolvido nas primeiras séries do Ensino Médio, nesta U.E., é Ecologia, reservando-se o último bimestre para uma introdução à Citologia.

O livro adotado é o da Coleção Base “Biologia - Volume Único” (FAVARETTO & MERCADANTE, 1999). Os capítulos relacionados à Ecologia foram desenvolvidos em sala-de-aula, através de leitura, explicações no quadro, discussões, exercícios, etc. A Escola dispõe de algumas coleções na forma de vídeo, sendo que, todas as fitas relacionadas com o conteúdo de Ecologia foram apresentadas aos alunos. Fitas cedidas por professores e outras cedidas por alunos também foram utilizadas.

Com o início do período letivo, foi apresentada aos alunos uma seqüência de trabalhos bimestrais, a serem desenvolvidos durante o ano. Os alunos passaram, então, a trabalhar em grupo (3 a 5 alunos), com um tema fixo, variando-se, contudo, a cada bimestre, a forma de desenvolver o trabalho.Os alunos da 1ª série A se organizaram em dez grupos. Os temas desenvolvidos foram: “Água”, “Ar”, “Solo”, “Seres Vivos”, “Poluição”, “Ecossistemas Aquáticos”, “Biomassa”, “Paisagens Brasileiras”, “População Humana” e “Energia”.

1º Bimestre - Seminário: Cada grupo de alunos utilizou, principalmente, livros de Biologia, para preparar uma aula sobre o tema de sua responsabilidade.

2º Bimestre - Pesquisa em jornais/ revistas: Cada grupo de alunos trouxe para a sala-de-aula um artigo, relacionado ao seu tema, para uma apresentação, na qual foram destacados os setores da sociedade (autoridades, instituições, e/ou a população de uma forma geral) envolvidos.

3º Bimestre - Aula - Reportagem: Os alunos entraram em contato com um profissional, cujas atividades relacionam-se de alguma forma com o seu tema de trabalho (técnicos, professores universitários, pós-graduandos e outros) para a realização de uma entrevista. Os aspectos mais importantes foram apresentados em sala-de-aula.

4º Bimestre - Cartazes: Os alunos utilizaram dados dos trabalhos anteriores (1º, 2º e 3º bimestres), ou realizaram novas pesquisas, para a elaboração de um cartaz, com título, figuras e texto breve, sobre o tema trabalhado ao longo do ano. Esses cartazes foram utilizados na Feira de Ciências, evento organizado na Escola, nos dias 20 e 21 de novembro.

2ª Série A - O conteúdo a ser desenvolvido nas 2ª séries , na U.E., é Genética. O livro adotado é o mesmo que para as 1ªs séries. Os capítulos estudados foram desenvolvidos através de leitura e, principalmente, explicações no quadro e resolução dos exercícios. Todo o material em vídeo do acervo da Escola, relacionado ao conteúdo foi utilizado. Os alunos foram avaliados de forma individual, principalmente através de provas que incluíram questões de vestibulares.

3ª Série A - O conteúdo a ser desenvolvido é Estrutura e Fisiologia dos Seres Vivos. O Trabalho desenvolvido com esses alunos seguiu os mesmos moldes daquele já descrito para a 1ª Série A. Os alunos se organizaram em oito grupos. Os temas desenvolvidos foram: “Vírus”, “Bactérias”, “Plantas”, “Insetos”, “Aracnídeos”, “Peixes”, “Répteis” e “Mamíferos”.

O trabalho com os alunos da 3ª série A incluiu ainda uma breve excursão ao “Bosque das Paineiras” (local conhecido como “Buracão”), nas proximidades da Escola, para uma complementação dos conteúdos desenvolvidos em sala-de-aula, sobre classificação e estrutura das plantas. Esses alunos participaram também de uma visita ao Laboratório de Anatomia do Departamento de Morfologia e Patologia da Universidade Federal de São Carlos, onde assistiram a uma aula sobre Anatomia e Fisiologia Humana.

A seqüência de trabalhos bimestrais descrita para as séries 1ª A e 3ª A vem sendo desenvolvida com os alunos de outras 1ªs e 3ªs séries desde o ano de 2000, nesta U. E.. Ao longo desses anos, este trabalho tem substituído a avaliação “convencional”, feita geralmente através de provas escritas e individuais. De uma forma geral, tem-se observado um maior grau de envolvimento das classes, já que a forma de se desenvolver o tema e as fontes para a pesquisa do mesmo são diferentes a cada bimestre, o que parece aumentar as chances do aluno de se interessar e de se envolver.

Havia, assim uma certa expectativa, no início desse ano, quando essa proposta de trabalho foi apresentada aos alunos das séries 1ª A e 3ª A. Sendo essas classes participantes do Projeto, os resultados obtidos com esses alunos representariam elementos importantes para uma avaliação mais completa desse trabalho.

Uma análise preliminar do desempenho dos alunos nas 1ªs e 3ªs séries, em que esses trabalhos foram desenvolvidos, permite que os seguintes aspectos sejam relacionados:




Anexo 7: Relatório Oficina de Comunicação

I. Introdução

O objetivo principal deste relatório de pesquisa é descrever como os trabalhos em oficina de Comunicação (Oficina de redação), parte integrante do Projeto-Fapesp “Desenvolvimento e avaliação de uma pedagogia universitária participativa no Ensino Médio: atividades com ênfase em Matemática, Ciências e Comunicação”, têm enfocado, em suas atividades de investigação, os seguintes pontos:

- Leituras reflexivas acerca da linguagem, línguas e ensino/aprendizagem;

- Participação nas reuniões de estudo, específicas da Oficina de Redação, que têm como objetivo a discussão de teorias lingüísticas e metodologias pedagógicas;

- Elaboração, baseada nas discussões, dos planos de aula para as turmas envolvidas no projeto;

- Trabalho efetivo em sala de aula;

- Acompanhamento dos alunos, via orientação oral e escrita;

- Participação das reuniões direcionadas ao Projeto, em um âmbito global;

- Participação em eventos de Divulgação Científica, objetivando dar a conhecer o trabalho elaborado, assim como levantar discussões que contribuam para o aperfeiçoamento do mesmo.

As atividades a serem descritas a seguir dizem respeito, portanto, ao trabalho realizado a partir de fev/2003, desenvolvidas no 1 o, 2 o e 3 o anos das classes envolvidas no projeto. Procurou-se, levando-se em consideração os objetivos desta pesquisa, trabalhar com questões relacionadas à linguagem e à comunicação, fundamentadas por teorias especificadas ao longo deste texto. O intuito foi oferecer caminhos para que os alunos tivessem mais condições de ler o mundo, interpretando-o com um olhar mais crítico e mais atento. Também se objetivou oferecer condições para que tivessem um melhor domínio da língua, usando-a com mais destreza em situações informais e formais, além de perceberem alguns mecanismos inerentes a ela.

2. Desenvolvimento de Atividades

2.1. Atividades com o 1 o ano:

- Discussões realizadas a partir do conceito de regras, normas (quem as cria?, para quê?, para quem?, por quê?, onde existem?, etc.) e a questão da arbitrariedade que subjaz a essas regras. Foi trabalhada a “Declaração Universal dos Direitos do Homem”, como exemplo de regras (e discussão paralela a respeito de sua aplicabilidade ou não, com seminários feitos pelos alunos) e a gramática, como outro exemplo de regras.

- Discussões sobre variação lingüística, mudança lingüística e preconceito lingüístico, com leituras de vários textos sobre o assunto, inclusive do livro A Língua de Eulália (Bagno, 2000). Por meio de pesquisa de opinião realizada no campus da USP, os alunos, ao perceberem como o preconceito lingüístico estava arraigado em muitos dos entrevistados, começaram a adotar uma postura crítica diante dele.

- Exibição de filmes, como O homem sem face (que possibilitou discussões sobre o valor da amizade e da importância da determinação para a concretização dos sonhos) e Náufrago (sobre a importância da comunicação, da interação social e do “Outro”).

- Propostas de redação sobre assuntos discutidos: uma sobre a “Declaração Universal dos Direitos do Homem” e outra sobre variação e preconceito lingüístico.

- Discussões sobre a necessidade de interação social para a comunicação e o papel fundamental do “outro” para a sua concretização (retomada do filme Náufrago) - como o enunciatário (interlocutário) influencia o conteúdo do enunciado do enunciador (interlocutor), na sua forma e estilo (a imagem que faço dele, a imagem que ele faz de mim, o grau de familiaridade, a posição social, etc.).

- Atividades e discussões sobre o papel do contexto situacional nos enunciados, como ele direciona as escolhas do locutor, o conteúdo do enunciado e a forma como é elaborado.

- Observação dos efeitos de sentido criados pela linguagem, por meio da análise de propagandas. Discussão sobre esse gênero e suas características e sobre as propagandas em particular (qual o efeito de sentido de cada uma, observável a partir das marcas lingüísticas usadas e das condições de produção; identificação de ironias, pressupostos e subentendidos; reconhecimento do enunciador; identificação da relação de acontecimentos históricos e sociopolíticos com o momento de produção do texto; etc.).

- Atividades de estruturação e organização das idéias no texto e seqüenciação temática.

- Refacção das produções de textos, possibilitadas por um distanciamento temporal entre o dia da produção e o da refacção.

- Atividades de identificação de elementos coesivos e os efeitos de sentido que estabelecem.

- Interpretação de textos, por meio de questionário dirigido, identificando idéias subjacentes a eles. Os alunos também foram solicitados a indicar, por intermédio de marcas na superfície do texto, como tinham chegado àquela leitura do texto.

2.2. Atividades com o 2 o ano:

- Reflexão sobre a flexibilidade dos gêneros, em que os alunos puderam observar que, não raras vezes, é possível que um gênero seja constituído por descrição e narração; narração e dissertação (poesia dissertativa). Tais reflexões permitiram que os alunos atentassem para a diferença entre gênero e estrutura textual. Foram enfatizadas também as condições de produção de alguns textos. Aos alunos foi mostrado que, para fazer uma leitura polissêmica, era preciso tomar em consideração todos esses aspectos, presentes em textos de diversos gêneros.

- Discussão sobre os aspectos discursivos do texto, por meio de leituras de crônicas e análise de textos produzidos por colegas, levando-se em conta as condições de produção dos mesmos. O objetivo da análise é fazer os alunos perceberem que o texto não é feito de escolhas ingênuas, que todo texto é histórico e se relaciona com o contexto imediato e amplo em que foi escrito e que este é único e não-reiterável. As respostas foram entregues em folha à parte e a discussão foi feita na aula seguinte.

- Análise de alguns gêneros textuais, enfocando a possibilidade de haver sobreposição de gêneros, dadas as variações na estrutura composicional, no conteúdo temático e no estilo, conferindo, assim, instabilidade ao gênero. Também foram discutidos gêneros textuais, sua definição e composição (forma, conteúdo e estilo). Alguns gêneros, bem como suas características, foram levantados pelos alunos (ex. tipos de conversa, romance, crônica, palestra, pronunciamento, carta, etc.), observando as diferenças entre eles (complexidade, tipos mais fechados, padronizados e tipos mais livres, maleáveis) e como são escolhidos, levando-se em consideração a intenção do autor e a situação, ou seja, o contexto em que se encontra.

- Análises de textos, por meio de interpretação e reconhecimento de características específicas de cada gênero. Foi ressaltada a importância do momento social, político e histórico na construção de qualquer texto, enfatizando seu caráter único.

- Apresentação oral de análise de textos produzida em grupos.

- Proposta de redação: “O Jovem e a leitura”.

- Discussão sobre linguagem poética e linguagem não-poética.

- Discussão sobre as funções da linguagem, segundo o esquema de Jakobson (1969). Os alunos foram questionados sobre cada função, numa tentativa de eles mesmos conseguirem chegar a uma definição e de dar exemplos de cada uma delas8. As funções referencial e poética foram apenas retomadas.

- Discussão sobre metalinguagem e análise de metapoemas. A análise levou em consideração o porquê de aqueles poemas serem chamados de metapoemas, como o gênero se adequava à intenção do autor, qual era essa intenção. Cada poema também foi analisado individualmente, atentando para as interpretações possíveis de cada um e o trabalho feito com a linguagem.

- Exibição do filme Janela Indiscreta (1954) de Alfred Hitchcock, seguida de um debate sobre o mesmo. O filme pode ser considerado uma metáfora do cinema e da televisão, já que as janelas dos vizinhos do protagonista podem ser comparadas às telas, que apresentam diversos programas. Assim como o protagonista, também somos espectadores.

- Reflexão sobre metáfora, considerando que ela é muito mais do que uma simples comparação, como normalmente é compreendida e trabalhada, devendo ser antes considerada um processo de transferência de significação. Análise em diferentes gêneros, observando como a linguagem é trabalhada em cada um, as figuras de linguagem encontradas, em especial a metáfora, e o efeito de sentido criado a partir delas. Também foi pedido para que os alunos atentassem para as condições de produção de cada texto e o gênero.

- Exibição do filme O carteiro e o poeta, para aprofundamento da questão da metáfora, vista agora por meio de outra linguagem, e discussão da obra.

- Análise e interpretação de textos, oferecidos como uma forma de avaliação.

- Discussão e resolução de questões do Enem.

- Discussão sobre Figuras e Temas, por meio da análise de alguns textos, considerando o efeito de sentido criado por esses tipos de textos e o processo de simbolização inerente a eles.

- Reflexão sobre vozes presentes em um texto: por meio da leitura de um texto dissertativo, analisou-se a heterogeneidade constitutiva e demarcada da linguagem e seus efeitos de sentido.

- Atividades envolvendo o jogo de imagens (Pêcheux) e discussão sobre os seus efeitos na linguagem.

2.3. Atividades com o 3 o ano

No primeiro semestre do terceiro ano, foram feitas as mesmas atividades realizadas no segundo ano, que abordam, principalmente, a questão histórica do texto, a importância da análise das condições de produção em que foi produzido, os gêneros textuais e as leituras polissêmicas.

No segundo semestre, deu-se mais atenção às atividades de produção de texto, entendida como um espaço que oferece a possibilidade do aluno expor suas idéias, pontos de vistas e críticas, um espaço privilegiado em que ele assume sua posição na sociedade. É na produção de texto que o aluno irá dar coerência às várias vozes presentes na sociedade, constituindo-se autor, responsável pelo que diz.

Para produzir um texto sobre um determinado tema, este era trabalhado antes com a sala, por meio de várias atividades envolvendo diversos gêneros discursivos. A partir dessas atividades prévias, os aluno puderam discutir os temas e os textos correspondentes a eles, considerando as condições de produção dos textos e as diversas posições e ideologias subjacentes a eles. Durante essa análise, os alunos puderam refletir sobre o assunto e questioná-lo, observando como foi exposto em determinado gênero. A produção textual é o momento em que o aluno pode confrontar as várias vozes da sociedade, mostrando-se um sujeito crítico e reflexivo. Alguns dos temas trabalhados foram violência e desemprego. Após as atividades de produção, os alunos tiveram a oportunidade de trabalhar com a refacção das redações. Assim, eles puderam perceber que o trabalho de escrita é contínuo e que mais importante do que se corrigir a estrutura formal do texto é constituir-se como autor, rejeitando a posição de sujeito assujeitado.

3. Mudanças e ajustes realizados

Durante todas as atividades desenvolvidas em 2003, foram observadas algumas mudanças relacionadas ao cronograma inicial da Oficina de Comunicação9, apresentado no Projeto. Esse fato se deu principalmente e paralelamente ao aprofundamento teórico das noções de língua, linguagem (com enfoque para a constituição de sujeito), ensino/aprendizagem, que tem sido propiciado pelas leituras/reflexões e discussões desenvolvidas pelo grupo de trabalho.

Assim, houve uma dinamização no que se refere ao conteúdo proposto, uma vez que os fatos de linguagem estão além dos elementos de superfície, embora neles objetivados. Explica-se: no cronograma inicial, os conteúdos estavam distribuídos “pontualizados”, em que cada elemento a ser trabalhado se colocava como uma somatória de elementos estanques entre si. Tal estruturação não permitia e, mais do que isso, invertia uma das propostas do próprio trabalho: a interação entre saberes. Além disso, tal configuração vai contra a gênese da linguagem.

Visualiza-se, dessa forma, que as mudanças e ajustes realizados na Oficina de Comunicação são de ordem qualitativa. Nesse sentido, as atividades propostas aos alunos têm enfatizado os aspectos que se acredita serem fundamentais na constituição de sujeitos por meio da linguagem.

Com isso, a concepção de sujeito da linguagem está em conformidade com Bakhtin (In: Marxismo e Filosofia da Linguagem, 1992), para quem o sujeito produz sentidos por meio dialógico dos seus enunciados com o de outros sujeitos. O que significa que a consciência lingüística desses sujeitos não seria possível por meio de formas normativas abstratas da língua, mas de um ativo uso da linguagem, em que esses sujeitos constituem constituindo "um conjunto de contextos possíveis de uso de cada forma particular" (BAKHTIN, 1992, p. 95). Dito de outra forma, para se analisar um enunciado, deve-se levar em conta não só seu contexto, como também a forma como esse enunciado se relaciona com outros enunciados, passados e futuros, na cadeia mais ampla da comunicação verbal, da qual esse enunciado é um elo inalienável. (BAKHTIN, In: Estética da Criação Verbal, 1992a).

Em outros dizeres, a noção de linguagem adotada em Oficina de Comunicação, assim como a de sujeito, está baseada na concepção de linguagem como uma forma de interação, ou, nas palavras de Geraldi: “mais do que possibilitar uma transmissão de informações de um emissor a um receptor, a linguagem é vista como um lugar de interação humana. Por meio dela, o sujeito que fala pratica ações que não conseguiria levar a cabo, a não ser falando; com ela o falante age sobre o ouvinte, constituindo compromissos e vínculos que não preexistem à fala.” (GERALDI , J. W. “Concepções de linguagem e ensino de português”. In GERALDI , J. W. (org.). O texto na sala de aula. São Paulo: Ática, 1997, p. 41.)

4. Subsídios da equipe universitária e colaboração da escola

No que concerne às orientações dos trabalhos efetivados pelos membros da Oficina, existe um trabalho em conjunto entre a USP e a UFSCar, representados pelo coordenador dessa área de Comunicação, o prof. Marcos Lúcio de Sousa Góis, da USP, e pela orientadora de uma das integrantes da Oficina, a profa. Dra. Gladis Maria de Barcellos Almeida, da UFSCar, os quais oferecem apoio teórico/metodológico10. Todos os trabalhos e atividades planejadas recebem assistência, principalmente teórica, dessa equipe.

Em relação aos recursos materiais, estes são fornecidos em grande parte pela coordenação do Projeto, ou seja, pela FAPESP.

A escola apóia, de uma forma geral, a execução das atividades do projeto como um todo e, portanto, da Oficina de Comunicação. Entretanto são encontradas limitações que, na verdade, acredita-se, devam pertencer à escola pública em geral, que vão desde a carência de funcionários para a manutenção do espaço físico até a dificuldade de se estabelecer contatos mais freqüentes entre os professores da área de Língua Portuguesa da escola com os da Oficina. Essa dificuldade de contato se deve a vários motivos, dentre os quais e mais significativo, o fato de os professores da escola estarem sobrecarregados de aulas praticamente todos os dias.

Dentro de suas limitações físicas e socioeconômicas, comuns às unidades públicas de ensino Fundamental e Médio, a escola apóia a execução das atividades da Oficina de Comunicação cedendo espaço físico e material minimamente adequado, como lousa, giz e apagador. As salas de vídeo e DVD, bem como as de informática, também se constituem em ferramentas valiosas na execução das atividades da Oficina de Comunicação, uma vez que estão, na medida do possível, à disposição da Oficina.

Infelizmente, há algumas limitações que impedem que o trabalho da Oficina de Comunicação seja realizado com maior êxito. Uma das principais é a não-existência de relação profissional entre os professores da Oficina e os professores da escola. Talvez tal fato se dê em decorrência da indisponibilidade de tempo dos professores da escola, pois para garantir um salário razoável precisam ministrar o máximo de horas-aula permitidas, isto é, trinta e cinco por semana.

5. Atividades para 2004 (Cronograma para a próxima etapa)

Em 2004, para as atividades de trabalho a serem desenvolvidas, foram selecionadas algumas leituras baseadas na bibliografia constante no projeto, que estão programadas para acontecer nas reuniões feitas quinzenalmente com o grupo da Oficina de Comunicação. Entre a bibliografia básica da Oficina, estão:

- GERALDI, J. W. (org.) O texto na sala de aula: leitura e produção. 7. ed. Cascavel: ASSOESTE, 1991.

- GNERRE, M. Linguagem e Poder. São Paulo: Martins Fontes, 1991.

- KOCH, I. G. V. L. Argumentação e linguagem. São Paulo: Cortez, 1987.

- TREVISAN, E. Leitura: coerência e conhecimento prévio. Santa Maria: Ed. Da UFSM, 1992.

- VANOYE, F. Usos da linguagem. 11. ed. São Paulo: Martins Fontes, 1998.

Já com relação às referências bibliográficas do projeto como um todo, estão:

- Brasil, Ministério da Educação. Parâmetros Curriculares Nacionais: ensino médio. Brasília: Ministério da Educação, 1999.

- LÜDKE, M. & ANDRÉ, M.E.D.A. Pesquisa em educação: abordagens qualitativas. São Paulo: EPU, 1986.

- PERRENOUD, P. Formar professores em contextos sociais em mudança: prática reflexiva e participação crítica. Em Revista Brasileira de Educação. Set/ Out/ Nov/ Dez. 1999.

- PIAGET, J. & INHELDER, B. A gênese das Estruturas Lógicas Elementares. Rio de Janeiro: Zahar, 1975.

- PIAGET, J. Para onde vai a educação? 4. ed. Rio de Janeiro: José Olympio Editora, 1976.

Além da realização das reuniões para grupo de estudos, que já vêm acontecendo desde o início do Projeto, também terão continuidade as aulas ministradas semanalmente, com duração de 1h e 30min, para as três salas do Ensino Médio participantes do Projeto. O início e o término se darão juntamente com o começo e o fim do ano letivo de 2004, sendo que, assim, as atividades serão planejadas e estarão inseridas no calendário escolar. Pretende-se dar um enfoque maior para a questão da interdisciplinaridade, que faz parte da proposta inicial do projeto, para a realização das atividades e planejamento das aulas.

Para o próximo ano, pretende-se trabalhar a produção e impressão de um jornal, que será elaborado pelos alunos que então estarão no 3 o ano, e que terá circulação interna e, talvez, externa, dependendo das possibilidades. A previsão é de que a publicação seja mensal, sendo que o jornal impresso também poderá ter a sua versão on-line. Demais aspectos da produção, como os assuntos a serem abordados, a divisão de tarefas e o número de páginas, ainda não foram estabelecidos porque a proposta é de que eles sejam discutidos juntos com os alunos.

No mês de outubro de 2003, começou a acontecer, quinzenalmente, um outro grupo de estudo, mas com alunos do projeto, com duração de 3 horas. A participação não é obrigatória e há debates de temas variados, muitos não abrangidos pela sistematização curricular da escola. A iniciativa de formação desse grupo partiu dos próprios alunos, e ainda está em caráter experimental. Será montado, também, outro grupo de estudo voltado para a linguagens e arte, também com alunos, nos mesmos moldes do anteriormente citado, com previsão de início para o começo do ano letivo.

E, por fim, haverá também a proposta de um grupo de estudo mensal sobre os PCNs com os professores da escola, para um maior aprofundamento das teorias que o embasam e para tomada de consciência da complexidade dos assuntos que sugerem. Também será objeto de debate a aplicação da interdisciplinaridade nas atividades feitas com os professores das outras áreas, a sua importância e como realizá-la.

Para o próximo ano do projeto, também acontecerá atividades de divulgação científica, como a participação em congressos, mas que ainda não estão especificadas e agendadas.

6. Resultados parciais do trabalho (Contribuições das atividades para a unidade escolar)

De acordo com consultas à Direção, Coordenação e ao Corpo Docente da unidade de ensino, verificou-se uma unânime posição com relação aos reflexos positivos, obtidos a partir do trabalho desenvolvido nas aulas de Oficina de Comunicação, durante este ano de 2003.

Realmente, os alunos do Projeto demonstram um maior interesse pela participação nas atividades do calendário escolar de eventos, que tem sido freqüente e qualitativo. Todos ganham, pois são desenvolvidas, por exemplo, pequenas peças teatrais e performances, enfocando temas do interesse escolar.

Toda a elaboração textual e performática dessas atividades tem sido de inteira responsabilidade dos próprios alunos, que são, apenas, orientados pelos professores responsáveis, sendo interessante ressaltar a forma polêmica dada à maioria dos temas. É inegável, pois, a presente reflexão geradora da compreensão de uma onipresente dicotomia “das coisas”. Eis aqui, um nítido sinal de fundamento crítico que, muitas vezes, é trabalhado nas aulas da Oficina.

Portanto, é visível o despertar desses alunos para a efetiva atuação dentro da unidade escolar. Mas não é só.

Em simulado realizado em novembro deste ano de 2003 com turmas do 3 o ano, foi possível investigar quantitativamente as respostas dos alunos do Projeto a uma atividade avaliativa, contrapondo-os com outra turma, denominada 3 o B, que é uma classe da ESOR, composta por alunos que não fazem parte do projeto.

Eis os dados:

Total de redações: 52

Total de alunos do 3o ano “A”: 32 - 61,53 %

Total de alunos do 3o ano “B”: 20 - 38,46 %

Analisando o gráfico, percebe-se que dos 32 alunos da turma A que fizeram a prova, 50 % tiraram nota “A” e 46 % nota “B”. Ou seja, mais de 96 % dos alunos conseguiram ficar com notas acima de 5,0. Em contraposição, apenas 31 % da turma B conseguiram médias acima de 5,0. Isso significa que os resultados quantitativos, por serem satisfatórios, comprovam o bom andamento do trabalho que vem sendo desenvolvido em Oficina de Comunicação.

Percebe-se, também, uma melhor capacidade de interpretação e compreensão do mundo, a partir, por exemplo, das respostas dissertativas dadas às questões de todos os outros ramos da área de Humanas trabalhadas em sala de aula. Por exemplo, nas aulas de História, a professora que os acompanha admite que têm sido mais bem elaboradas as respostas dadas às questões dissertativas. O que se verifica, então, é que coesão e coerência fazem, hoje, parte da preocupação da maioria desses alunos.

Foi notado por alguns professores, um interesse pela leitura - gerado, muitas vezes, através dos acúmulos de esforços - saindo da obrigatoriedade e caindo, finalmente, no prazer a que ela pode nos levar.

Há que enfatizar, ainda, a visão crítica acerca da realidade, desenvolvida através da exibição e discussão de filmes dados pela Oficina, na qual são desenvolvidas atividades de reflexão em sala de aula e mesmo fora dela.

Portanto, os alunos têm demonstrado que estão à vontade em participar de discussões e expressar suas opiniões, o que contribui, diretamente, e das mais variadas formas, para a unidade de ensino como um todo.

7. Observações

Acredita-se que o ensino de língua não deve se pautar na mera decodificação de categoriais fonológicas, morfológicas e sintáticas de um sistema de regras invariáveis. Do mesmo modo, ensinar produção textual não é simplesmente prover o aluno de estratégias de retórica e estilística, tais como o uso constante da conjunção “contudo” no parágrafo de conclusão de uma dissertação. Portanto, embora haja cientes de queum dos objetos finais do Projeto seja preparar os alunos para o vestibular, as práticas desenvolvidas em Oficina de Comunicação não se restringem às mesmas aplicadas pelas franquias particulares de ensino médio e de curso pré-vestibular.

A Oficina de Comunicação visa preparar os alunos para o exercício da cidadania, para serem sujeitos ativos política e socialmente. Para tanto, é necessário que sejam alertados para o papel de agentes questionadores, críticos e modificadores da história e do ambiente que eles devem exercer - aliás, esses são alguns dos objetivos prescritos nos Parâmetros Curriculares Nacionais. Assim sendo, as alterações que foram efetuadas concernem às concepções de linguagem, com enfoque para a questão do sujeito, e ensino/aprendizagem.

Entende-se a linguagem como sendo o resultado de um processo de atividades humanas, sociais e históricas dos sujeitos (interlocutores). Constituída de signos flexíveis, ela organiza a atividade mental, articula a visão de mundo e se constitui efetivamente na interação verbal e social, que, por sua vez, só se estabelecem por meio da linguagem. Imersos nesse processo interativo estão os sujeitos.

Sujeito nada mais é do que o indivíduo que é interpelado pela ideologia. O indivíduo tanto pode submeter-se às regras que lhe impõe o lugar social onde está inserido quanto questioná-las, rejeitá-las, subvertê-las. Nos limites do ensino de língua, o sujeito pode ser dividido em sujeito-leitor e o sujeito-produtor-de-textos, embora estabeleçam relação de interdependência. O sujeito-leitor é aquele que não apenas codifica a mensagem que lhe é apresentada em um texto qualquer, mas sim aquele que realiza um processo ativo de compreensão, ou seja, que opõe sua experiência cognitiva e sua visão de mundo ao texto a ser lido e questiona-o, critica-o ou adere a ele. Além disso, esse sujeito é conhecedor das condições em que o texto foi produzido e de informações a respeito do enunciador, pois são aspectos fundamentais a uma compreensão mais reveladora. O sujeito-produtor-de-texto, por sua vez, efetua um processo dialógico por meio do qual constrói sua opinião, ou seja, através do confronto entre discursos provindos de diversos lugares, o sujeito propõe a sua visão de mundo, não apenas repetindo o óbvio e unilateral comumente presente no discurso da classe dominante e nos aparelhos ideológicos do Estado.

Ainda com relação à concepção de sujeito, citam-se duas categoriais que são vitais na aplicação de um ensino de língua que vise os mesmos objetivos da Oficina de Comunicação: a de sujeito-professor e a de sujeito-aluno. Tanto o sujeito-professor quanto o sujeito-aluno não se subordinam às regras que o estatuto inquisitório da Escola lhes impõe. O sujeito-professor é um indivíduo ciente da ideologia que o interpela em sujeito e que, portanto, rejeita o papel de transmissor unilateral de conhecimentos que a ideologia da Escola o atribui para refletir a respeito do conteúdo curricular a ser trabalhado com os alunos. Essa reflexão concerne aos métodos para aplicação dos conteúdos, popularmente conhecidos como matérias, e o quê dos conteúdos deve ser explorado. O sujeito-aluno é aquele que questiona o conteúdo curricular, as práticas escolares e as regras de comportamento impostas pela Escola. Dessa forma, assume um papel de agente ativo e modificador do ambiente escolar.

As modificações supracitadas corroboram para a aplicação do processo de ensino/aprendizagem vigente nos PCN e nas aulas da Oficina de Comunicação. Esse tipo de ensino/aprendizagem é um processo de interação social, verbal e cognitiva em que alunos e professores constroem o saber por meio de uma relação de aprendizado mútuo, tanto no sentido docente/discente quanto no inverso. Ou seja, o conhecimento não passa dos seus detentores supremos, os professores, aos alunos. Ao contrário: ambos - e nesse momento os professores são deslocados do pedestal - aprendem com as experiências de vida e visões de mundo adquiridas fora do espaço escolar e refletem sobre o conteúdo curricular com intuito de atingir os objetivos já mencionados, e não memorizar classes de palavras, tipos de orações subordinadas, etc.




Anexo 8: Relatório do bolsista de Treinamento Técnico Léland Vinícius de Oliveira apresentado à Pró-Reitoria de Pesquisa da USP

Orientação: Prof. Dra. Yvonne Primerano Mascarenhas

Co-orientação: Profa. Dra. Edna Maura Zuffi do ICMC/USP.

Tema de pesquisa: O ensino de matemática no segundo grau através da capacitação de docentes e alunos no uso de recursos computacionais

Sumário

1. Introdução

2. Objetivo

3. Materiais E Método

3.1 . Instalação De Softwares

3.2 . Acompanhamento E Monitoramento

3.3 . Aulas E Cursos.

4. Resultados

5. Conclusão

6. Referências Bibliográficas

1. Introdução

Atualmente o ensino vem sendo um dos grandes problemas brasileiros. Desta forma, muitos esforços têm sido realizados com o objetivo de melhorar, suplementar e reciclar a formação de professores.

Muitos professores nunca tiveram contato com computadores e se muito, já ouviram falar de Internet; então se perde um instrumento poderosíssimo de informação e de ensino. É um recurso, que além de reter a atenção do aluno, ao mesmo tempo o está encaminhando a uma prática fundamental hoje para a entrada no mercado de trabalho.

Mas infelizmente as más condições de infra-estrutura da Escola Pública colaboram para que esses professores fiquem cada vez mais desatualizados e por muitas vezes, com “medo” do computador. No entanto esse instrumento poderosíssimo, que tem por objetivo facilitar as condições do professor, torna-se um “inimigo” e conseqüentemente uma barreira para o melhor aprendizado dos alunos.

Um outro problema é o tempo que os alunos permanecem na escola, apenas por um período do dia, isto é, manhã, tarde ou noite. Este fato leva a várias conseqüências desastrosas, entre as quais: a maior parte do tempo a criança está fora da escola, muitas vezes sem supervisão familiar, o que os leva a procurar atividades nas ruas. Atividades complementares deveriam ser dirigidas pela família, mas esta infelizmente está ausente tanto devido às suas necessidades de trabalho quanto à sua formação profissional deficiente. Dentro desse contexto, tem sua educação de fato subordinada a uma pequena exposição temporal proporcionada pela escola e uma relativamente maior na rua. Ou seja, a escola tem um tempo pequeno na vida do aluno e esse curto período não permite uma flexibilização curricular que atenda aos interesses vocacionais do aluno e, muito menos, atividades lúdicas ligadas ao esporte, arte, ciência, entres outras.

Infelizmente, praticamente todas as avaliações do ensino fundamental e médio conduzidas pelo MEC ou outros órgãos nacionais ou do exterior tem revelado uma situação verdadeiramente calamitosa do nosso ensino público e privado. Um editorial da Folha de São Paulo do dia 05 de maio de 2003 revela, entre outras coisas, que a rede particular em regra é qualitativamente superior à pública. Pesquisa da UNESCO para a educação sobre o Ensino Médio em 13 capitais brasileiras traz grande variedade de dados sobre as diferenças sociais entre os dois grupos, dizendo que elas tendem a permanecer ao longo do tempo. Na rede pública, 80% dos alunos não tem computador em casa; na particular 40%. Ainda podemos citar o fraco desempenho obtido pelos alunos da rede pública no Exame Nacional do Ensino Médio (ENEM). Tal situação poderá ser ao menos parcialmente remediada se os computadores recentemente adquiridos pelo Estado para as escolas públicas forem efetivamente utilizados. Para tanto, é mister que tanto os docentes como os alunos sejam instruídos no seu uso.

Portanto visa-se dar uma contínua assistência durante todo um ano e capacitar docentes e alunos no uso de alguns programas de grande interesse educacional.

2. OBJETIVOS

Ensinar e estimular o Ensino de Matemática no Segundo Grau por meio da capacitação de docentes e alunos no uso de recursos computacionais.

3. MATERIAIS E MÉTODO

Para um melhor entendimento com relação às atividades exercidas, essas serão distribuídas em três etapas: instalação de softwares, acompanhamento e monitoramento, e aulas e cursos.

3.1. INSTALAÇÃO DE SOFTWARES

Nesses últimos anos o numero de softwares desenvolvidos para o melhor aproveitamento do aluno com relação às disciplinas do Ensino Médio vem crescendo absurdamente. Felizmente muitas escolas estão tendo acesso e esses programas que com certeza representam um enriquecimento muito grande em uma aula, melhorando a qualidade desta e fazendo com que o aluno aprenda quase que totalidade do assunto abordado. Portanto frente a essas ferramentas, inicialmente fez-se necessária a instalação de alguns deles nos computadores da sala de informática. Foram instalados programas computacionais relacionados a todas as disciplinas do Ensino Médio. Abaixo estão relacionados alguns desses softwares:

Matemática:

ü Cabri Geometrè II (Geometria)

ü Trigonometria

ü Matemática Fácil

Física:

ü Simulador de Movimentos

Química:

ü Crocodile Chemistry

ü Elementos Químicos

Geografia:

ü Enciclopédia Encarta

História:

ü Vozes da História

ü II Guerra Mundial

Biologia:

ü O Corpo Humano

ü A Célula

Literatura e Gramática:

ü Literatura para Vestibular

ü Acerte na crase

Inglês:

ü English Plus

Também se viu necessário a instalação de um programa que filtrasse alguns “endereços”, isto é, um filtro que bloqueasse o acesso a sites inadequados. O software instalado foi o “Anti Porn”. Para o lazer dos alunos foi instalado nos micros um programa chamado SimCity2000, um jogo que requer muito do raciocínio dos alunos e estimula suas várias inteligências construindo e organizando cidades. Também foi instalado um software com frases de pensadores, essas apareciam ao aluno quando este ligava o computador. Enfim, a instalação desses programas teve como único objetivo o aprendizado, a estimulação e o melhor aproveitamento dos professores e alunos nas aulas.

3.2. ACOMPANHAMENTO E MONITORAMENTO

Após a instalação dos softwares mencionados anteriormente, muitos professores ficaram interessados em aulas utilizando os softwares. Outros se interessaram em apresentar a Internet aos alunos, a facilidade que esta ferramenta pode proporcionar a todos e principalmente aos estudantes.

Freqüentemente a sala de informática esteve com alunos, muitos professores traziam aulas preparadas em disquetes e apresentava na sala aos alunos. Os jovens se interessavam mais por essas aulas fugindo um pouco da rotina na sala de aula.

Nas aulas com a Internet, os professores traziam perguntas relacionadas à disciplina e dicas de alguns sites que os alunos poderiam estar visitando, portanto o jovem já entrava na sala sabendo o que iria pesquisar. Indicava-se aos estudantes que fizessem suas pesquisas utilizando sites de busca, fazendo com que eles mesmos fossem capazes de encontrar sites com os conteúdos a serem pesquisados.

Os professores que optaram por dar uma aula utilizando CD's também obtiveram êxito. Alunos que não tinham participação nas atividades de sala de aula mostravam interesse frente aos recursos computacionais. Enfim, com aulas no computador os professores conseguiram uma participação de quase totalidade dos alunos e melhor, com maior aproveitamento dos mesmos. Os alunos conseguiam fixar com mais facilidade o que lhes era apresentado nas salas de informática.

Portanto foi com o propósito de familiarizar os alunos ao computador e obter melhor aproveitamento desses nas disciplinas, que foi dado a eles e aos professores monitoramento e acompanhamento com relação ao uso computacional.

3.3. AULAS E CURSOS

Foi dado a alguns professores de matemática um treinamento com relação ao uso do software Cabri Geométrè. Esse programa tem por finalidade facilitar o entendimento de alguns conceitos de geometria, incentivando os alunos a esboçarem desenhos e gráficos em exercícios envolvendo geometria.

Após o treinamento, as aulas foram dadas. As séries que receberam essas aulas foram, primeiro, segundo, e terceiro ano do ensino médio, totalizando aproximadamente 60 alunos. Verificou-se, primeiro, um interesse muito grande por parte dos alunos, segundo, a imensa criatividade desses em resolução de problemas e terceiro, o raciocínio rápido. Os conceitos geométricos foram muito bem captados e, os problemas propostos foram rapidamente solucionados mostrando que se estimulados esses alunos podem obter resultados surpreendentes.

Foram dadas também aulas de Matemática para alunos que estavam interessados, aproximadamente 10 alunos. Foi mostrado para esses alunos um modo prático de encarar a matemática, mostrando que se a maioria não aprecia essa disciplina, é porque ela não foi bem ensinada por alguns professores. Foram apresentados métodos que ignoram fórmulas (tão odiadas pelos alunos por terem que decorá-las), que fazem com que os próprios alunos cheguem às equações não havendo necessidade de decorar. O resultado também foi surpreendente, pois os alunos se mostraram muito gratificantes em saber que a matemática é tão bela e pode ser facilmente aprendida por qualquer aluno.

Com relação à informática aos alunos, foram dadas para estes algumas aulas com noções básicas de Windows. Foram apresentados para esses jovens, os recursos que esse sistema operacional apresenta. Essas aulas foram dadas para todos os estudantes interessados da quinta série do Ensino Fundamental ao terceiro ano do Ensino Médio. O número de beneficiados foi de 100 alunos. Estes aprenderam a utilizar disquetes, CD's, criar arquivos, documentos, pastas; os jovens vinham às aulas com disquetes para poderem guardar os arquivos criados em aula.

Em suma, essas aulas foram dadas visando melhorar a relação do aluno com os recursos computacionais, fazendo com que o computador seja uma ferramenta muito útil para o aprendizado. Visou-se também facilitar o aprendizado de Matemática ao estudante, fazendo com que esse tivesse prazer em aprender, mostrando para o jovem que o aprendido em sala de aula pode ser usado no dia-a-dia, diminuindo a distância de professor e aluno.

4. RESULTADOS

Muitos alunos sequer sabiam ligar o computador, poucos tinham noção de Internet, enfim, a maioria tinha um certo “medo“ do computador.

Nesse pouco tempo já foi possível observar bons resultados com relação ao aproveitamento dos alunos. Segundo os professores os estudantes ficaram mais interessados nas aulas, pois perceberam que o que é apresentado em classe e nos livros não é tão complexo e pode ser facilmente entendido.

Muitos alunos instalaram os programas utilizados em aula nos computadores de suas casas, mostrando interesse nas disciplinas abordadas, outros marcaram horas extra aula para a utilização dos softwares.

Muitos professores ficaram surpresos com a facilidade com que esses programas foram utilizados pelos jovens. Enfim, os estudantes mostraram resultados muito positivos nas atividades, demonstrando que os alunos de escola pública do Ensino Médio se estimulados são tão, se não mais capazes do que qualquer aluno da rede particular.

Portanto, basta trabalhar com dedicação para o melhoramento do ensino que alunos, muitas vezes desestimulados e esquecidos por professores, mostram que têm um propósito, que têm um objetivo na vida. É nesse momento que se pode perceber que todos eles têm sonhos, e quando eles percebem que são capazes, a realização do sonho é uma simples questão de dedicação e disciplina.

5. CONCLUSÃO

Mesmo muitos alunos tendo, nessas aulas, o primeiro contato com o computador, outros sem nunca terem conciliado o conteúdo aprendido em sala com um ambiente externo, e muitos com relativa dificuldade com os números, foi possível obter resultados muito positivos.

Os alunos conseguiram perceber que a matemática não é aquela matéria que todos temem; que há um método muito fácil e estimulante de se aprender essa disciplina. E o computador veio fortalecer ainda mais esse aprendizado, com softwares que possibilitam ao aluno uma interação com o problema proposto, o problema “sai” do papel e passa a ser vivenciado pelo aluno. Os exercícios deixam de ser abstratos e começam a ficar concretos, os estudantes não gostam de apenas manipular números e decorar fórmulas, o que dificulta muito o aprendizado, e torna o ensino monótono.

Essas atividades conseguiram despertar nesses alunos mais interesse pela disciplina, mais entusiasmo em aprender, aprenderam a gostar de matemática, em suma, aprenderam a aprender.

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

1. MASSARANI, Luisa. Ciência e Público. Rio de Janeiro: Editora UFRJ, 2002.

2. BALDIN, Yuriko, VILLAGRA, Guilhermo. Atividades com Cabri Géomètre II. São Carlos: EdUFSCar, 2002.

3. VASCONCELOS, Laércio. Hardware Total. São Paulo: MAKRON Books, 2002.